A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, julho 08, 2003

Se Hulk fosse um filme brasileiro

O pai de Bruce Banner trabalharia para uma empresa produtora de alimentos transgênicos. O pai de sua namorada seria o dono da empresa. David Banner passaria a imagem de um cientista dedicado que, inclusive, nem gostava muito dessas experiências genéticas. Mas o empresário seduz o rapaz, prometendo-lhe uma boa quantia de dinheiro se conseguisse criar algo que lhe desse muito lucro. Passando por dificuldades financeiras, começa a trabalhar alucinadamente, picando-se sem querer e se autoinjetando um material modificado geneticamente. A experiência não dá certo e ele é despedido. Funda o MST.

Bruce nasce com a alteração genética do pai. Vai morar nos EUA ainda jovem e passa a trabalhar numa empresa de material radioativo. É contaminado devido à explosão de uma caixa que transportava num caminhão. Volta ao Brasil e conhece a garota que seria sua namorada. Passa a apresentar alguns problemas de saúde e toma conhecimento de sua alteração genética. Começa a odiar o pai da menina e o seu próprio pai, pois atribui à ganância financeira de ambos a sua doença. E odeia também os EUA, pois foi lá que ocorreu o passo final de sua transformação.

Infiltra-se no MST e descobre que seu pai está se vendendo para os ruralistas. Então mata-o e dá uma nova cara ao movimento, que começa a tomar um rumo político ( é importante frisar que a aparência de rapaz imensamente bem intencionado dá ao público a impressão de que tanto o assassinato do pai como o rumo político que ele deu ao MST estão corretíssimos ). Ele organiza as invasões e os proprietários de terra começam a se armar. Após a morte de vários invasores, Bruce se enfurece e se transforma em Hulk, matando os impiedosos fazendeiros. O presidente Lula elege Hulk o guardião dos fracos e oprimidos e nomeia-o Ministro da Reforma Agrária. A nação agora já tem seu herói.

E a namorada ? Bem, ela se forma em sociologia e, baseando-se no caso do seu namorado, elabora a tese de que o indivíduo nunca é responsável pelos seus atos, mas sim os empresários, que fazem o que querem com o destino dos trabalhadores.