A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, setembro 20, 2003

A Vontade, O Entendimento e O Amor

"A vontade é que delibera ante o bem próximo que podemos escolher e outro que podemos preterir. Ela, assistida pelo entendimento, pode errar e pode acertar. E esta é a razão por que deve ser devidamente esclarecida : para que não erre. O entendimento deve ser devidamente eficiente para que não perturbe a ação da vontade. É quando a vontade é livre. Mas essa vontade não exige isenção absoluta de determinação, porque somos determinados necessariamente ao bem sem determinação, não porém a este ou àquele bem. E nisto está a nossa liberdade, é ela o sinal mais elevado da nossa humanidade. É precisamente quando a vontade tende a arbitrar que ela é livre, mas a liberdade tem como contrário a coação. Enquanto a vontade não é coagida por um poder extrínseco a preferir isto e preterir aquilo, ela é livre, e isto não quer dizer contudo que é isenta absolutamente de determinação, não, porque somos determinados para o bem, todos nós anelamos o bem, todos amamos o bem, todos nos inclinamos para o bem, é uma necessidade. Mas o bem aqui é tomado indeterminadamente, pode ser este e pode ser aquele. E eis a razão por que o entendimento, com o apoio da vontade, ao julgar que deve preferir este ou preterir aquele, pode errar livremente por não ter sabido aquilatar qual o verdadeiro bem que deveria preferir.

Aquele que não sabe ainda distinguir o que convém e o que não convém, ainda não é livre; aquele que está obstaculizado pelas coações que cerceiam a sua ação, ainda não é llivre; aquele que é dominado por suas paixões, ainda não é livre. Por isso é que a vontade cristãmente considerada implica a cooperação eficiente e decisiva do entendimento com a vontade. Como o entendimento e a vontade têm seu princípio e a sua raiz no amor, a liberdade da vontade implica a cooperação eficiente e decisiva do entendimento impulsionado pelo amor à verdade e à vontade pelo amor ao bem."

Mário Ferreira dos Santos