A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, junho 08, 2003

Justificando o mal

O Estadão publicou uma experiência feita com ratos onde se conclui que o grau de carinho da mãe com o filho quando criança muda o padrão de expressividade do gene relacionado com o estresse quando na vida adulta, ou seja, os ratinhos que foram mais acariciados pela mãe tornaram-se menos estressados quando adultos porque um gene que "acalma" o cérebro foi superativado.

Primeiro é preciso ressaltar que o resultado da pesquisa não é nem um pouco surpreendente. O projeto genoma falhou justamente por isso : pensava-se que, encontrando-se os genes, curar-se-iam facilmente todas as doenças, e o que se descobriu foi justamente que o ambiente influencia na expressão genética, por isso o resultado foi bem mais modesto do que se pretendia.

O problema surge quando interpretam erroneamente esse tipo de experiência. A manchete do Estadão já dá margem a isso : Carinho materno determina se criança será adulto estressado . Ora, a experiência mostra que o carinho recebido na infância é apenas mais um fator, mas não aquilo que determinará se quando adulto o sujeito será estressado ou não.

É por pensarem assim que muitos "intelectuais" justificam a criminalidade e colocam a culpa no "sistema", que não permitiu que a pessoa se tornasse "boa" quando adulta, tirando dela toda a responsabilidade pelos seus atos. Para complementar esse meu comentário, seria bom dar uma lida neste artigo, em que o autor faz uma comparação entre a doutrina cristã e a psicanálise. E, se tiverem paciência, esse meu pequeno texto também tem a ver com essa história.