A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, agosto 31, 2003

As fases de um esquerdista

É importante que se diga, antes da descrição, que a maioria não passa da fase 2, infelizmente.

Fase 1 : o esquerdista tem certeza absoluta de que o mundo poderia ser perfeito e que só não é porque existem pessoas muito malvadas que passam a noite em claro planejando como impedir que os sonhos deles se concretizem. Nesta fase, eles não conseguem compor uma frase racional, apenas emitem palavras que expressam o ódio que sentem pelos que não partilham de suas crenças. Por exemplo : fascista ! nazista ! analfabeto ! racista ! Nenhuma dessas palavras significam o que todos entendem por elas, querem dizer apenas "eu tenho ódio de você" ou então "eu vou te matar".

Fase 2 : o esquerdista começa a perceber que não é tão fácil tornar o mundo perfeito e passa a ceder um pouco à realidade, adaptando-se, de alguma forma, a algumas coisas que antes considerava inaceitáveis. Nesta fase, eles já emitem frases racionais, mas que só fazem sentido dentro da sua própria lógica, que, a depender do lugar onde viva, pode até já estar se tornando a lógica de todos. Fascista, por exemplo, é uma pessoa que defende a iniciativa privada; analfabeto é quem não leu a Cartilha do Partido; racista é quem acha que os negros podem crescer na vida sem ajuda do Estado.

Fase 3 : o esquedista percebe várias contradições entre suas idéias e os fatos reais. Cria-se um enorme conflito em sua consciência. Essa fase é transitória. Daí em diante, ou ele volta à fase 2 ou passa à fase 4.

Fase 4 : é a fase 1 do ex-esquerdista. O sujeito fica assombrado com a realidade e, muitas vezes, preferiria passar um ano na lua a ter que ouvir as barbaridades que são publicadas em jornais e revistas e comunicadas pelos jornais televisivos.

Fase 5 : é a fase do ex-esquerdista amadurecido. Ele começa a entender como as coisas estão evoluindo. Pode achar melhor denunciá-las ou apenas calar-se e dedicar-se a algum estudo mais prazeroso.

Comida politicamente saudável

O que faz um político, principalmente se for um petista, quando deseja conhecer a fundo uma questão ? Consulta as bases. Pois bem : raciocinando assim, a comida baiana é politicamente saudável, pois se consultarmos as bases de um caruru, de um vatapá ou de um acarajé, não passam de quiabo, pão e feijão respectivamente, que não fazem mal a ninguém. Deve ser por isso que ACM tem tanta saúde política.

Lula e o povo assumiram : ele é de direita

Pronto ! Agora já está estabelecido : Lula é um governo de direita ! E ele mesmo já diz que nunca gostou de ser rotulado de esquerdista. Como a direita é identificada, segundo a pesquisa da Datafolha, com mudanças graduais e estabilidade, a quem restará o povo recorrer quando achar novamente que o país necessita de mudanças radicais ? Resumindo : a quem o povo recorrerá depois que o país afundar nas mãos do governo Lula, coisa que não demorará a acontecer ? Aos radicais do PT, é claro, pois são eles os únicos de esquerda agora, juntamente com o pessoal do PSTU e o resto dessa corja toda. E depois disso, é lógico, eu já não poderei mais estar escrevendo aqui para descrever o que vai estar acontecendo.

sexta-feira, agosto 29, 2003

Caridade Estatizada

Estava parado num semáforo quando adolescentes de uma determinada escola invadiram a rua e começaram a pedir alguma contribuição para ajudar uma instituição. Lá também estavam alguns garotos de rua, que limpavam vidros e pediam uns trocados. Vi uma senhora em minha frente, cujo vidro do carro foi limpo por um dos garotos, negar-lhe o dinheiro e contribuir com a campanha da escola. E aí pensei : só mesmo num país onde a intermediação da caridade se tornou praticamente uma lei, só mesmo num país onde o Estado é tido como responsável por tudo de bom que possa acontecer à nação, uma senhora pode preferir fazer uma doação indireta a dar diretamente a quem precisa.

A moral moderna

Como bem descreveu Paul Johnson em seu livro Os Intelectuais, foram estes que substituíram os padres e profetas na legislação moral na era moderna. E o "progresso" se deu mais ou menos assim, com enormes intecessões na ordem cronológica :
1) A lei do faça o que eu digo mas não faça o que eu faço
2) A lei que torna virtude tudo aquilo que antes era considerado pecado
3) A lei de que tudo é permitido contanto que lhe dê prazer

Depois de proclamarem a "morte de Deus", esses intelectuais conseguiram diminuir enormemente a auto-exigência moral do ser humano, e é claro que é impossível que admitam qualquer argumento em favor de Sua existência, mas, mesmo assim, acredito que o próprio avanço científico um dia chegará a um ponto em que isso se tornará bastante evidente. É quando surgirá a quarta lei, que derivará do seguinte pensamento : sim, Deus existe, mas não é como os religiosos imaginavam. E aí eu já não sei se não seria melhor que continuassem achando que Ele não existe mesmo.

Para um bom entendedor, o tempo e a memória são provas mais do que suficientes de que a eternidade existe.

quinta-feira, agosto 28, 2003

O Mal Planejado

Este editorial do Estadão contém o seguinte trecho : O problema, infelizmente para o País, é mais complicado. Consiste em que, numa escala provavelmente sem precedentes no Brasil contemporâneo, a administração federal foi transformada numa extensão, ou melhor, em um instrumento dos arranjos políticos do PT. Com as conhecidas exceções na área econômica, não há espaço disponível na máquina que não tenha sido apropriado - ou, como se diz, "aparelhado" - pelo partido do presidente, ficando as sobras para as siglas da coalizão que o elegeu.

É, no mínimo, intrigante que um jornal apresente um editorial assim como se fosse uma novidade, como se não fosse mera conseqüência da ideologia petista. O chocante é perceber que eles não acreditavam que isso fosse ocorrer, e que, provavelmente por isso mesmo, deram a sua contribuição - e continuam dando - para o sucesso do partido de Lula. Até mesmo um jornalista do nível de Janer Cristaldo parece não acreditar que essas coisas são previsíveis, e que tudo decorre apenas da fome de poder do Partido dos Trabalhadores. Enquanto nossos melhores intelectuais continuarem achando que o Mal é um acaso e que nada está sendo devidamente planejado, não há como combater esse Mal. O pior é que o único que vem denunciando toda esta estratégia é considerado um louco. Estamos perdidos !!!


O Homem e as Sociedades parte III

Nesta terceira e última parte, o foco será direcionado unicamente para o terceiro tipo de sociedade, que apresenta a maioria das características da que vivemos atualmente.

Ela se formou a partir da necessidade humana de juntar forças para lutar contra a natureza. Entretanto, acabou tomando um rumo em que seus objetivos se tornaram totalmente incompatíveis com o dos indivíduos que a compõem. Se a natureza no sentido físico foi considerado o primeiro obstáculo à realização humana, agora é a própria sociedade que passa a representar uma segunda natureza, na qual ele vive e da qual não pode se libertar. Então, o homem precisa encontrar formas de se realizar em meio à contradição de sua própria condição de ser social.

Uma das maneiras de conseguir isso é tornar o objetivo da sociedade igual ao seu. E não há como alcançá-lo sem os meios políticos. Foi com a pretensão de atingir essa meta que surgiram todas as ideologias totalitárias. Um outro jeito de resolver o problema é simplesmente negar a sociedade e tentar viver fora dela. Daqui derivam as idéias anarquistas. Mas a única resposta sóbria vem daqueles que procuram se realizar dentro da tensão da sociedade, nem pretendendo aboli-la nem adequá-la aos seus sonhos, mas apenas de dar sua contribuição para melhorá-la, mesmo que ela não a aceite num primeiro momento.

As revoluções são uma grande prova de como funciona esse mecanismo. Quase todas têm uma causa nobre, mas sempre terminam com o fortalecimento do poder central e com o aumento da coação sobre os indivíduos. E não é difícil entender a razão : as pessoas que as elaboram não levam em conta a contradição entre indivíduo e sociedade e pensam que é possível realizar o sonho de criar uma sociedade em que o objetivo de cada uma coincida com o dela, o que é de antemão impossível, pois cada um tem seu plano e o da sociedade é um só. Então, na esperança de resolver esse enigma, muitos passam a identificar a sociedade com o indivíduo e vice versa, diluindo sua personalidade no todo social ou tornando-a um ser concreto, com pensamentos próprios, como um grande monstro amorfo. É apavorante perceber que há mais de 2 séculos esse tem sido o grande objetivo do homem, mesmo depois de todos os problemas gerados pelas tentativas frustradas de realizá-lo.

A única maneira de tentar diminuir a contradição intrínseca ao binômio indivíduo - sociedade é tornar o objetivo transcendente, mesmo que cada um utilize um modo particular de se alçar a essa meta. Uma sociedade assim formada, mesmo com todas as particularidades de seus membros, teria parte de seu fim coincidente com o dos indivíduos. Digo apenas parte porque não é possível ter somente esse objetivo, pois as pessoas precisam realizar suas atividades ordinárias para sobreviver, a não ser que consideremos possível de existir o primeiro tipo, em que até essas tarefas tinham um caráter transcendente.

Entretanto, nunca com tanto empenho quanto hoje, o homem tentou de todas as formas possíveis e imagináveis eliminar um dos pólos da tensão em que vive, e o foco está, mais do que nunca, direcionado para a eliminação do indivíduo. Esquecido de Deus, não é para menos que o ser humano viva atualmente entre a tirania do Estado e a tirania do Mercado, por isso finalizo com este trecho de O Jardim das Aflições, de Olavo de Carvalho :

"Embora uma economia de mercado seja claramente menos opressiva para os cidadãos do que uma economia socialista, a liberdade para o mercado não garante automaticamente liberdade para as consciências. Na medida em que der por implícita e automática uma conexão que, ao contrário, só pode ser criada por um esforço consciente, o neoliberalismo se omitirá de cumprir o papel que se propõe, de abrir o caminho para uma sociedade mais livre por meio da economia livre : se uma opção econômica se torna o critério predominante se não único a determinar os rumos da vida coletiva, o resultado fatal é que os meios se tornam fins. E o mercado tem um potencial escravizador tão grande e perigoso quanto o do Estado.

O que há de mais irônico no confronto socialismo - neoliberalismo é que hoje em dia os derrotados socialistas, inconformados com a frustração de seus planos na nova ordem, acabam descarregando todos os seus velhos ímpetos estatizantes no apoio descabido às intromissões do Estado neoliberal na vida privada, e assim se tornam aliados dos seus antigos desafetos num esforço comum para levar o neoliberalismo no caminho do pior. Não tendo conseguido socializar a economia, consolam-se buscando socializar tudo o mais - inclusive a moral privada e a intimidade das consciências. E os neoliberais, por julgarem que é mais vital preservar a liberdade de mercado do que qualquer outra, e por desejo talvez de apaziguar o ressentimento dos derrotados, vão cedendo, cedendo, até que o novo Estado acabe por construir, sobre o arcabouço da economia capitalista, uma espécie de administração socialista da alma - o socialismo da vida interior."

quarta-feira, agosto 27, 2003

Primeiro post sobre outros blogs

O Gustavo está mesmo encerrando seu blog. Desta vez é pra valer. Apesar da intempestividade, Nogy mostrou que tem talento, e muito. Torço pra que ele volte em breve com carga total.

O blog do Cláudio Avólio sempre foi bom, mas está cada vez melhor. O último post - 27/08/2003 - geraria uma confusão dos diabos se houvesse espaço para comentários. Concordo inteiramente com o Cláudio. E aconselho aos que discordarem dele que leiam "Filosofia Política" de Eric Weil. Se o Cláudio não se importar, posso receber comentários sobre este post aqui.

Amanhã postarei a parte 3 do ensaio.

O Homem e as Sociedades parte 2

A classificação que expus, como disse, é apenas didática, portanto jamais houve uma sociedade com características exclusivas de uma das 3 que descrevi. Mas todas se constituíram numa mescla de todas elas, com predominância de uma ou de outra. No entanto, há uma tendência cronológica em direção ao terceiro tipo, principalmente no Ocidente.

A primeira traz o perfil da sociedade tradicional (referente a Tradição, do ponto de vista religioso), na qual a luta contra a natureza não era tida como tal, ou seja, não era vista assim, pois o homem era considerado como parte dela. Mas não da natureza como matéria, objeto de transformação, e sim como manifestação divina. O ato humano de transformá-la para que pudesse sobreviver já era em si uma simbologia e tinha para ele um significado transcendente. Assim, o interesse da sociedade coincidia com o dos indivíduos. Esse é um tipo ideal que, talvez, nunca tenha existido.

Mas, não importando quais as razões, o fato é que a necessidade de aprimoramento dessa luta em busca de uma maior eficácia de resultados levou o homem a se desvincular dessa concepção e passar a considerar a natureza como um objeto a ser transformado em seu benefício. Dessa forma, o objetivo principal desse novo tipo de sociedade passou a ser o de conseguir libertar o máximo possível o indivíduo da obrigação de trabalhar para que ele tivesse cada vez mais tempo livre para fazer o que quisesse. Como a Tradição ainda não havia sido completamente perdida, durante grande parte desse tempo o homem se dirigiu a Deus. A "diversão" ainda não tinha um caráter totalmente profano. É importante frisar que, neste tipo, o interesse da própria sociedade, ou seja, do ponto de vista dela mesma e não dos indivíduos, era o de produzir esse tempo livre, por isso seu objetivo ainda coincidia com o de parte de seus membros. É claro que, para almejar a produção desse ócio, ela tinha que se preocupar também em tornar mais eficazes os meios de luta contra a natureza.

O fato é que, com o passar do tempo, toda o interesse da sociedade passou a estar vinculado tão somente ao aprimoramento dessa técnica, mas sem se preocupar com o que fariam os indivíduos em suas horas de folga, excetuando-se, claro, quando eles as utilizassem para romper os limites da ordem dessa sociedade. Assim, o interesse social passou a se opor totalmente ao dos indivíduos. Nenhum ser humano, atualmente, excetuando-se os casos patológicos, consegue enxergar o seu trabalho como sendo o sentido de sua vida. Ele trabalha para poder sobreviver e , aí sim, encontrar algo que possa dar sentido a ela. Mesmo que ele ache seu trabalho prazeroso, por encará-lo de forma profana, não consegue ver nele nada de último, ou seja, que tenha um fim em si mesmo (este fim em si mesmo só teria sentido se fosse transcendente). Ele é sempre um meio e nunca um fim. No entanto, para a sociedade, o fim é mesmo o trabalho. Ela não tem outro interesse. Então, todos os seus membros entram em choque com ela. O homem está, mais do que nunca, sozinho e sem orientação, e é obrigado a encontrar o sentido de sua vida por si mesmo.

Assim, cria-se uma contradição, dentro da qual o ser humano é obrigado a sobreviver : ele precisa da sociedade, pois não consegue ficar vivo fora dela, mas não pode se realizar individualmente se se orientar por ela. E mais, devido ao fato desta sociedade ter perdido quase completamente o contato com a Tradição, a dificuldade que ele tem para se realizar é imensa.

E é essa busca desorientada e frenética do homem no sentido de sua auto-realização que faz com que muitos deles não consigam distinguir seus próprios objetivos dos da sociedade, por não identificá-los como contraditórios, e tentem transformá-la para se adequar aos seus próprios ideais. Mas este já é um assunto para a parte III deste pequeno e humilde ensaio.




terça-feira, agosto 26, 2003


Estou publicando este pequeno ensaio, inspirado nas idéias de Eric Weil, Mircea Eliade e Mário Ferreira dos Santos. Gostaria que aqueles que tiverem o trabalho de ler fizessem comentários, mesmo que seja para dizer que acharam um absurdo.

O Homem e as Sociedades parte 1

As sociedades se formaram a partir da luta do homem contra a natureza. Elas se diferenciam uma da outra pela forma como seus membros encaram essa luta.

Vou classificá-las em 3 tipos para fins didáticos :

1)As que a vêem como algo sagrado.
Aqui a luta tem um sentido transcendente, sem um fim em si mesma. Nestas, o sentido da vida humana é dado pela própria forma de interpretar o mundo, ou seja, como manifestação divina. Os pólos que parecem se repelir no sentido horizontal encontram na intersecção com a vertical o ponto de unificação em direção a Deus, o único que pode dar um verdadeiro sentido à nossa existência. A individualidade tem, assim, fácil acesso ao universal, pois este já é identificado em cada ser (seja o homem, uma árvore ou uma pedra) em sua condição simbólica.

2)As que a vêem como um castigo.
Aqui a luta é relegada a uma parte da sociedade : os escravos. Ela perde seu caráter sagrado e, por isso, os que são responsáveis por ela perdem a dignidade humana. São tidos como animais. Há uma valorização dos intelectuais que utilizam seu tempo livre de forma sagrada, ou seja, investigando os mistérios do mundo, que ainda é visto, pelo menos em parte, como manifestação divina. Para se elevar a Deus, portanto, é preciso estar livre da necessidade de lutar com a natureza. Isso não quer dizer, entretanto, que os que precisam lutar (ou seja, realizar trabalhos manuais) não podem ter tal pretensão, mas apenas que o trabalho não lhe dá tal condição por ele mesmo. A individualidade já tem certa dificuldade de alcançar o universal, pois os meios para tal se restringe ao intelectual. Muitos, então, usam o seu tempo livre para simples diversão.

3)As que tentam encontrar nela um sentido em si mesma
É quando o sentido da vida passa a ser o trabalho, mas este já não carrega simbologia nenhuma, ou seja, perde todo seu caráter sagrado. Aqui o trabalho manual é igualado ao intelectual, pelo menos no que se refere à maneira como ambos são encarados do ponto de vista da luta contra a natureza. Apesar do intelectual ser geralmente mais valorizado economicamente, ambos se igualam no fato de terem um fim neles mesmos. Aqui a individualidade tem enormes dificuldades de atingir o universal, pois ela não tem referências, a não ser os resíduos das sociedades tradicionais que continuam impregnando parte da sua.
Neste tipo, o trabalho é visto como a única coisa importante (como algo sagrado, mas dessacralizado), e o tempo livre perde toda a importância, pois é algo a se considerar apenas do ponto de vista individual. Mesmo quando considera a indústria da diversão, a sociedade só a encara como um trabalho, não interessando de forma nenhuma como diversão em si. Se aqui o trabalho é considerado sagrado por analogia ao verdadeiro sagrado, a diversão é profana no sentido absoluto do termo. É por isso que o homem moderno, que vive neste tipo de sociedade, não consegue encontrar sentido na vida nem quando trabalha nem quando se diverte, pois só há vazio em todo canto.

Aqui se encontram as raízes tanto da atomização do ser humano quanto do coletivismo. Sem poder enxergar um sentido em nada, o homem dá importância a tudo, principalmente ao novo, pois é sempre preciso encontrar um elemento diferencial, e não havendo, inventa-se. Surge, assim, o relativismo cultural, moral, intelectual, etc. Já o coletivismo é derivado do desejo, impossível de ser refreado, de alcançar o universal. Quase que impossibilitado de realizá-lo na individualidade devido à perda das tradições, o ser humano procura alcançá-lo materialmente, tentando encontrar na massificação a realização do seu sonho, esquecendo-se que, para isso, terá que se abster da própria consciência, o que significa que, mesmo que ele se realize, não poderá vivenciá-lo como imagina, pois já terá perdido sua individualidade.

Admito que este é um texto pretensioso diante dos conhecimentos que tenho sobre o assunto, mas críticas serão bem-vindas. Publicarei as continuações amanhã e quinta-feira.

segunda-feira, agosto 25, 2003

Lançamentos

A Toyota lançará carro que estaciona sozinho. Já a Ciência Brasileira S. A. prometeu para 2050 o primeiro modelo de indivíduo brasileiro que pensa sozinho. Muitos estão achando o tempo escasso para tamanha evolução.

domingo, agosto 24, 2003

Sugestão

Quem ainda não leu A Caixa Preta de Darwin, aconselho dar uma espiadela aqui para tomar coragem. Michael Behe é interessantíssimo. Vale muito a pena !

A trajetória de um esquerdista

A primeira coisa que um sujeito de esquerda faz quando começa a criar juízo e admitir que muitas das posições que defende são absurdas é tentar conciliar suas novas bandeiras com o pensamento de esquerda. Ele admite que está errado em diversos pontos, mas não percebe que aqueles pontos só faziam sentido antes porque eram justificados pela forma de pensar esquerdista. É chegada a hora da decisão. Se ele tiver um pouco de honestidade intelectual, à medida que a quantidade de erros percebidos for se acumulando, vai ficando cada vez mais claro que o problema é muito mais profundo do que ele imaginava. Esse é um momento trágico na vida dessa pessoa, porque o esquerdismo não é apenas uma postura política, mas uma maneira de viver. Ele se vê na iminência de ter que mudar toda a sua concepção de vida. Da sua coragem depende o seu renascimento. E essa coragem tem tudo a ver com o grau de honestidade intelectual. Se ela não for suficiente, esse cara vai passar sua vida inteira tentando arranjar desculpas para tudo que não se coaduna com a sua forma de pensar e tentando convencer outras pessoas de que suas intenções são sempre boas porque , afinal, ele é um esquerdista, e a esquerda só quer o bem de todos.

Honestidade intelectual : é só isso que falta ao mundo.

sexta-feira, agosto 22, 2003

A Coerência da Imperfeição

Os ateus gostam de dizer que se Deus existisse, e fosse bom e perfeito, não haveria maldade nem imperfeição no mundo, pois isso iria contra sua bondade e perfeição. Aceitemos momentaneamente este argumento.

O fato é que Deus é único justamente porque nele se concentram todas as qualidades em grau máximo. Seria contraditória a existência de 2 ou mais deuses com qualidades em grau máximo. Até aqui suponho que esteja tudo bem fácil de entender.

Pois bem, ao criar algo, a única coisa que Deus não pode criar é ele mesmo, não que ele não possa fazer isso ( no sentido de ter forças para tal ), mas porque seria contraditória a existência de 2 verdadeiros deuses. O limite para a ação de Deus é a contradição. Deus não faz nada contraditório. E é claro que esse "limite" é apenas uma maneira de falar, porque na verdade não é limite nenhum. Considerando essas colocações, é claro que se Deus criasse um mundo bom e perfeito como ele, não seria um mundo, seria outro deus, e isso é impossível.

Por isso, a lógica nos mostra justamente o oposto do que argumentam os ateus. A imperfeição e a maldade do mundo não são causadas por Deus, mas são permitidas por ele para que o mundo possa existir. Sem maldade e imperfeição, o mundo não poderia ter existência. E Deus é tão bom que permite que o mundo exista. E é na mutiplicidade de seus elementos que ele reflete a perfeição de seu criador.

quinta-feira, agosto 21, 2003

Preta, Preta, Pretinha ... e Burrinha

Preta Gil achou que as pessoas fossem entender o simbolismo de sua nudez : "eu quis me despir de todos os preconceitos, de todas as armadilhas que fiz para mim mesma." Mas, segundo O Globo, também quis usá-la como instrumento de contestação : "Fiz isso porque não me identifico com ninguém que vejo na "Boa forma", sou preta, gordinha e baixinha. Acho essa polêmica nojenta porque ela mexe com moralismo." Quanto a seu pai Gilberto Gil não ter aprovado a foto : "Ele não gosta porque é pai. Fico feliz, que bom que meu pai me protege. Ele é normal como qualquer outro pai. É careta."

Ela acha a polêmica nojenta e resolve promover a polêmica, acha que a foto não pode lhe fazer nenhum mal mas prefere que o pai a proteja desse ato. Bem sensata, essa filhinha de Gil, não ? Filha de peixe ...


quarta-feira, agosto 20, 2003

Uma moda entre os não-esquerdistas

Virou moda. Alguns escrevem com maior e outros com menor propriedade, mas todos acham que Olavo de Carvalho está perdendo seu precioso tempo escrevendo contra a esquerda em jornais e revistas, enquanto poderia utilizá-lo para fins mais nobres. Discordo completamente. Pensam assim os que não acreditam nos homens. Ele acredita.

E mais : esses mesmos que o criticam não são capazes de perceber que só conseguem ter a consciência exata do que está se passando no mundo hoje graças às contribuições de Olavo em jornais e revistas. Nenhum de seus livros, nem os já existentes nem os que possam ser lançados poderão fazer esse papel. É destrinchando os complexos aspectos do fatos que vão acontecendo numa unidade lógica que Olavo mais nos é útil. E ele mesmo já não se importa que não percebam isto. Um dia saberão valorizar seu esforço, assim como souberam elogiar seus livros.

Talvez um dia alguém comece a contar quantos esquerdistas já abandonaram essa perspectiva de vida graças à leitura semanal ou mesmo mensal de artigos de Olavo. Muitos começaram xingando-o intimamente ou mesmo publicamente e terminaram recomendando-o a amigos e colegas. Acredito piamente nisso, e acho que ele também.

terça-feira, agosto 19, 2003

Indignado

Estive num Congresso Científico. Foi isso que me impediu de manter este blog atualizado durante os últimos dias. Resolvi relatar um dos fatos que ocorreram neste congresso por 2 motivos : 1) Porque muitos acham que sou um beato, que vivo defendendo a religião e criticando a ciência, quando na verdade apenas defendo a verdadeira religião e a verdadeira ciência; 2) Porque muitos acham que sou um apaixonado pelo liberalismo e que acredito que esse sistema pode solucionar os problemas do mundo, o que é falso.

O fato é o seguinte : após muita pesquisa, um determinado ramo da ciência encontrou evidências mais do que suficientes de que um determinado produto é benéfico para uma parte da população. O problema é que, por mais que essas provas fossem divulgadas, as pessoas disseram que não utilizavam o produto pelo motivo apresentado pela pesquisa científica, mas por outro, de ordem pessoal, o que limitou as vendas do produto. Como se tratava de um Congresso Científico, não ficaria bem que a empresa responsável pela marca comunicasse aos profissionais responsáveis por recomendar o produto que deveriam passar a recomendá-lo por outras razões, razões estas não científicas, é claro. Para resolver o impasse, o que fizeram ? Chamaram um cientista, que demonstrou categoricamente que, apesar dos avanços científicos, o problema que o produto estava destinado a resolver não estava sendo resolvido porque as pessoas não estavam utilizando-o. Então convidou um psicólogo, que apresentou uma teoria que misturava Marx, Freud e Marketing Comercial. Foi exposto um vídeo em que as crenças da Idade Média fizeram a platéia gargalhar, a opressão dos ricos sobre os pobres fez todos se emocionarem, e o eterno sofrimento em que vive a raça negra fez uns olharem para os outros meio de viés. Ninguém entendeu muito bem no que daria aquilo tudo. Foi quando um marqueteiro subiu no palco e anunciou que, dali em diante, vender um produto vinculado aos seus comprovados efeitos científicos como se fosse um brinco ou um sapato também passaria a ser ciência. E a coisa foi feita de uma forma tão paulatina e séria que todos aceitaram com facilidade a idéia.

É por isso que digo que não concordo com a ditadura do Estado mas também não concordo com a ditadura do Mercado. Para vender seu produto, esta indústria foi capaz de induzir um cientista a criar uma teoria maluca, utilizando conceitos do socialismo, que pudesse fazer uma lavagem cerebral em outros cientistas, com o objetivo de fazer com que acreditassem que ainda estariam fazendo ciência se seguissem sua orientação. O cinismo e a hipocrisia atingiram níveis jamais imaginados dentro dessa teoria. Utilizar um conceito marxista para amolecer o coração da platéia e convencê-la a concordar com propostas puramente mercadológicas e ainda apresentá-las como ciência é demais ! Simplesmente não acreditei no que vi, principalmente quando passei a observar a naturalidade com que todos conversavam após ouvirem aqueles absurdos. Fiquei pasmo !

quinta-feira, agosto 14, 2003

A Vaidade contra a Verdade

Nossa vaidade congênita, especialmente suscetível em tudo o que diz respeito à capacidade intelectual, não quer aceitar que aquilo que num primeiro momento sustentávamos como verdadeiro se mostre falso, e verdadeiro aquilo que o adversário sustentava. Portanto, cada um deveria se preocupar apenas em formular juízos verdadeiros. Para isto, deveria pensar primeiro e falar depois. Mas, na maioria das pessoas, à vaidade inata associa-se a verborragia e uma inata deslealdade. O interesse pela verdade cede por completo o passo ao interesse da vaidade.
Arthur Schopenhauer

Na maior parte dos casos, um homem tanto mais gesticula e dramatiza em defesa de suas opiniões quanto menos está seguro delas por dentro, por não as haver examinado bem. Por isso mesmo, é bom lembrar ao leitor, com insistência, que a capacidade de argumentar, por necessária que seja nas circunstâncias práticas da vida intelectual, é habilidade menor e derivada em relação ao perceber e ao intuir; que mesmo a prova, no sentido da demonstração apodíctica, é apenas serva e discípula da verdade intuída; que mais vale saber sem poder provar do que produzir um milhão de provas daquilo que, no fundo, não se intui de maneira alguma.
Olavo de Carvalho

quarta-feira, agosto 13, 2003

A Ilusão Ideológica

Kenneth Minogue, em "Política, Uma Brevíssima Introdução" da Editora Jorge Zahar :

Os comunistas e outros ideólogos que atuam nos Estados democráticos liberais têm que apresentar suas crenças como se fossem apenas opções políticas a apoiar com razões gerais e defensáveis, pois o puro dogmatismo ideológico parece absurdo, exceto na conversa entre camaradas de fé. Por outro lado, o entusiasmo pode contaminar qualquer doutrina política com a crença de que somente os seus princípios podem salvar o mundo do mal. Os libertários que acreditam que os problemas políticos são causados apenas por governos que interferem nas relações contratuais dos indivíduos estão passando de uma lógica retórica para a ideológica. "Democracia", às vezes, é o lema daqueles que acham que todos os problemas políticos poderiam ser resolvidos se nós virássemos uma verdadeira democracia. Pode-se dizer que a ilusão essencial da ideologia é que seja possível uma estrutura social cuja consecução permitiria a agentes racionais criar um mundo feliz.

terça-feira, agosto 12, 2003

Os ateus também amam a Deus

Todo ato de conhecimento é um ato de amor. E, em última instância, esse amor é um amor a Deus. Só pode conhecer quem ama. A segunda condição para o conhecimento é a humildade. Só pode conhecer quem é humilde, ainda que depois não mostre humildade diante do que conheceu. É por isso que mesmo os ateus quando conhecem, só conhecem por que têm amor a Deus e são humildes, ainda que em grau inferior ao de um cristão, por exemplo. O amor a Deus é imperativo. Quem não ama a Deus nunca conheceu nada, e não há homem sem um mínimo de conhecimento.

sexta-feira, agosto 08, 2003

O interesse cristão pelo mundo

De Julian Marias em A Perspectiva Cristã :

Tem-se a imagem do cristianismo como uma separação do mundo, uma orientação exclusiva para o outro, um desinteresse pelo presente. Nada mais falso. Veja-se o posto que na história tiveram os povos cristãos. Independentemente do estado da fé, da vivacidade da crença, os povos condicionados pelo cristianismo foram os mais interessados por este mundo, por seus conhecimento, exploração, transformação, orientação para o que acreditaram ser valioso e desejável.

quinta-feira, agosto 07, 2003

Que maldade !

"Briga de audiência é fogo, só porque o Silvio Santos falou que iria morrer,
o Roberto Marinho morre primeiro".

quarta-feira, agosto 06, 2003

Escancararam de vez ! Só não vê quem não quer

Da Folha : "Não precisaremos fazer nada. Nós enfrentaremos eles [os proprietários] a tapa. Tiraremos eles das fazendas sem que haja necessidade de grandes explicações", afirmou João Paulo Rodrigues, membro da coordenação nacional do MST. E completou : "O mais próximo do MST no governo é Luiz Inácio Lula da Silva". E soltou mais esta : "Temos de organizar os pobres no campo para o presidente Lula fazer as mudanças necessárias". Para Rodrigues, esse esforço de mobilização se faz necessário uma vez que, segundo ele, essa gestão "ainda não é do PT", mas uma coalizão feita para ganhar as eleições e obter apoio no Congresso.

Sou eu que sou neurótico ou este senhor disse com todas as letras que tem certeza absoluta que o Presidente da República vai implantar o socialismo sem nenhuma necessidade de usar a força para tal ? Sou eu que sou maluco ou ele fez questão de enfatizar que esse processo já começou ? Sou eu que estou exagerando ou ele parece concordar com a estratégia de obter o apoio do Congresso e dos empresários para depois pôr em prática as idéias socialistas tão sonhadas pelo PT ?

Não, eu não estou sonhando. Quem está sonhando é O Estadão, que nos apresenta um editorial ridículo, em que, apesar de criticar a postura do MST, dá potencial legitimidade ao movimento, apesar de todas as evidências em contrário, inclusive esta declaração de José Dirceu, na qual consegue equiparar as invasões do MST à greve dos prefeitos. Para quem passou a vida inteira promovendo as 2 coisas, deve parecer tudo igual mesmo.

terça-feira, agosto 05, 2003

Ironias

Sou a favor da fusão do movimento dos sem-teto com o dos sem-terra. Se fosse o Governo, cederia às reivindicações dos 2 ao mesmo tempo, colocando terra sob seus pés e teto sobre suas cabeças, apenas acrescentaria grades entre um e outro para garantir a felicidade de todos.

Não é no mínimo curioso que o Brasil ganhe 3 medalhas no Tiro justamente quando o país está prestes a abolir o porte de armas ?


segunda-feira, agosto 04, 2003

Um pouco mais de Chesterton

Do livro São Francisco e Santo Tomás de Aquino (uma dica de Fabio Ulanin) :

Aristóteles descrevera o homem magnânimo, que é grande e sabe que é grande. Porém, Aristóteles nunca teria recuperado sua própria grandeza não fosse o milagre que criou o homem mais magnânimo, aquele que é grande e sabe que é pequeno.

O homem que não está pronto para discutir é aquele que está pronto para desdenhar.

Um homem pode ser um cético fundamental, mas não pode ser mais nada, certamente nem mesmo um defensor do ceticismo fundamental.

A maioria dos céticos fundamentais aparentemente sobrevive por não ser coerentemente cética e por não ser nem um pouco fundamental.

O homem pragmático se propõe ser prático, mas o que é prático para ele mostra ser inteiramente teórico. O tomismo começa sendo teórico, mas sua teoria revela-se inteiramente prática.

Tomás reconhece com muita razão que a matéria é o elemento mais misterioso, indefinido e desprovido de características distintivas , assim como reconhece que o que dá a cada coisa sua identidade é a forma. A matéria é, digamos assim, não tanto a coisa sólida quanto a coisa líquida ou gasosa que existe no cosmos; e nesse aspecto a maioria dos cientistas modernos começa a concordar com ele.

Tem havido uma disposição bastante desproporcionada, na ciência popular, para transformar o estudo dos seres humanos no estudo de selvagens. E a selvageria não é história : é o começo ou o fim da história.

"Existe um existente". Essa é a credulidade de monge que Santo Tomás nos pede para ter no começo. Bem poucos descrentes começam nos pedindo para crer em tão pouco.

A maioria dos pensadores, ao perceber a aparente mutabilidade do ser, esqueceram o que eles mesmos haviam percebidos antes, o próprio ser, e acreditam somente na mutabilidade. Esses pensadores nem mesmo podem dizer que uma coisa se transforma em outra; para eles, não um instante no processo em que uma coisa seja uma coisa. A coisa é somente uma mudança. Seria mais lógico chamar a coisa de nada se transformando em nada do que dizer que houve ou haverá um momento em que cada coisa foi ou será ela mesma. Santo Tomás sustenta que a coisa comum é a qualquer momento algo existente, mas não é tudo o que pode ser. (...) O defeito que vemos naquilo que existe é simplesmente o fato daquilo não ser tudo o que existe. Deus é mais real do que o homem, e até mais real do que a matéria; porque Deus, com todos os Seus Poderes, é a todo instante imortalidade em ação.

Há em toda parte uma potencialidade que ainda não alcançou seu fim em ato. Mas se essa potencialidade é definida, e se essa potencialidade só pode ter como fim um ato definido, então existe um grande ser no qual todas as potencialidades já existem como um plano de ação. Ou seja, é até impossível dizer que a mudança é para melhor, a não ser que exista um melhor, tanto antes como depois da mudança. Do contrário, ela será de fato mera mudança, como querem todos os tipos de céticos e os mais sombrios pessimistas. Suponha que 2 caminhos inteiramente novos se abram diante do progresso da evolução criativa. Como o evolucionista saberá que além é melhor, a não ser que aceite, a partir do passado e do presente, algum padrão do melhor ?

Essa estranheza das coisas, que é a luz em toda poesia, e na verdade em toda arte, na realidade está vinculada com sua alteridade, ou com aquilo que é chamado sua objetividade. O que é subjetivo tem que ser inerte, e é exatamente o que é objetivo que é, dessa maneira imaginativa, estranho. (...) No subjetivista, a pressão do mundo obriga a imaginação a se voltar para dentro. No tomista, a energia da mente obriga a imaginação a se voltar para fora, mas porque as imagens que busca são coisas reais. Todo o seu aspecto romântico e encantador reside , digamos assim, no fato de elas serem coisas reais; coisas que não vamos encontrar olhando para o interior, para a mente. A flor é uma visão porque não é só uma visão. Ou, se se preferir, é uma visão porque não é um sonho. É isso que constitui para o poeta a estranheza das pedras, das árvores e das coisas sólidas : elas são estranhas porque são sólidas.


domingo, agosto 03, 2003

Casamento Gay

Já que o Gustavo Nogy e o Garcia Rothbard tocaram no assunto em seus últimos posts, quero chamar a atenção para a pesquisa do Jornal O Globo sobre o casamento gay. Dei uma lida rápida nas 50 primeiras respostas e parece que o resultado vai surpreender muita gente. Se considerarmos que o nome de Bush, que 99% dos brasileiros odeiam, está envolvido, esse resultado parece ser mais surpreendente ainda. Tomara que a tendência se confirme. E no Jornal do Brasil, a mesma pesquisa já mostra um resultado parcial de 52% contra o casamento gay.

Pelo que parece, a maioria do brasileiros deve ter ficado chocada com o tal beijaço protagonizado por gays num shopping de são Paulo.

Abordei o assunto em um texto divido em 3 partes na página A Barbárie dos Tempos Modernos (está num dos arquivos de textos). Os problemas com o servidor já foram resolvidos e a página voltará à normalidade a partir desta segunda-feira dia 04/08/2003.

A Democracia de D. Marilena Chauí

Essa entrevista da Sra. Marilena Chauí prova definitivamente que Lula está seguindo direitinho o plano dos ideólogos petistas, e que essa história de radicais X moderados só contribui ainda mais para fortalecer a estratégia.

Folha - A sra. acha que não cabe falar em desordem social no país?

Chaui - O que existe é democracia em pleno funcionamento. É uma coisa espantosa e certamente deixa as pessoas desorientadas porque é uma experiência inédita no país. Mas é a mais profunda experiência de democracia que esse país já teve.


Folha - O modo como o MST ou os sem-teto têm apresentado suas reivindicações é legítimo?

Chaui - Mas eles sempre fizeram assim. Em outras ocasiões, vimos a resposta militarizada por parte do governo ou a resposta pela violência armada por parte da oligarquia rural. Dessa vez, o novo é o fato de que a resposta às reivindicações é: "São justas, não são caso de polícia".


Folha - E do lado dos ruralistas que se armam? É caso de polícia?

Chaui - Aí é caso de polícia. Sabemos que eles dispõem de recursos extraconstitucionais que eles sempre usaram. Foi sempre apanágio e direito por parte dos ruralistas usar a violência como a forma de ação no campo.

sábado, agosto 02, 2003

O erro de Schopenhauer

"A intuição não é de ordem puramente sensível, mas intelectual; pode-se dizer, em outras palavras, que ela consiste no conhecimento da causa pelo efeito." Ao dizer isso, Schopenhauer acertou em cheio. O conhecimento, como bem disse Olavo de Carvalho, é eminentemente intuitivo. Não existe conhecimento discursivo. É engraçado como nunca precisei pensar muito para acreditar nisso. Minha concordância foi, por assim dizer, intuitiva. O erro de Schopenhauer é achar que a causa é a própria matéria. Se admitisse que a causa é Deus, teria construído uma filosofia e não um emaranhado de contradições.

Quanto mais conhecemos os efeitos, mais conhecemos a Causa. Isso quer dizer que quanto mais entendemos a nós mesmos e o mundo, mais nos aproximamos de Deus. Mas para isso temos que ter a humildade de reconhecer que nem nós nem o mundo somos causa de nada. Quanto mais nos vemos como efeito, mais nos aproximamos da Causa, e quanto mais nos vemos como causa, mais nos afastamos Dela. Por isso que a humildade é fundamental para o conhecimento, pois é ela que permite que os efeitos sejam cada vez mais conhecidos, o que possibilita que nos aproximemos cada vez mais da Causa. Sem humildade, nos afastamos cada vez mais dos efeitos, ou seja, de nós mesmos e do mundo, pois procuramos por algo que não existe, ou seja, pelo efeito como causa.

Quanto mais admitimos o quanto somos pequenos, mais nos tornamos grandes, porque nossa grandeza é grande para o mundo, e nossa pequenez é para Deus.

Eu não sei por que o Heitor de Paola insiste em criticar o Islã. Nada contra a crítica em si, mas contra a crítica não fundamentada. Sempre que faz isso, toma uma bordoada, mas parece que não sente nada.

sexta-feira, agosto 01, 2003

Do livro São Francisco de Assis e Santo Tomás de Aquino, de G. K. Chesterton (uma dica de Fabio Ulanin) :

A afirmação de que "Deus olhou todas as coisas e viu que eram boas" contém uma sutileza que o pessimismo popular não consegue perceber ou é muito apressado para fazê-lo. Trata-se da tese de que não há coisas ruins, mas apenas usos ruins das coisas. Se se preferir, não há coisas ruins, mas somente maus pensamentos; e especialmente más intenções. Só os calvinistas podem mesmo acreditar que o inferno está cheio de boas intenções. É justamente de boas intenções que o inferno não pode estar cheio. Mas é possível ter más intenções com relação a coisas boas; e as coisas boas, como o mundo e a carne, foram distorcidas por uma má intenção chamada demônio. Mas o demônio não pode tornar as coisas ruins; as coisas permanecem como no primeiro dia da criação. Só a obra do céu foi material, a criação de um mundo material. A obra do inferno é inteiramente espiritual.