A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, abril 16, 2003

De pernas trocadas

Do economista petista Reinaldo Gonçalves ( retirado do Estadão ) :

"O Governo tem uma perna esquerda caminhando para a frente e uma perna direita caminhando para trás, e o resultado disso é que poderá cair de quatro", diz, referindo-se à contradição entre a plataforma social do PT e a ortodoxia econômica do Ministério da Fazenda.

Concordo plenamente com esta frase. O problema é que o senhor Reinaldo acha que a perna direita deveria ser como a esquerda enquanto eu acho justamente o contrário. Se a perna esquerda representa o lado social do PT, está mais do que provado que até agora só fez cambalear. É a direita ( a política econômica de Palocci ) quem ainda sustenta o corpo do Governo e o impede de cair. No entanto, a manutenção dos altos impostos e a não redução dos gastos públicos ( que são exigidos pela outra perna para manter os programas sociais ) fará com que esta também tropece, levando o Governo ao chão.

Qual será o limite de Graziano ?

Graziano descobriu que os pobres não estão usando o Fome Zero apenas para comprar comida ( ohhhh, é mesmo, Graziano ? ). Há, por exemplo, alcoólatras que usam o cartão para se embriagar. Solução do ministro ( da Folha ) :

Para evitar que esse problema persista em outras cidades, Graziano disse que procurará meios legais de manter o cartão apenas no nome da mulher da família.

E se a mulher for ninfomaníaca e usar o cartão para comprar um vibrador ? Ou se for doida pelo Fábio Assunção e resolver vender tudo que adquiriu com o cartão para viajar e poder dar um beijo na boca dele ? Será que é difícil perceber o grau de restrição de liberdade que há por trás do Fome Zero ? E será que é difícil associar tudo isso ao apoio brasileiro à Cuba ?

Razão do apoio brasileiro à Cuba : ( da Folha )

"O PT é um partido amigo de Cuba e adota a cautela neste caso. O noticiário a respeito de Cuba é muito contaminado politicamente", diz o secretário-adjunto de relações internacionais do partido, o deputado federal Paulo Delgado (MG), para quem "Cuba não é uma ditadura".

Se ele acha que "Cuba não é uma ditadura", tenho certeza que o noticiário sobre Cuba que chega até ele está mesmo "contaminado politicamente".