A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, maio 11, 2003

O Último Suspeito - e se fosse um filme nacional ?

O Último Suspeito é um bom filme. Trata da questão de cada um assumir a responsabilidade pelos seus atos. O pai policial abandona seu filho quando este ainda não é nem adolescente. Já quase adulto, o filho comete um assassinato devido ao envolvimento com as drogas. A mãe é daquelas que atribui ao afastamento do pai todo o problema do filho e não contribui em nada para ajudá-lo na superação do problema. O filho é criado pela mãe, mas ama o pai, um bom e respeitado policial, cujo pai foi executado quando ele era criança.

O final do filme mostra o principal : assim como Raskolnikov, de Crime e Castigo, só se redime no amor a Sônia, o filho encontra no amor ao pai o caminho da redenção, que passa, é claro, pela expiação de toda a sua culpa na prisão. A culpa por ter abandonado o filho maltrata a consciência do pai, que, apesar disso, jamais admite que o filho não fosse responsável pelos seus atos.

Se O Último Suspeito fosse um filme nacional, seria assim :

O filho seria uma favelado, viveria na miséria e entraria para o tráfico por "não ter outra chance na vida". O pai não seria o personagem principal e sim a mãe, a quem o filho amaria por demais por compreender seu problema. No final, ela seria morta pelos policiais desalmados ao se colocar entre as balas e o peito de seu queridinho quando este trocava balas com aqueles. O pai seria mostrado como um carrasco, um policial durão, sem sentimentos e que gostava de bater nos bandidos.

O público sairia da sala de cinema com a impressão de que a mãe foi a única capaz de compreender que foi a vida que levou seu filho a ser assim e que ninguém tem culpa pela morte das pessoas baleadas por seu estimado filho.