A Barbárie dos Tempos Modernos

quinta-feira, setembro 18, 2003

Para que serve a Universidade ?

Na Idade Média, época em que surgiu, a Universidade era o centro do saber. Para ela se dirigiam aqueles que queriam adquirir sabedoria, palavra que não tinha nenhuma relação com conhecimento técnico ou prático. A fama de ser o centro do saber é, talvez, o único resquício da instituição em nosso tempo. Todo o resto se perdeu. Mas nada é imutável, dirão alguns, e a dinâmica do nosso mundo exige adaptações freqüentes. É verdade, admito, mas o problema é que as mudanças transformaram a Universidade em algo monstruoso.

Se o fim não é mais teórico, mas prático, então os alunos deveriam sair dela capazes de exercer suas atividades profissionais normalmente. Não é o que ocorre. Ao terminar um curso universitário, nenhum estudante está apto para entrar diretamente no mercado de trabalho. Isso é tão verdadeiro que para alguns cursos, por exemplo, já há pós graduações que são praticamente obrigatórias, onde será feito o treinamento para que a pessoa se adeqüe à realidade do cargo que exercerá.

Mas se por um lado o aprendizado técnico é deplorável, o teórico não perde por pouco. O que ocorre é que o aluno nem adquire um conhecimento teórico que o torne mais sábio nem aprende a técnica que necessita para praticar em seu futuro emprego. Entre uma coisa e outra, o que se faz na Universidade é política. Essa instituição tornou-se um antro de revoltados, que não fazem a mínima idéia daquilo que estão defendendo.

O pior é que, como a fama de formar "sabidos" ainda persiste, os inúteis que de lá saem emitem opinião sobre tudo, e estas são levadas em máxima consideração. E muitos chegam a assumir altos cargos públicos, às vezes até a própria Presidência da República.

Outro dia assisti às aulas de alguns professores universitários candidatos à vaga de titular em suas disciplinas. Um deles deu uma aula quase poética, de grande beleza estética e profundo saber. Ali reconheci se não um professor, mas pelo menos um bom aluno das Universidades da Idade Média. Não precisa nem dizer que não foi o escolhido pela comissão julgadora. Escolheram um pesquisador, um daqueles sujeitos que não têm nenhum contato com os alunos e passa o dia todo enfurnado numa sala para reproduzir dados estatísticos que já são conhecidos de inúmeros outros trabalhos. Não produzem nada de original, apenas copiam o que se faz lá fora e adaptam às condições do nosso país.

Aliás, esse é um outro problema das atuais Universidades. Só valorizam o professor pesquisador. Não interessa se ele sabe ensinar ou não, o que importa é que faça pesquisa. Ora, o que tem a ver uma coisa com a outra ? Que ele esteja na Universidade, tudo bem, mas a função dele não é ensinar, a não ser que ele saiba fazer isso tão bem quanto pesquisar. No caso em questão, o que deu a melhor aula foi justamente o primeiro a ser preterido porque não expôs nenhum dado estatístico próprio, enquanto todos os outros o fizeram. O problema é que a vaga era para professor e não para pesquisador.

Para que serve então uma instituição que não é fonte de saber, não dá uma preparação técnica adequada, cujos professores são apenas pesquisadores e cujas pesquisas se repetem infinitamente e muito pouco acrescentam umas às outras ?

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