A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, julho 27, 2003

A história do homem estritamente científico

Naquela época, o homem não tinha consciência de que era através do sexo que ocorria a reprodução. Foi quando um dos representantes dessa espécie se feriu com uma lança. Uma parte da pele ferida ficou pendurada por um pequeno fiapo de tecido e ele a arrancou. Um raio traquino atingiu o material extirpado. Dias depois, ao voltar ao local, percebeu que ele havia crescido e passou a observá-lo. Estava ficando cada vez maior. E começou a tomar formas. Notou que estava se parecendo com ele. Mais um pouquinho e ... era ele quando criança ! Tratou de espalhar a notícia, explicando que havia descoberto como os homens se multiplicavam . Foi assim que nasceu o primeiro cientista. A ciência veio muito antes da filosofia ou qualquer forma de religião.

É claro que alguns estranharam aquele explicação, porque, segundo ela, os homens não nasciam da barriga da mulher, o que contrastava com a observação dos fatos. Mas este era apenas um detalhe. E a esta altura, com autoridade que passou a ter, ninguém se atrevia a contestar o cientista, que se tornou líder da comunidade. Logo também foi possível captar os raios e direcioná-los ao ponto desejado, proporcionando à humanidade uma velocidade de crescimento alucinante.

Os pais começaram a perceber que os filhos nascidos do tecido de pele ficavam muito mais parecidos com eles quando adultos que os filhos nascidos "de barriga", o que gerou a sensação de que podiam viver eternamente através da técnica descoberta. A partir daí, os filhos nascidos de "barriga" passaram a ser abandonados e mortos, por serem considerados um sinal de atraso. Mais adiante, aprenderam a provocar o aborto, que foi adotado como prática regular do mundo civilizado.

Cerca de 2500 anos depois, um desses cientistas esquisitos começou a observar que os raros nascimentos "de barriga" ( que ocorriam quando as técnicas de aborto não funcionavam ) estavam associados à realização do sexo. E mais : propôs que a humanidade poderia ser tanto melhor quanto maior fosse a diferença entre os filhos e os pais. Esse sujeito sozinho promoveu uma campanha anti-aborto, criou a filosofia e desenvolveu um esboço de religião. Quando tentou explicar quem era Deus, foi apedrejado em praça pública, porque até os anti-abortistas discordaram dele. Dentro de 500 anos, o último homem deu seu último suspiro e a espécie se extinguiu.

Foi quando alguém soprou no meu ouvido : Deus não permitiria que isso acontecesse. E eu respondi : mas seria algo parecido que teria acontecido se a ciência se desenvolvesse antes da filosofia e da religião.

Crítica 1 : Este é um típico conto de um autor fracassado e deprimido, que tenta se reerguer aproveitando a polêmica em torno da clonagem.

Crítica 2 : O conto revela muito sobre o autor, um típico fanático religioso tentando combater a ciência moderna.