A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, setembro 15, 2003

Neurose Coletivista parte II

A fuga da responsabilidade e o medo da liberdade são processos intrínsecos a todos aqueles que não conseguem enxergar um sentido na vida. Por isso, é esse o objetivo da psicoterapia empregada por Viktor Frankl : ajudar as pessoas a encontrarem o sentido concreto de suas existências.

O coletivismo, como não poderia deixar de ser, contém as 2 características citadas. Esse movimento estimula os homens a se absterem da responsabilidade pessoal e a não se incomodarem com a falta de liberdade, tudo em nome de um mundo melhor, quer dizer, de um mundo perfeito, como é característico dos neuróticos.

Vamos ouvir, mais uma vez, o psiquiatra austríaco : " O neurótico obsessivo é possuído por um impulso fáustico, por uma vontade de perfeição cabal, pela luta por um conhecimento cem por cento seguro e por uma decisão cem por cento correta. " Mas ao perceber que " a perfeição não é inerente ao homem ", " limita-se a algo pseudo-absoluto. O bom aluno só quer ter as mãos completamente limpas, a dona de casa zelosa só quer ter a casa toda asseada, e o trabalhador intelectual só quer ver a perfeita ordem do seu gabinete. "

Quem não entrevê nessas linhas um neurótico coletivista ? Ele vive lutando por um mundo melhor, mas nunca se conforma com os progressos feitos nessa direção. Então o que ele faz ? Transfere a questão para o campo puramente material e cria em sua mente uma maneira de transformá-lo para ficar exatamente da forma que gostaria. Não importa, a partir daí, que, para alcançar esse objetivo, seja preciso eliminar vidas e destruir tudo que há de nobre no ser humano. Se for presiso submetê-lo ao controle total do Estado, ceifando a raiz de sua liberdade, e transformá-lo em simples animal domesticado, ele não renunciará a empreitada por nada disso. Mas não se julga responsável pelas conseqüências negativas dessas suas idéias.

É a responsabilidade que limita a liberdade e esta é o fundamento daquela. Só pode ser responsável quem é livre e, para que se possa ser civilizadamente livre, é preciso ser responsável. Encontrando causas sociais e políticas para eximir os seres humanos da responsabilidade de seus atos, o coletivista cria a justificativa perfeita para extirpar a liberdade, porque um ser irresponsável não pode ser livre, precisa do controle de uma entidade superior, como o Estado. Cria-se, então, o ciclo vicioso, no qual a crença coletiva na incapacidade humana de ser responsável impossibilita a existência da liberdade, e, na ausência desta, perde-se o fundamento da responsabilidade.

Se o coletivista conseguisse encontrar um sentido concreto para sua existência, um objetivo próprio, individual, onde houvesse a consideração de valores morais e espirituais, e que não supusesse s necessidade de transformação do mundo inteiro para alcançá-lo, facilmente acharia um caminho para superar sua neurose. O grande problema é que as pessoas vivem em sociedade, e a neurose coletiva tem o agravante do reforço mútuo que cada coletivista, consciente ou não de sê-lo, dá um ao outro.

Atualmente, a coisa já atingiu um nível tal que mais parecem neuróticos aqueles que pregam a liberdade e a responsabilidade, de tão diferentes e esquisitos que ficaram estes aos olhos da maioria.

E quem não percebe também, na frase acima : " O neurótico obsessivo é possuído pela luta por um conhecimento cem por cento seguro ", uma característica emblemática da ciência moderna que, não conseguindo dar conta de todos os dados da existência, limitam-nos a uns meros ítens quantitativos e saem divulgando que estão perto de descobrir os segredos do universo e da vida ?

Como dizem, cada louco com sua mania.