A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, julho 30, 2003

A solução para o Brasil está na própria língua portuguesa, mais especificamente no uso correto do antônimo do imperativo silábico da palavra ideológica :

I - de - ô - ló - gi - ca : fi - cai - ô - ló - gi - ca

Use e abuse.

domingo, julho 27, 2003

Quer enlouquecer ? Leia a Folha

Numa só edição, a Folha de São Paulo conseguiu publicar uma matéria em que os entrevistados explicam que um dos responsáveis pelo desemprego é a globalização e outra matéria através da qual fica claro que a globalização pode evitar o desemprego.

Numa outra parte, podemos ler que, na nova universidade que está sendo construída pelo MST, os operários estão aprendendo que a globalização do capital é nociva, ao mesmo tempo em que somos informados de que a maior parte da verba para sua construção vem da União Européia.

É Pavlov na veia !

A história do homem estritamente científico

Naquela época, o homem não tinha consciência de que era através do sexo que ocorria a reprodução. Foi quando um dos representantes dessa espécie se feriu com uma lança. Uma parte da pele ferida ficou pendurada por um pequeno fiapo de tecido e ele a arrancou. Um raio traquino atingiu o material extirpado. Dias depois, ao voltar ao local, percebeu que ele havia crescido e passou a observá-lo. Estava ficando cada vez maior. E começou a tomar formas. Notou que estava se parecendo com ele. Mais um pouquinho e ... era ele quando criança ! Tratou de espalhar a notícia, explicando que havia descoberto como os homens se multiplicavam . Foi assim que nasceu o primeiro cientista. A ciência veio muito antes da filosofia ou qualquer forma de religião.

É claro que alguns estranharam aquele explicação, porque, segundo ela, os homens não nasciam da barriga da mulher, o que contrastava com a observação dos fatos. Mas este era apenas um detalhe. E a esta altura, com autoridade que passou a ter, ninguém se atrevia a contestar o cientista, que se tornou líder da comunidade. Logo também foi possível captar os raios e direcioná-los ao ponto desejado, proporcionando à humanidade uma velocidade de crescimento alucinante.

Os pais começaram a perceber que os filhos nascidos do tecido de pele ficavam muito mais parecidos com eles quando adultos que os filhos nascidos "de barriga", o que gerou a sensação de que podiam viver eternamente através da técnica descoberta. A partir daí, os filhos nascidos de "barriga" passaram a ser abandonados e mortos, por serem considerados um sinal de atraso. Mais adiante, aprenderam a provocar o aborto, que foi adotado como prática regular do mundo civilizado.

Cerca de 2500 anos depois, um desses cientistas esquisitos começou a observar que os raros nascimentos "de barriga" ( que ocorriam quando as técnicas de aborto não funcionavam ) estavam associados à realização do sexo. E mais : propôs que a humanidade poderia ser tanto melhor quanto maior fosse a diferença entre os filhos e os pais. Esse sujeito sozinho promoveu uma campanha anti-aborto, criou a filosofia e desenvolveu um esboço de religião. Quando tentou explicar quem era Deus, foi apedrejado em praça pública, porque até os anti-abortistas discordaram dele. Dentro de 500 anos, o último homem deu seu último suspiro e a espécie se extinguiu.

Foi quando alguém soprou no meu ouvido : Deus não permitiria que isso acontecesse. E eu respondi : mas seria algo parecido que teria acontecido se a ciência se desenvolvesse antes da filosofia e da religião.

Crítica 1 : Este é um típico conto de um autor fracassado e deprimido, que tenta se reerguer aproveitando a polêmica em torno da clonagem.

Crítica 2 : O conto revela muito sobre o autor, um típico fanático religioso tentando combater a ciência moderna.

sábado, julho 26, 2003

O Coração das Trevas de People n'Arts

Acabei de assistir no People n'Arts a um documentário sobre o livro de Joseph Conrad - O Coração das Trevas. Professores de diversas universidades européias analisaram a obra. É incrível como às vezes não conseguimos fugir da necessidade de autotortura. Porque é claro que foi esse o efeito que o programa teve em mim. Definiram o livro como "uma derrubada do mito do colonialismo". E todas as vezes em que Conrad contrariou essa versão, trataram de chamá-lo de preconceituoso e racista. Aplaudiram quando ele descreveu as maldades do homem branco, mas criticaram quando ele mostrou os selvagens como verdadeiros selvagens. Ou seja, mostraram o livro com eles gostariam que o livro tivesse sido, e não abdicaram do direito de intercalar cenas de um filme que retrata fielmente a obra com as de Apocalypse Now, que é apenas inspirado no livro, mas que trata da guerra no Vietnã. E fizeram questão de enfatizar que essa guerra não foi nada mais do que uma continuação do projeto colonialista das nações ricas, representadas dessa vez pelos EUA.

Determinados detalhes mostram muito bem como estes analistas interpretaram os fatos. Quando falaram da infância de Conrad, realçaram que seu pai era um aristocrata tradutor de Shakespeare, de boa linhagem intelectual. E enfatizaram que seu filho, ainda com 5 anos, escreveu uma carta em que assinava "Conrad, o nobre". Interpretaram esse reconhecimento da criança como uma consciência de que era um proprietário de terras. Meu Deus, será que para aquela criança seu pai representava apenas um proprietário de terras ? Será que não era o legado moral e intelectual do pai que o fazia se sentir um nobre ? Quanta baixeza !

O "horror" de Kurtz foi interpretado como um mero arrependimento pela forma cruel como tratou os selvagens. Nenhuma análise - sequer psicológica - mais profunda, nenhuma analogia com o mergulho do homem nas trevas do inconsciente, com a necessidade de autoconhecimento, nada .

Deturparam a obra de todas as formas possíveis. Analisando-a superficialmente, como os professores fizeram, o que posso dizer é o seguinte : Conrad não fez apologia do colonialismo, mas também não quis apenas denunciá-lo. Registrou a forma destrutiva como vinha acontecendo e mostrou a forma bárbara como vivia o povo africano. E simplesmente se utilizou desses fatos para fazer o leitor refletir. Uma parte característica do livro é quando é descrita a forma selvagem utilizada por Kurtz para dominar os próprios selvagens : pregando os crânios dos transgressores em estacas. É como se ele, na tentativa de dominá-los, tivesse sendo dominado por eles. Não vou interpretar o significado dessa passagem, porque estenderia demais esse post, mas é claro que há muito o que pensar a partir daí. Mas os tais professores nem passaram perto de chegar até aqui. Limitaram-se a uma visão marxista. E eu assisti até o fim !!!

quinta-feira, julho 24, 2003

Uday e Qusay não lideravam resistência, diz ex-ministro de Saddam

E com toda razão ! Os rapazes estavam apenas fazendo compras. Dizem até que um deles se encontrava com um revólver d'água na mão - presente para um sobrinho - no momento em que foi morto. Antes de dar o último suspiro, ainda pensou emocionado : " Ah se alguma TV pudesse registrar o momento em que fui atingido segurando essa arma de brinquedo ! Já vejo até as manchetes : ' Fuzil americano X Pistola d'Água iraquiana - a lei do mais forte ' " .
Bem, é o que dizem ...

quarta-feira, julho 23, 2003

Curtas

Uma única fazenda tem permissão para fornecer laranja ao mercado. Os preços não variam muito entre um vendedor e outro. Solução : permitir que outros fazendeiros também forneçam laranja ? Não, nada disso ! A solução é aumentar o número de vendedores. Muito inteligente, não ? É essa a solução apresentada pela assembléia de Salvador para fazer cair o preço do combustível : aumentar o número de postos. Cada lugar tem o liberalismo que merece !

Se eu vivesse no século XII e um grande filósofo me dissesse que não acredita em Deus, juro que me interessaria em saber a causa. E, dependendo das respostas, iria fundo na investigação. Em pleno século XXI, um filósofo que acredite em Deus não desperta o menor interesse. Mesmo os que o admiram, acham que sua fé é uma estupidez da infância.

Fiquei pensando na frase de Cristaldo : "a moral é um acordo entre os homens". E me veio a pergunta : em que época houve uma sociedade em que a moral foi um mero acordo entre os homens ? Depois ainda dizem que são os crentes que são tolos !

domingo, julho 20, 2003

Olavo X Cristaldo

A entrevista concedida por Janer Cristaldo a O Expressionista revela todo seu ateísmo. Falando de Deus, o gigantesco jornalista parece uma criança rebelde. É tão patente a sua visão parcial da vida que até parece que foi para responder à suas colocações que Olavo de Carvalho escreveu seu último artigo em O Globo. Quem quer que os leia, perceberá o quão é estreita a forma de Cristaldo enxergar o mundo diante do gigante dos gigantes dentre os pensadores brasileiros ainda vivos.


sábado, julho 19, 2003

Xantipa na Universidade

Nunca mantive contatos pessoais com filósofos, mas na última semana conheci logo três, todos em ocasiões diferentes. A primeira foi uma ex-professora de filosofia. Havia parado de lecionar há uns 10 anos. Com jeitinho e cérebro de dondoca, surpreendeu-se quando eu disse que gostava de filosofia. Mostrei um livro de Aristóteles que estava lendo e ela respondeu : " o professor de Platão, né ? " Retruquei : " A senhora quer dizer o aluno, não é mesmo ? " " Não, ele foi o professor , Sócrates que foi seu aluno. " Acabei descobrindo que ela só sabia a coluna social da filosofia. Por exemplo, que a mulher de Sócrates era Xantipa, que Aristófanes tirava sarro de Sócrates, que Platão havia sido preso, etc.

Depois conheci um aluno de filosofia cujo ídolo é Lair Ribeiro. Já está terminando o curso. É verdade que também aprecia metafísica, mas o que ele entende por isso é assustador. Exemplo : "guarde sua memória para as coisas, os momentos e as experiências agradáveis". O outro, na verdade, não conheci, mas me foi descrito por uma amiga médica que o atendeu em seu consultório : " A profissão do senhor ? " " Filósofo. Leciono. " Ela levantou a cabeça e o olhou, ele comentou : " Você sempre chama os pacientes de senhor e senhora ? " Ela confirmou. " Formalidades sociais ! " E minha amiga : " Acho que convém " Terminou declarando que era contra a organização social, contra a política de FHC, de Lula e que gostava mesmo era de Heloísa Helena. Esperta, a médica cortou o papo e quis saber da doença em questão.

Se dependesse de mim, a primeira seria professora universitária com honra. Que mal poderia fazer aos alunos aprender a coluna social do ambiente filosófico da Grécia ? Nenhum. As palestras se intitulariam : " O prato preferido de Demócrito " ou " Os chiliques de Xantipa ". Muito melhor do que : " As causas sócio-políticas da ênfase aristotélica na contemplação " ou " A Política em Espinosa ", que seriam próprios do ensino do terceiro citado. Um pouco de pseudo-metafísica também poderia afetar alguns cérebros, por isso também manteria o segundo longe dos pobres alunos.

quinta-feira, julho 17, 2003

Masturbem-se e sejam felizes !

Do sítio da UOL :

A prática freqüente da masturbação traz mais benefícios do que os rapazes pensavam: pode evitar o câncer na próstata, o mais comum dos tumores masculinos.

Os estudiosos especulam que infecções causadas pelo contato sexual podem favorecer o desenvolvimento de tumores. Por isso, as ejaculações resultantes de masturbação trazem apenas benefícios, enquanto as que são decorrentes do sexo podem estar associadas a essas infecções.

Se as conclusões de Giles forem confirmadas, no futuro, além de uma dieta saudável e uma rotina de exercícios físicos, os médicos vão indicar a masturbação para uma vida saudável.

Como esses cientistas são imbecis ! Eles acham que uma pessoa pode viver em função de não ter um câncer de próstata. Um sujeito está para morrer e lhe perguntam : "Você foi feliz ?" E ele responde : "Sim, porque não tive câncer de próstata." ( Tenho um amigo médico que gosta de dizer que se as pessoas fossem seguir os manuais de orientação para evitar hemorróidas, passariam a vida inteira apenas tentando evitar as hemorróidas, e não teriam tempo para fazer mais nada ! )

Daqui a 50 anos, publicam um novo estudo que diz que a masturbação evita câncer de próstata mas acelera 120 doenças degenerativas. E os cientistas dizem : "parem de se masturbar !" Mas aí o cara já está com 65 anos, passou a adolescência toda se masturbando, tornou-se um velho rabugento e não consegue se relacionar sexualmente com mulher nenhuma.

Se é para dar conselho, é melhor um eterno : Ame e faça sexo com quem você ama, pois assim será feliz.

quarta-feira, julho 16, 2003

Por que as pessoas sempre acham que devem fazer alguma coisa para ajudar ?

O cara tropeça, cai da escada e já aparece um sujeito perguntando : "Tudo bem com você ?". E o cara fica pensando : "Pô, ele me viu cair. Não deu risada porque é educado, mas depois vai contar aos amigos." E sai todo sem jeito. Se tivesse caído na gargalhada, talvez o cara começasse a rir também e saísse dali de alto astral. Ou então ficasse lá parado, sem fazer nada, e o incômodo seria ainda menor. Mas não ! Ele se sente obrigado a ajudar !

Todos acham que é fácil ajudar. Nunca pensam que se a ajuda não der certo, provavelmente estarão prejudicando o outro. É melhor não ajudar do que prejudicar, disso ninguém tem dúvida. Só esquecem que o prejuízo pode ser causado pela própria tentativa de ajudar.

O cara tem um negócio e está precisando de uma secretária. Um amigo fica sabendo e comenta : "Pô, não é possível, tenho uma prima que está precisando desse emprego ! Que bom, vou poder ajudar aos 2 ao mesmo tempo !" A prima é uma porcaria de secretária e o cara não pode despedi-la porque é prima do seu amigo. Ele só a despede quando já não agüenta mais, faz queixa na polícia e tudo, e acaba brigando com o amigo também. Com o currículo manchado, a prima nunca mais arranja emprego. Que bela ajuda !

Os leitores devem estar pensando : "Por que André escreveu tanta bobagem nesse post ?" É que no domínio político-econômico ocorre a mesma coisa. Se não houvesse milhares de teóricos e ideólogos tentando salvar o mundo, ele com certeza seria muito melhor. Pode-se calcular o tamanho do prejuízo causado pela tentativa de Karl Marx de ajudar o mundo ? E Lênin ? E Gramsci ? Não se pode !

Os teóricos do verdadeiro capitalismo nunca pensaram em ajudar o mundo. Ele apenas estavam ali, tentando compreender o que acontecia. E concluíram que o melhor a fazer para ajudar era não fazer nada para ajudar. O melhor era deixar que o capitalismo sofresse o mínimo de interferência humana consciente. É claro que agora que as tentativas de ajuda foram todas postas em prática, esses teóricos já têm que propor algo de ordem prática, mas não algo novo, criado por eles, não, de forma nenhuma. Querem apenas que retirem as ajudas. Nada de ajuda ! Deixem a economia fluir normalmente e todos sairão ganhando.

segunda-feira, julho 14, 2003

Curtas

Como a ciência pode ajudar a promover a inclusão social no Brasil ?
Respondi : parando de tentar promover a inclusão social.

Taxista, diretor de escola, está todo mundo entrando para o MST. Já vislumbro a cena, numa seleção para gerente de supermercado, daqui a uns 5 anos :
- Qual a sua ocupação atual, além de militante do MST, é claro ?
E na Universidade :
- Quem sabe como surgiu o MST ?
Aluno 1 : De uma revolta dos caixas de banco ?
Aluno 2 : De uma greve dos servidores públicos ?
Aluno 3 ( o mais inteligente ) : De uma facção do Comando Vermerlho ?

Finalmente, um editorial razoável a respeito da proibição do porte de armas : " no Brasil circulam 20 milhões de armas sem registro e 2 milhões de armas registradas. Com tamanha desproporção, manda o raciocínio lógico consignar, de imediato, a grande limitação de efeitos que medidas legais de proibição à venda de armas teriam em nosso país. " (...) " Se no Brasil as organizações criminosas chegam a apropriar-se de armas de uso exclusivo das Forças Armadas - ou de organizações militares estrangeiras -, imagine-se a potencialização de seu poder corruptivo no caso de ser banida a comercialização regular de armas no País. " (...) " O desarmamento obrigatório só valerá, é claro, para o cidadão/vítima comum, como se o apartador de briga segurasse apenas os braços de quem sofre a agressão - e não de quem a pratica. "

Sobre a inteligência

" Reconhecer-se dependente em face da realidade e do seu Princípio transcendente, confessar ao mesmo implicitamente o laço nupcial que une o ser do homem ao ser universal e à sua Causa, eis a condição essencial imposta ao exercício da inteligência; condição que, através dos mais diversos acontecimentos, sempre ela observou. Mas se no seu ato primeiro, ao invés de voltar-se para a realidade extra-mental, a inteligência se redobra sobre si mesma e aí deita um olhar noturno de comprazimento, por outras palavras, se essa faculdade (conforme a fórmula antiga) se recusa a ser medida pelas coisas para apresentar-se como sua medida, então, tendo repudiado a sua função própria e rejeitado a lei dessa função, o intelecto deixa de conhecer as coisas. Antes do século XVIII, via-se o conhecimento ligado ao poder intelectivo de comunicação, logo de consentimento, de aceitação e de docilidade para com o universo e sua Causa. Depois do século XVIII, o pacto original foi rompido: a inteligência assume o papel de uma soberana que governa, rege, domina e tiraniza a realidade. Do alto de sua transcendência, projeta leis exclusivas sobre o mundo, ordena-o de conformidade com os seus imperativos. A razão considera-se a força criadora que se desenvolve e progride na humanidade, que se desdobra através de todo o universo a fim de dar realidade a esse universo e de converter a humanidade numa "verdadeira" humanidade. A inteligência não mais recebe do real a sua lei, mas impõe suas normas à realidade. "

Clique aqui para ler na íntegra esse maravilhoso texto de Marcel de Corte.


sexta-feira, julho 11, 2003

Os motivos da volta à barbárie

Todo o conhecimento alcançado por Sócrates, Platão e Aristóteles foi orientado pela metafísica. O que significa dizer que, se não fosse pela metafísica, eles não se interessariam em adquirir conhecimento. Eles achariam que nem sequer valeria a pena obter conhecimento. Como toda a civilização ocidental é dependente desse conhecimento alcançado pelos 3 grandes filósofos, isso significa que toda a civilização ocidental é dependente do conhecimento metafísico. Que filósofos e cientistas achem possível hoje desprezar o motivo e a meta pela qual a filosofia e a ciência se originaram, é no mínimo estranho. E é claro isso gera um certo desconforto psicológico em quem não admite a existência da metafísica, ainda que seja um desconforto inconsciente.

Só um selvagem ou um sujeito que não vive sob o legado dessa filosofia poderia se sentir à vontade sem acreditar em Deus. Não estou dizendo que um selvagem não deve ou não pode acreditar em Deus, mas que ele não teria motivos para ter um desconforto psicológico por causa disso. Tenho certeza que todos os materialistas modernos têm um enorme remorso inconsciente por serem materialistas. E sei que isto é uma fonte de sofrimento para eles.

Baseando-me nestas considerações, lanço aqui uma outra tese polêmica : o caminho do barbarismo que o homem moderno vem tomando é parte de uma tentativa de se livrar desse remorso, ou seja, ele está tentando desfazer a sua dependência do legado greco-romano e judaico-cristão para poder ser materialista sem sentir remorso. Portanto, a tentativa de revalorizar a arte e a cultura selvagem, e até a de fornecer uma educação aos jovens em que esses elementos tenham tanta importância quanto à da arte e cultura ocidentais, infinitamente superiores, é parte de um movimento inconsciente de se livrar do remorso adquirido por ser materialista, ou seja, por ser um eterno ingrato com a civilização que possibilitou que ele adquirisse tamanho conhecimento do mundo.

Expliquemos melhor : o legado greco-romano é um fato; a metafísica intrínseca a esse legado é um outro fato. Então, o homem ocidental só tem 2 saídas : ou ele nega esse legado - e aí pode ser materialista sem sentir remorso - ou ele o aceita e tem que prosseguir avançando na metafísica e derivando todo seu conhecimento dela. Só que a metafísica exige que o homem se entregue à busca do conhecimento de corpo e alma, ou seja, exige que ele viva esse conhecimento - e não apenas tome nota dele - , o que é impensável para o homem moderno. Daí é possível concluir o grau de preguiça intelectual em que vive o ser humano hoje. Para não ter que se impor essa tarefa, ele prefere negar tudo que originou o seu conhecimento e voltar à barbárie. Não é algo impressionante ?

quinta-feira, julho 10, 2003

Não é hipocrisia nem utopia, o fato é que o mundo seria muito melhor se as pessoas namorassem assim

terça-feira, julho 08, 2003

E no mundo marxista ...

Não é o MST quem está invadindo terras. É a fome. Toda vez que se fala em reforma agrária tem um bandinho de maus produtores agrícolas que saem com essa de que tem clima de violência no campo. Esse filme nós já vimos em 1964 e em 1984.”

“O furto famélico não é crime. Se você estiver com fome e não tiver jeito de comer, pode saquear que não é crime.

Plínio de Arruda Sampaio ( no Estadão )

Raciocínio Superficial

Do Estadão :

O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire, criticou hoje, em Curitiba, a forma de atuação do Movimento dos Sem-Terra (MST). "Há um recrudescimento dentro do movimento desde que levantou a hipótese de que a reforma agrária era na lei ou na marra".

Para Freire, a tese da reforma agrária "na lei ou na marra" já era defendida pelas Ligas Camponesas na década de 60. Portanto, lembrou, suas críticas não são novas. "Velho comunista que sou, já dizia isso contra as Ligas Camponesas", afirmou. "E alguém já disse que isso é um filme antigo e, o que é pior, a gente morre no final."


O problema desses esquerdistas é que ficam limitados a apenas rever algumas posições anteriores. Se Roberto Freire tivesse um pouco de honestidade intelectual, tiraria muito mais conclusões do seu raciocínio do que somente essa que expôs.

Se Hulk fosse um filme brasileiro

O pai de Bruce Banner trabalharia para uma empresa produtora de alimentos transgênicos. O pai de sua namorada seria o dono da empresa. David Banner passaria a imagem de um cientista dedicado que, inclusive, nem gostava muito dessas experiências genéticas. Mas o empresário seduz o rapaz, prometendo-lhe uma boa quantia de dinheiro se conseguisse criar algo que lhe desse muito lucro. Passando por dificuldades financeiras, começa a trabalhar alucinadamente, picando-se sem querer e se autoinjetando um material modificado geneticamente. A experiência não dá certo e ele é despedido. Funda o MST.

Bruce nasce com a alteração genética do pai. Vai morar nos EUA ainda jovem e passa a trabalhar numa empresa de material radioativo. É contaminado devido à explosão de uma caixa que transportava num caminhão. Volta ao Brasil e conhece a garota que seria sua namorada. Passa a apresentar alguns problemas de saúde e toma conhecimento de sua alteração genética. Começa a odiar o pai da menina e o seu próprio pai, pois atribui à ganância financeira de ambos a sua doença. E odeia também os EUA, pois foi lá que ocorreu o passo final de sua transformação.

Infiltra-se no MST e descobre que seu pai está se vendendo para os ruralistas. Então mata-o e dá uma nova cara ao movimento, que começa a tomar um rumo político ( é importante frisar que a aparência de rapaz imensamente bem intencionado dá ao público a impressão de que tanto o assassinato do pai como o rumo político que ele deu ao MST estão corretíssimos ). Ele organiza as invasões e os proprietários de terra começam a se armar. Após a morte de vários invasores, Bruce se enfurece e se transforma em Hulk, matando os impiedosos fazendeiros. O presidente Lula elege Hulk o guardião dos fracos e oprimidos e nomeia-o Ministro da Reforma Agrária. A nação agora já tem seu herói.

E a namorada ? Bem, ela se forma em sociologia e, baseando-se no caso do seu namorado, elabora a tese de que o indivíduo nunca é responsável pelos seus atos, mas sim os empresários, que fazem o que querem com o destino dos trabalhadores.

domingo, julho 06, 2003

Uma tese polêmica

Nunca fiz um único comentário neste blog a respeito de Olavo de Carvalho. Pois bem, é chegada a hora.

É fato que os esquerdistas o atacam com argumentos no mínimo irracionais. Mas quero me referir aqui aos não-esquerdistas, que também o fazem, geralmente restringindo-se a determinado tema. É preciso frisar que não vejo nenhum problema em discordarem dele, é até algo saudável. O problema está na forma como o contestam.

( Tudo que está exposto abaixo refere-se a uma discussão intelectualmente honesta ).

Só existem 3 maneiras de acrescentar algo de positivo a uma discussão : 1) Apresentar um novo dado, desconhecido do outro debatedor, que tenha que ser levado em consideração na avaliação da questão, e que o faça rever a sua posição; 2) Demonstrar que o conhecimento que a pessoa adquiriu sobre o assunto é decorrente de um erro de interpretação, e onde está o erro; 3) Mostrar uma contradição no seu raciocínio.

Para se utilizar das 2 primeiras, é necessário ter tido acesso a, no mínimo, as mesmas informações do outro. Por exemplo, para que eu explique a dona Marilena Chauí que, em Aristóteles, um acidente não é um tipo de propriedade, e que isso decorreu de um erro de interpretação dela, é preciso que eu tenha lido Aristóteles, ou nunca poderei dizer isso a ela. Outro exemplo : um sujeito é contra a existência do horário de verão porque acha que os homens não devem mudar as horas estabelecidas por Deus. Se eu apresentar um novo dado, o de que não foi Deus quem estabeleceu as horas, ele terá que rever sua posição. É notório que apenas no terceiro item o sujeito pode acrescentar algo à discussão sem ter acesso ao número de informações que o outro possui, pois ele vai precisar demonstrar apenas que o raciocínio do outro é contraditório e, para isso, precisa tão somente ter às mãos a exposição desse raciocínio. É por isso que não é difícil refutar um filósofo moderno, pois sua filosofia é, quase sempre, autocontraditória.

Mas o que isso tudo tem a ver com Olavo de Carvalho ? É o seguinte : nunca vi ninguém demonstrar um raciocínio contraditório dele, portanto, só restam as 2 outras formas de refutá-lo, que exigem que o sujeito tenha um conhecimento do assunto tanto ou maior que o dele. Também não conheço ninguém no Brasil com tanto conhecimento quanto ele. Quem conhecer, por favor, avise-me, pois vou lê-lo freneticamente.

Então, partindo desse raciocínio, vou lançar aqui uma tese polêmica : a princípio, é impossível refutar Olavo de Carvalho no Brasil hoje. Isso não significa que ele seja o dono da verdade, mas apenas que os erros que ele cometer não serão descobertos, o que é uma pena, até para ele mesmo.

Que fique bem claro que eu não disse aqui que não se pode discordar dele, disse apenas que o tipo de discordância geralmente não acrescenta nada à discussão, pelos motivos já apresentados.

sábado, julho 05, 2003

O Espírito das Idades

( Mais uma vez peço desculpas aos leitores da Barbárie por postar esse texto aqui. )

A nossa era é tão marcada pelo culto à matéria que já houve uma “materialização” da concepção de espírito. O bem estar está relacionado simplesmente ao fato de não se sentir dor, ter o corpo relaxado e a mente tranqüila, mesmo que não tenha nada de importante dentro dela. O ideal é que esteja livre de problemas, mesmo que vazia de conteúdo. Para isso, realizam-se diversos procedimentos, desde massagem, passando pela psicoterapia, chegando até a Yoga e outras técnicas “Zen”. A conduta é sempre a mesma : desconsidera-se ou elimina-se o conteúdo espiritual (das que o possuem, evidentemente) dessas terapias e passa-se a associá-lo à sensação de atonia muscular e vazio mental. Quanto mais oco e relaxado, mais o sujeito se sente bem.

Há uma estrita relação entre essa concepção espiritual e a de “espírito jovem”. Todos querem ser jovens, não apenas de corpo, mas também de espírito. Mas o que seria um “espírito jovem” ? Para analisar melhor essa questão, precisaremos compreender o “espírito” de cada idade humana.

A infância é marcada por uma visão confusa da realidade. É a fase de aprendizado, em que somos obrigados a nos orientar por alguém, quase sempre por nossos pais. A juventude é a idade em que percebemos que podemos fazer muito por nós mesmos e, principalmente, não somos verdadeiramente obrigados a seguir o conselho nem as ordens de ninguém. Isso nos dá medo e prazer ao mesmo tempo. Se o limite imposto pelos nossos pais nos cerceava a liberdade, também nos facilitava o acesso ao mundo. Agora, já livres da pressão paterna, o que nos limita é a própria realidade. Não quero me referir aqui apenas ao aspecto opressivo da sociedade sobre o indivíduo, pois já foi analisado em “O Homem e as Sociedades”, mas principalmente à pressão do real metafísico. É nessa idade que vivemos o dilema de sermos totalmente livres e perdermos nosso vínculo com a orientação paterna ou de nos mantermos vinculados a ela e perdermos parte de nossa liberdade.

O homem só pode ser considerado adulto quando já equacionou esse problema, o que é muito difícil de ocorrer hoje em dia. Há 2 soluções erradas para essa questão, que são as normalmente buscadas pelos jovens. A primeira é a de se manter eternamente ligado aos pais, evitando enfrentar a realidade e adquirir responsabilidade perante ela. Para se ter uma idéia do quanto isso tem ocorrido, basta-se procurar nas estatísticas a quantidade de pessoas acima dos 25 anos que continuam morando com os pais. A segunda é a de querer a liberdade total e desconsiderar o limite imposto pela realidade. O melhor exemplo disso é o chamado “rebelde sem causa”, cuja revolta é contra o próprio mundo em si, simplesmente porque não é exatamente como ele gostaria. Para tentarem se convencer de que dominam o real e que ele pode se curvar aos seus caprichos, vestem-se de forma esquisita, deixam o cabelo espetado, sujam a cara, etc., chegando ao ponto de queimarem vivo um índio. O mais comum é que as 2 soluções sejam buscadas ao mesmo tempo, recebendo dos pais a proteção econômica e a segurança pessoal e a liberdade de não se submeterem às suas regras por já serem bem grandinhos.

Na verdade, para se tornar adulto, o homem precisa saber se submeter à pressão da realidade e usar da liberdade que possui para crescer espiritualmente. Assim, ele compreende as coisas como realmente são e pode tentar resolver seus problemas de maneira mais harmônica, principalmente se souber se responsabilizar pelos seus atos. Portanto, enquanto a juventude é a idade em que o ser humano briga coma realidade, a adulta é aquela em que ele consegue compreendê-la.

A velhice é a idade em que o homem supera a realidade, não porque a desconsidere ou deixe de viver nela, mas porque apreende o significado mais profundo dela, transcendendo-a e ultrapassando seus limites.

São poucos os homens que alcançam o espírito da velhice, a maioria conserva o espírito jovem, sequer chegando a se tornar adulto. E não é estranho que se gabem disso ou o tenham por meta.

quinta-feira, julho 03, 2003

Virtude ? Para que ?

Qual o principal objetivo do Estado hoje ? Fácil : eliminar a virtude pessoal.

Se o sujeito é pobre, não deve arcar com sua pobreza, nem receber os méritos de viver uma vida digna, apesar das carências materiais. Deve se revoltar contra ela, se armar se possível, pois o Estado compreenderá sua revolta e o apoiará.

Se for rico, deverá sentir vergonha de todo o esforço que fez para adquirir seus bens e evitar empregá-los de forma que dê oportunidade a outros de fazer o mesmo. Não deverá aprender a dar valor a sua riqueza nem se fazer digno dela, adquirindo um conhecimento que o permita evoluir espiritualmente. Não, nada disso ! Deverá, isso sim, fazer conchavos com o Estado para que este o proteja e permita que sua riqueza seja mantida sem esforço nem virtude.

Dicas de um professor

Era responsável pelo bumbum da orquestra. Sentia-se orgulhoso do seu trabalho. Tinha que se manter atento aos movimentos dos violinistas, pois não podia errar. Participava pouco, mas quando participava, a música estava sempre no auge. Ah, como gostava daquilo !

Foi quando ficou amigo de um professor universitário.

- Por que só lhe pagam um quinto da remuneração dos violinistas ?
- Ora, porque meu trabalho é mais simples, e exige menos conhecimento.
- Será ? Não foi você mesmo quem me disse que não pode errar ? Que o bumbum é fundamental no auge da música ?
- Sim, mas ...
- Mas nada ! Você tem o direito de receber o mesmo que eles. Afinal, não vivemos num país democrático e igualitário ?

Dois meses depois o professor o encontra num concerto de sua orquestra, mas desta vez na platéia.

- Não acredito que o despediram.
- Pois é, não aceitaram meus argumentos ( com a mão no queixo e o olho vidrado na apresentação )
- Isso não é justo ! Temos que fazer alguma coisa.
- Eu já fiz.
- Isso mesmo, vamos entrar na justiça e alegar preconceito contra a arte de tocar bumbum. Ou talvez promover uma passeata, enviar mensagens pela internet ... Mas me diga, o que você já fez ?
- Estou aprendendo a tocar violino.

Comunismo Escancarado

Lula escancarou : mostrou, de uma vez por todas, o que está preparando para o Brasil.

O boné da insensatez

" Antes que se completassem 24 horas, o mesmo boné que aparecia na cabeça de um homem preso na zona da mata de Pernambuco por saquear um caminhão de cargas apareceu na cabeça do presidente da República.

Se essa coincidência não representar identidade entre os que usam o mesmo boné, a lógica dos símbolos, que tanto facilita a compreensão do mundo, precisa ser imediatamente revista.

Mas, se valem as fotos nas primeiras páginas dos jornais de ontem e anteontem, o presidente da República e o MST assumem a causa comum, ou seja, estão embarcados na mesma nau insensata que inquieta a nação. O presidente da República, no mínimo, contemporizou com os saques e desordens assumidamente realizados pelo MST, por pessoas usando o boné comum. Ou há outra forma de interpretar a foto do presidente Lula com o boné do MST?

De todas as temeridades -e bote temeridade nisso- que o presidente Lula está cometendo, dia após dia, com seus discursos estapafúrdios, que já ultrapassaram o anedotário, nenhuma pode ser considerada mais grave que essa foto com o boné do MST. "

JORGE BORNHAUSEN, Folha de São Paulo


A CPI de Aleluia

O deputado José Carlos Aleluia, do PFL da Bahia, quer derrubar Lula por meio de uma CPI, devido à sua ligação com o MST. Talvez ele não saiba que a CPI principal já aconteceu : as eleições foram a CPI - Lula foi absolvido da ligação com o tráfico de drogas. Se isto não foi considerado crime, o que mais haverá de ser ?


terça-feira, julho 01, 2003

Mídia a Mais de arma branca

Fiz o que pude para não assinar o Mídia a Mais, mas partiram para a violência. Puseram a faca no meu pescoço e gritaram : "E agora, com a resenha do filme O silêncio dos Inocentes escrita por Olavo, você assina ou não assina ? Hein, hein ?" Está bem, podem guardar a faca, eu assino.

Será que ele não percebe ?

É engraçado ler o Jabor criticando ele mesmo.