A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, junho 29, 2003

O teimoso

Nesse fim de semana, resolvi fazer 2 coisas que raramente faço : ler jornal e ver TV. Vejam no que deu :

1. Li uma entrevista de Frei Betto ao jornal A Tarde de Salvador, em que ele diz que "ao contrário da maioria das ações de combate à fome conhecidas no Brasil, o Fome Zero não é um programa assistencialista." Para ele, o Fome Zero " nada mais é do que a versão política da multiplicação dos pães feita por Jesus". Depois disparou essa : "Não vejo nenhuma contradição entre religião e política no sentido de que o cristianismo pra ser bem vivido tem que ser fermento na massa, tem que ter uma incidência política. Se ele não tem incidência política é preciso se perguntar se ele não está legitimando uma desordem estabelecida, uma injustiça. Não manter o equilíbrio da relação entre fé e política é o que conduz ao fundamentalismo, quando a fé quer substituir a racionalidade política, ou ao sectarismo, quando a política quer substituir a dimensão da religiosidade e da fé." Notem que, segundo ele, é a ausência de ligação entre a política e a religião que leva ao fundamentalismo.

2. Li, em outra parte do mesmo jornal, que um antropólogo chamado Ordep Serra considera que os nomes estranhos que os brasileiros colocam nos filhos é resultado de uma imensa criatividade e veia poética. O próprio jornal cita exemplos dessa criatividade e poesia : Bucetildes, 1,2,3 de Oliveira 4, Ava Gina, e o do próprio antropólogo – Ordep é em homenagem a seu pai Pedro. Imaginem como será o Brasil se depender da criatividade e da poesia do seu povo. Deus nos livre dessa !


3. Numa novela, em conversa com o filho, um pai fazia apologia da masturbação. Depois, ainda na novela, nos informaram que as escolas vão começar a distribuir camisinhas aos alunos em alguns estados. Quando ouvi aquilo, logo perguntei aos presentes : “Vocês escutaram isso ? É sério ?” E me responderam calmamente : “Sim, é verdade”. A falta de espanto me perturbou mais do que a notícia.

O compreensivo

Em seu blog, César Miranda sugeriu que fizéssemos uma campanha para que o professor Nivaldo Cordeiro deixasse de ir ao cinema, em alusão às suas críticas ao filme Matrix Reloaded. Essa brincadeira merece um comentário. As lentes cristãs com que o professor vê o filme são compreensíveis. É difícil para qualquer um aceitar que não vale mais a pena ir ao cinema, que não fazem mais bons filmes, que os valores cristãos foram jogados na lata do lixo. A pessoa precisa se sentir, de alguma forma, integrada à sociedade. Então, muitos se apegam a esses fiapos de referência. Tenho certeza que, com o passar do tempo, o professor Nivaldo vai se aperceber disso.