A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, abril 29, 2003

Outro dia escrevi em A Barbárie dos Tempos Modernos :

A nossa era é tão marcada pelo culto à matéria que já houve uma materialização da concepção de espírito. O bem estar está relacionado simplesmente ao fato de não se sentir dor, ter o corpo relaxado e a mente tranqüila, mesmo que não tenha nada de importante dentro dela. O ideal é que esteja livre de problemas, mesmo que vazia de conteúdo. Para isso, realiza-se diversos procedimentos, desde massagem, passando pela psicoterapia, chegando até a Yoga e outras técnicas zen. A conduta é sempre a mesma : desconsidera-se ou elimina-se o conteúdo espiritual (das que o possuem, evidentemente) dessas terapias e passa-se a associá-lo à sensação de atonia muscular e vazio mental. Quanto mais oco e relaxado, mais o sujeito se sente bem.

Dois dias depois encontro este link no site da UOL. Assim perde até a graça ...


Conversas Petistas

Fico imaginando como deve ser a conversa entre a ala radical e a ala moderada do Governo, principalmente agora, à beira da votação da reforma previdenciária :

- Vocês nunca leram Gramsci nem Lênin ? Deixem de ser burros. Chegamos ao poder ! Não podemos perdê-lo. Infelizmente, nosso modelo econômico só funciona bem no discurso, na prática não dá certo, pelo menos enquanto o mundo for dominado por esses porcos capitalistas.

- Mas eu achei que a gente ia mudar a forma de governar, vocês não me avisaram que seria assim ...

- Mas tem que ser ! Não criem confusão. Vejam, até a Globo está do nosso lado ! Com ela servindo de jornal oficial, o que mais podemos querer ? Se a gente souber fazer a coisa direitinho, a gente faz o povo pensar tudo que a gente quiser que ele pense. Em 2 anos vai ter trabalhador pedindo pra aumentar o imposto de renda e aposentado pedindo pra contribuir mais com a previdência, você vai ver !

- Será ?

- Leia Gramsci. Confie em mim, eu já li.



segunda-feira, abril 28, 2003

Gil dá uma dentro

Depois de liberar verbas públicas para projetos musicais de amigos, como Brown e Donato, e de fazer mil e uma idiotices como ministro da cultura, Gil dá a primeira dentro : quer recuperar as obras de Aleijadinho que estão se deteriorando.

sábado, abril 26, 2003

É engraçado como os títulos de determinados livros de filosofia e religião se parecem com os de auto-ajuda. Fico imaginando como se sentiria um desses sujeitos que andam em busca de lições práticas para "aumentar sua felicidade e ter sucesso na vida" se, por engano, comprasse Corpo, Alma e Saúde de Giovanni Reale ou A Alquimia da Felicidade Perfeita de Ibn Arabi.

Qual seria sua reação ao ler, logo no início do primeiro livro : " Pode-se dizer, então, que o homem se representou como corpo só depois de ter se representado como alma. E ainda hoje, falar de corpo em sentido filosófico só é possível referindo-se, seja de modo positivo, seja negativo, ao conceito de psyche." ? Será que ele iria adiante ? E se encontrasse isso aqui, que é o que se pode ler no segundo livro : " Se lustras minuciosamente o espelho da tua alma com as práticas espirituais até ela ficar pura e até ficar livre da ferrugem da natureza, para poder acolher no espelho de tua essência as formas do mundo, aí sim ! Tudo o que o mundo encerra virá gravar-se nela. " ?

Será que ficaria curioso e tentaria se aprofundar nestes ensinamentos ou se abraçaria a um livro de Paulo Coelho e Lair Ribeiro como um filho que grita pela mãe num momento de perigo ?




sexta-feira, abril 25, 2003

Essa é do Sarney :

" Bagdá e os Novos Baianos

Com um mundo globalizado, só a cultura identifica e distingue. Se algum dia o Brasil acabasse, nada restasse de nossas árvores, de nossas cidades, de nossos rios, de nossa gente e de nossas montanhas, o silêncio boiasse num mar sem águas, de areias e ventos, e um deserto imenso cobrisse a face do que já não éramos... Mas, se no meio desse nada, desse vazio que não cabe na nossa imaginação, restasse somente um longo disco da música popular brasileira, bastaria isso para que se soubesse que aqui existira uma grande civilização, uma formidável cultura. "

Para mim, só seria possível ter uma idéia do que é o Brasil hoje se encontrassem um CD de Bezerra da Silva cantando " Vou apertar mas não vou acender agora ".



quarta-feira, abril 23, 2003

A ótima médica

Relato verídico :

O especialista recebe uma paciente e pergunta :
- Qual a razão da sua vinda até aqui ?
- Não sei
- Quem a encaminhou ?
- Minha ginecologista
- E ela te disse a razão pela qual você precisaria ir a um especialista ?
- Não. Mas confio nela. É uma ótima medica.
- Tudo bem. Mas o que você sente ?
- Nada.
- Você não tem nenhum sintoma ?
- Não
- E sua ginecologista não te disse nada sobre algum exame alterado, nada ?
- Não.
Quando o médico começou a medir a pressão arterial, a paciente revelou :
- Minha pressão tem subido ultimamente. Sempre meço na farmácia.
- E quando esteve na sua ginocologista, qual o resultado ?
- Ela nunca mede minha pressão. Adoro aquela médica, ela sempre me pede pelo menos 30 exames.
E o médico, meio irônico :
- Ela chega a falar com você ?
E a senhora sem notar :
- Não. Quer dizer, ela só pergunta se eu quero fazer todos os exames, como sempre.

Que beleza ! A imagem de ótima médica que a paciente tem é daquela que pede muitos exames. Conversar com ela e examinar é o menos necessário para ela. Não pensem que isso é incomum e não se surpreendam se se tornar uma rotina, se já não estiver se tornando.

Isso não é algo exclusivo da medicina. A relação entre os homens tem se tornado cada vez mais impessoal. A intolerância que tem caracterizado a convicência social é fruto da idéia coletivista, que faz com que uns não aceitem os outros por serem muito diferentes de si. Portanto, quanto menos comunicação, melhor. E se tiver que haver comunicação, por favor que se sigam as regras ! Nada de argumentos racionais !


segunda-feira, abril 21, 2003

Numa época pragmática como a nossa, este é um grande ensinamento :

" Las acciones sólo nos ayudan a purificar la mente, pero no a perseguir la Realidad.
La realización de la Verdad se obtiene mediante el discernimiento, jamás mediante la
acción; ni aunque realizásemos diez millones de acciones. "

Shankara


quarta-feira, abril 16, 2003

De pernas trocadas

Do economista petista Reinaldo Gonçalves ( retirado do Estadão ) :

"O Governo tem uma perna esquerda caminhando para a frente e uma perna direita caminhando para trás, e o resultado disso é que poderá cair de quatro", diz, referindo-se à contradição entre a plataforma social do PT e a ortodoxia econômica do Ministério da Fazenda.

Concordo plenamente com esta frase. O problema é que o senhor Reinaldo acha que a perna direita deveria ser como a esquerda enquanto eu acho justamente o contrário. Se a perna esquerda representa o lado social do PT, está mais do que provado que até agora só fez cambalear. É a direita ( a política econômica de Palocci ) quem ainda sustenta o corpo do Governo e o impede de cair. No entanto, a manutenção dos altos impostos e a não redução dos gastos públicos ( que são exigidos pela outra perna para manter os programas sociais ) fará com que esta também tropece, levando o Governo ao chão.

Qual será o limite de Graziano ?

Graziano descobriu que os pobres não estão usando o Fome Zero apenas para comprar comida ( ohhhh, é mesmo, Graziano ? ). Há, por exemplo, alcoólatras que usam o cartão para se embriagar. Solução do ministro ( da Folha ) :

Para evitar que esse problema persista em outras cidades, Graziano disse que procurará meios legais de manter o cartão apenas no nome da mulher da família.

E se a mulher for ninfomaníaca e usar o cartão para comprar um vibrador ? Ou se for doida pelo Fábio Assunção e resolver vender tudo que adquiriu com o cartão para viajar e poder dar um beijo na boca dele ? Será que é difícil perceber o grau de restrição de liberdade que há por trás do Fome Zero ? E será que é difícil associar tudo isso ao apoio brasileiro à Cuba ?

Razão do apoio brasileiro à Cuba : ( da Folha )

"O PT é um partido amigo de Cuba e adota a cautela neste caso. O noticiário a respeito de Cuba é muito contaminado politicamente", diz o secretário-adjunto de relações internacionais do partido, o deputado federal Paulo Delgado (MG), para quem "Cuba não é uma ditadura".

Se ele acha que "Cuba não é uma ditadura", tenho certeza que o noticiário sobre Cuba que chega até ele está mesmo "contaminado politicamente".



terça-feira, abril 15, 2003

Não é apenas o ombro do nosso presidente que não vai bem. O cérebro também está em crise. Leiam essa de Mônica Bergamo, da Folha :

" O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis comentar, ontem, a frase atribuída a ele pela revista "Carta Capital" desta semana, em que diz que "o Bush é um alucinado", referindo-se ao presidente americano, George W. Bush.
A Folha perguntou ao presidente, no restaurante Bacalhau, Vinho e Cia., se ele poderia explicar o que quis dizer. "Não li a revista ainda", respondeu Lula. "

Notem bem : ele não negou que tenha dito a frase, mas apenas que não é capaz de explicá-la antes de lê-la na revista. Essa é boa : o sujeito só consegue interpretar o que disse depois que tiver lido o que saiu de sua própria boca numa revista.

" Por que você não trouxe o cafezinho que eu pedi ? "
E o criado : " Senhor presidente, é que não sei bem o que o senhor quis dizer com essa frase. Ela ainda não saiu em nehuma revista ".

segunda-feira, abril 14, 2003

Cheguei a tentar freqüentar a missa aos Domingos. Resultados :

Primeira tentativa : ao entrar na igreja, entregaram-me um papel contendo algumas informações sobre o local e um editorial praticamente sugerindo para que o fiel votasse no PT. Tudo bem, tenho boa vontade. A missa e o padre não devem ter nada a ver com essa história. Procurei me concentrar e me sentei. Outro papel : músicas que seriam cantadas naquela celebração. Dei uma olhadinha : quase todas da autoria de Nizan Guanaes. Quem ? Nizan ? E me responderam : sim, aquele mesmo. Baixei a cabeça e comecei a rezar antes da missa começar. Começou : o padre leu um trecho do Novo Testamento e o interpretou : Jesus Cristo fazia o papel de um revolucionário marxista.

Dei azar : era época de eleição. Vou esperar passar essa fase para ir numa missa tradicional. E fui

Segunda tentativa : era dia de São Francisco de Assis. Na igreja, bem antiga, só tinha velhinhos e velhinhas. O padre era mais velhinho ainda. Dessa vez eu acertei ! Aquela voz macia do sacerdote me agradava. Começou contando a história de São Francisco. Quem de vocês teria coragem de fazer o que ele fez ? Largar tudo ! Hein ? Pressenti que a coisa não ia acabar bem. O senhor ficou agressivo e, depois de colocar a culpa da pobreza nos empresários inescrupulosos, terminou conclamando os fiéis a dar um fim em Bush. Saí antes do final e fui rezar lá fora pela alma daquele pobre homem.



domingo, abril 13, 2003

Confesso que fiquei emocionado e que não me foi possível conter as lágrimas que, insistentes, teimaram em rolar até os cantos de minha boca, cujos lábios tremiam num ritmo tão alucinante e febril que quase me impediram de terminar de ler esta declaração do ministro José Dirceu :

" tenho autoridade para dizer que eu gosto de Cuba, do país, do povo de Cuba. Sou devedor. Não vou renunciar nunca a isso. Tenho amigos no governo de Cuba. Agora, isso quer dizer que eu concordo? Claro que não. Tenho constrangimento em falar das minhas divergências com Cuba? Tenho. Como o filho tem de um pai que o criou mas que tem defeitos graves. Então eu tenho constrangimento em falar, procuro não falar. "

sábado, abril 12, 2003

Dois momentos de Ortega Y Gasset :

" O pacifismo está perdido e converte-se em nula beateria se não se tem presente que a guerra é uma genial e formidável técnica de vida e para a vida "

" O poder público acha-se em mãos de um representante de massas. Estas são tão poderosas que aniquilaram toda possível oposição. São donas do poder público em forma tão incontrastável e superlativa que seria difícil encontrar na história situações de governo tão prepotentes como estas. E, entretanto, o poder público, o Governo, vive ao dia ; não se apresenta como um porvir franco, não significa um anúncio claro de futuro, não aparece como começo de algo cujo desenvolvimento ou evolução seja imaginável. Em suma, vive sem programa de vida, sem projeto. Não sabe aonde vai porque, a rigor não vai, não tem caminho prefixado, trajetória antecipada. Quando esse poder público tenta justificar-se, não alude para nada ao futuro, senão, pelo contrário, fecha-se no presente e diz com perfeita sinceridade : "Sou um modo anormal de Governo que é imposto pelas circunstâncias". Quer dizer, pela urgência do presente, não por cálculos do futuro. Daí que a atuação se reduza a evitar o conflito de cada hora ; não a resolvê-lo, mas a escapar dele imediatamente, empregando os meios que sejam, ainda que a custa de acumular com o seu emprego maiores conflitos sobre a hora próxima. Assim tem sido o poder público quando o exerceram diretamente as massas : onipotente e efêmero. O homem-massa é o homem cuja vida carece de projeto e caminha ao acaso. Por isso não constrói nada, ainda que seus poderes, suas possibilidades sejam enormes. "

Não é incrível como algo escrito em 1926 possa ser tão atual e, ao mesmo tempo, sirva tão bem para descrever o cenário político brasileiro ? Que fique bem claro que o conceito de homem-massa de Ortega Y Gasset não está relacionado ao de classe social. Ele se aplica muito mais aos intelectuais brasileiros - os verdadeiros responsáveis pela vitória de Lula - do que ao povo que o elegeu.


quinta-feira, abril 10, 2003

A partir de hoje, tentarei manter esse blog sempre atualizado.

Lula Sabe Que O Fome Zero É Puro Marketing

Essa declaração mostra que o próprio Lula sabe que o Fome Zero é inútil para o que se propõe ( da Folha ) :

"O presidente citou uma conversa recente que teve em Cabedelo (PB), na qual um trabalhador rural disse que as pessoas estavam acostumadas a receber "muita coisa de favor". "Ele me contou que antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar feijão, milho, macaxeira, porque sabia que ia colher alguns meses depois. Mas tem gente que já não quer mais, porque fica esperando vale isso, vale aquilo, as coisas que o governo criou para dar para as pessoas", afirmou o presidente. Lula emendou: "E eu acho que isso não contribui com as reformas estruturais de que o Brasil precisa ter, para que as pessoas possam viver condignamente à custa do seu trabalho."

O que eu não sei é se ele tem consciência de que o projeto será utilizado pelos ideólogos petistas para criar verdadeiros sovietes nos Brasil , eliminando a autoridade dos prefeitos. Segundo Sandro Guidalli, em entrevista ao jornaista Luís Nassif, Graziano já teria revelado todos os passos que serão dados em direção a essa meta :

" O governo do PT irá “sovietizar” o interior do país através da criação, obrigatória, de um conselho e de um órgão executor de políticas sociais “que poderá ser a secretaria de Promoção Social ou da Agricultura”. Esta estrutura a ser montada servirá para desmobilizar as prefeituras e concentrar a distribuição de alimentos, cupons de comida, e todos os benefícios de cunho assistencialista nas mãos dos “multiplicadores”, técnicos ligados às pastorais da Terra (MST), Embrapa e Ministério da Educação. Estes agentes do governo federal serão os verdadeiros executores da política para o interior do país. Sua estrutura será criada em pelo menos 20 municípios de cada estado.

É que o fornecimento de cartões para o recebimento de comida acabará gerando disputas e dividindo a população entre aqueles que o possuem e os demais. A demanda por ele tenderá a aumentar e assim o governo terá que ampliar cada vez mais o esquema de distribuição dele. E é isso o que ele quer.

O programa Fome Zero, portanto, é a revolução petista, uma cópia de outras estruturas já experimentadas no passado e que ainda vigoram, como em Cuba e na China, por exemplo. A engenhosidade da idéia está em utilizar uma deficiência, a fome, para promover a sovietização do Brasil, passando para a sociedade a imagem de que o modelo implementado é “inovador”. "

Consciente da inutilidade do projeto, Lula já não pode ser tachado de inocente útil nas mãos da elite marxista que domina o PT. Minha dúvida é o quanto ele é consciente da "engenhosidade" dessa turma.