A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, setembro 13, 2003

Neurose Coletivista Parte 1

Segundo Viktor Frankl, psiquiatra e neurologista austíraco, fundador da logoterapia, são 4 as causas da neurose coletiva que toma conta do mundo moderno :

1) Atitude de provisoriedade diante da existência
2) Atitude fatalista diante da vida
3) Forma de pensar coletivista
4) Fanatismo

Para resumir o que ele quer dizer com cada uma dessas coisas, deixo aqui seu próprio relato : " Enquanto o sujeito que assume uma atitude de provisoriedade diz que não é necessário agir nem tomar as rédeas do seu próprio destino, o fatalista diz a si mesmo : isso é totalmente impossível. [...] Enquanto o que assume a atitude coletivista ignora sua própria personalidade, o fanático ignora a personalidade do outro, daquele que pensa diferentemente. "

Talvez na época em que publicou sua obra, o rumo dos acontecimentos ainda não mostrassem com tanta clareza o que estaria já acontecendo ou por acontecer : o coletivismo absorveu todas as outras características citadas, de forma que podemos hoje, sem maiores dificuldades, imputar a esse fenômeno, a grande neurose coletiva que assola a humanidade.

É verdade que as outras 3 causas ainda existem independentemente, e é preciso ressaltar esse fato, pois às vezes encontramos quem combata o coletivismo, mas resvale nos outros erros. Esse é inclusive o maior problema dos que defendem a democracia como solução de todos os males.

Quando publicou seu artigo, Frankl atribuiu ao ocidente os 2 primeiros e ao oriente os 2 últimos. A verdade é que, hoje, o oriente já adquiriu do ocidente tanto a atitude de provisoriedade quanto fatalista diante da vida à medida que tornou a economia o patamar maior da existência humana, e o ocidente está dominado pela forma de pensar coletivista e fanática, bastando para isso examinar a obra de seus principais intelectuais. Não há mais faixa divisória, a neurose coletiva é mundial e as 4 características estão presentes em toda parte. No entanto, como já disse, é preciso enfatizar que é através da politização de todos os aspectos da existência, empunhada como bandeira coletivista pelos intelectuais contemporânesos, que todos esses males se difundem e cada vez mais se entranham nos cérebros e na alma das pessoas.

Não basta, entretanto, combater o coletivismo, é necessário saber como fazê-lo, pois, como demonstrou Olavo de Carvalho no seu artigo do dia 24 de abril no Jornal da Tarde, muitos que se opunham a ele, acabaram por contribuir para aumentar sua força e dar-lhe mais legitimidade.

É preciso que nos concentremos na origem do problema, que é apontada pelo próprio Viktor Frankl : " As quatro causas da neurose coletiva podem ser reduzidas à fuga da responsabilidade e ao medo da liberdade, que constituem a espiritualidade do homem. O ser humano está enfadado do espírito, e nesse enfado se encontra a essência do niilismo contemporâneo. "

E é exatamente sobre essa questão que trataremos na segunda parte desse modesto ensaio.