A Barbárie dos Tempos Modernos

sexta-feira, outubro 31, 2003

Da Série Diálogos

- Não, padre, não adianta, não tenho salvação.
- Não diga isso, meu filho, todos podem ser salvos, aceite a extrema-unção.
- Mas padre ... eu nunca o perdoei ! É certo que falsificou tudo que escreveu, usou da desonestidade para ludibriar jovens revoltados, criou uma ideologia responsável pela morte de centenas de milhões de pessoas ... mas eu teria que perdoá-lo, porque sou um bom cristão.
- Filho, de quem você está falando ?
- Deixa pra lá, padre, tenho até medo de pronunciar o nome dele, meu rosto fica transtornado. Meu ódio é muito grande.
- Filho, pare de sofrer, você está me fazendo sentir culpado.
- Por que, padre ?
- Porque eu o amei, eu o amei, eu o amei ! Mas quero confessar esse pecado a você. Perdoe-me em nome de Deus, como bom cristão que é !
E o moribundo assentiu com a cabeça, antes de partir para a eternidade.


quarta-feira, outubro 29, 2003

Ciência Pretensiosa

O avanço tecnológico não justifica os prejuízos causados pela moderna visão científica do mundo. Isso não significa, entretanto, que eu seja contra a tecnologia, até porque meu principal veículo de expressão é a internet. O que eu quis dizer é que a tecnologia não é uma justificativa para que se acredite na forma científica atual de explicar o universo. Ao contrário, ela apenas ratifica a maneira como os cientistas fazem ciência hoje : produzindo fatos, para deles tirar uma conclusão. O erro está em achar que essa conclusão está ligada à realidade, quando, na verdade, foi fabricada.

Explicando melhor : se o conforto propiciado pela tecnologia moderna fosse encarado apenas como um benefício de uma técnica, assim como a técnica de construir uma casa ou uma cadeira, tudo estaria bem. Mas infelizmente não é assim. A ciência necessária para produzir essa nova tecnologia filosofa a respeito dos meios utilizados e, a partir daí, tira conclusões sobre a realidade.

O problema é que a ciência não tem como objeto de estudo os fatos reais da natureza, mas apenas uns poucos dados obtidos a partir deles e acrescidos de uns tantos outros criados por aparelhos produzidos com o objetivo de justificar a teoria imaginada pelos cientistas. Como eu disse antes, é natural que a ciência fabrique tecnologia, pois atualmente ela não é apenas o resultado do estudo científico, mas a condição primária para que a pesquisa científica tenha andamento.

A conseqüência disso tudo é que a técnica passa a ser a principal responsável pela forma como as pessoas encaram o mundo. É ela que justifica a religião, os preceitos morais, a psicologia e tudo mais. E ela própria, é lógico, não é justificada nem analisada por nada nem por ninguém, já que é ela mesma que nos liga ao real. Daí que não seja de se estranhar que a ciência não tenha ética, pois a tecnologia justifica qualquer ética, e os resultados, a posteriori, é que justifiquem a pesquisa realizada a priori, quando aqueles não haviam sido ainda alcançados. E daí também se percebe por que a ciência se isenta de culpa de qualquer malefício trazido pelo mau uso de seus produtos.

A ciência moderna traria muito mais benefício ao homem se soubesse reconhecer o seu lugar e deixasse que a filosofia e a religião assumissem o encargo que ela acha que é dela : ligar o homem à verdadeira realidade. Para concluir, cito Olavo de Carvalho : " A descrição científica do mundo perde assim em alcance ontológico e força explicativa o que ganha em precisão matemática e aplicabilidade técnica. [...] A busca da exatidão vai então cada vez mais substituindo a busca do quid, da essência, até o ponto em que se torna possível produzir uma descrição assombrosamente exata e eficaz de algo que não se tem a menor idéia do que seja. "

segunda-feira, outubro 27, 2003

Chesterton é sempre Chesterton

Nós é que fazemos nossos amigos. Nós é que fazemos nossos inimigos. Mas Deus foi quem fez nosso vizinho. Por isso é que o vizinho nos surge revestido de todos os inesperados terrores da natureza; ele é tão estranho como as estrelas, tão alheio e impassível como a chuva. É o Homem, o mais terrível de todos os animais. Donde as antigas religiões, bem como a linguagem bíblica, terem demonstrado tão profunda visão das coisas quando aludiram, não a nossos deveres para com a humanidade, mas a nossos deveres para com nosso vizinho. O dever para com a humanidade pode muitas vezes tomar a forma de pura escolha, que é ato pessoal e até agradável. Pode ser uma ocupação favorita, pode ser mesmo um passatempo. Podemos trabalhar em favor dos bairros pobres de Londres porque fomos de algum modo talhados para tal trabalho, ou porque cremos que o fomos; podemos lutar pela causa da paz internacional porque nos agrada lutar. Podem resultar de nossa própria escolha, ou de simples questão de gosto, o martírio mais atroz, ou a experiência mais repulsiva. Podemos ter sido feitos de molde a ter predileção pelos doidos ou a sentirmos especial interesse pelo problema da lepra. Podemos encantar-nos com os negros porque são pretos, ou como os socialistas alemães porque são pedantes. Mas quanto a nosso vizinho, a este temos de amar porque ele está ali — razão muito mais alarmante e que requer reações afetivas muito mais difíceis. Ele é a amostra viva da humanidade que nos coube. Precisamente porque pode ser qualquer pessoa, ele é como toda a humanidade junta. É um símbolo, no sentido de que é mero acidente.

Agora clique aqui.

domingo, outubro 26, 2003

A melhor forma de governo

Já está resolvido ! E não vai haver quem se oponha : o melhor sistema de governo, pelo menos para o Brasil, é o boneísmo democrático.

Funcionaria assim : todos os cidadãos aprenderiam nas escolas, desde a mais tenra idade, a reagir a impulsos provocados por bonés colocados em suas cabeças. Por exemplo, um com a inscrição "Viva o vegetarianismo !" faria o dono ficar enojado ao chegar perto de uma simples sardinha enlatada. Outro : um com a frase "Exame de próstata - faça já o seu !" levaria o indivíduo a querer sentar no indicador do primeiro urologista que visse pela frente. E daí em diante.

Então o presidente não precisaria ser eleito. Poderia ser qualquer um, pois todos teriam a mesma reação diante dos mesmos bonés. No entanto, teriam que ser realizadas eleições semanais, e, em períodos de maior necessidade, até mesmo diárias, para que o povo escolhesse qual boné o presidente usaria daquela vez.

Pronto ! E acabaria aquela história de que o povo nunca chegou ao poder.

quinta-feira, outubro 23, 2003

Um abraço amigo

Lula enviou abraços aos integrantes do MST que foram visitados por Frei Betto na cadeia. Quase choro de tanta emoção. Fiquei com vontade de pedir ao frei que também os abraçasse por mim, mas ressaltando que apertasse com alguma força na região cervical, pelo menos o suficiente até sufocarem.

terça-feira, outubro 21, 2003

Genoíno confirma tese de Olavo

No dia 24 de agosto de 2002, quando ainda era colunista da revista Época, Olavo de Carvalho publicou um artigo em que dizia : "O próprio Lênin, se presidisse o Brasil de hoje, nem pensaria em socializar a economia. Trataria de consolidar o capitalismo e acalmar os investidores." Recentemente, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, José Genoíno, nas palavras de Diego Casagrande, revelou o seguinte : "ao ser questionado sobre o aprofundamento da política econômica de FHC, o ex-guerrilheiro do Araguaia sugere que vivemos uma curiosa transição, tal qual a vivida pelos comunistas soviéticos, hoje sepultados pela história: ' Nós não estamos aprofundando. Tivemos de segurar o boi pelos chifres para poder sair dessa situação. Já disse para meus companheiros que eles precisam ler uma das decisões de Lenin, depois da Revolução de 1917. Ele fez concessões a multinacionais sobre a exploração do petróleo de Baku, porque não tinha dinheiro para explorar ', sustentou Genoíno. ' O problema é o sentido político de tomar essas medidas. Você toma essas medidas no sentido de aprofundar o modelo ou no sentido de processualmente criar condições para outro modelo. Eu acho que faria muito bem a alguns críticos do PT a leitura de algumas decisões de quando houve rupturas e confrontos.' "

E ainda há quem ache que a política petista não tem um objetivo concreto, que eles estão apenas tentando se manter a todo custo no poder. É claro que não têm plena consciência do que estão fazendo, porque também são massa de manobra de organismos internacionais, mas é óbvio que não são tão ingênuos assim.

O mais impressionante é a naturalidade com que a imprensa recebe uma declaração dessas. Imaginem se, ao invés de se referir a Lênin, um político qualquer, do PRONA, por exemplo, se referisse a Hitler, e explicasse em que atitudes do nazista ele estaria se baseando para orientar os membros do seu partido. Não seria uma confusão dos diabos ? Pois bem, exatamente em que ponto Lênin foi melhor que Hitler ?

segunda-feira, outubro 20, 2003

Estupidez vegetal

O sujeito mais estúpido do mundo chama-se Peter Singer. Este caridoso senhor, defensor dos animais, ama-os tanto que lhes concede direitos iguais aos dos seres humanos. E baseia-se num único fato para nos igualar a eles : ambos sentimos dor. Com isso, quer dizer que tanto eles quanto nós sofremos, por isso não devemos comer os bichinhos.

Daí podemos concluir 2 coisas : 1) Um homem anestesiado vale menos que um sapo; 2) Para continuarmos comendo os pobrezinhos, bastaria que os anestesiássemos antes de matá-los.

A partir desse simples raciocínio, já conseguimos alcançar 2 objetivos : 1) Provamos que o fato do animal sentir dor, mesmo que eles sejam, como quer o bem intencionado pensador, iguais aos homens em direitos, não é razão suficiente para que não nos alimentemos deles; 2) Demonstramos que a tese não apenas iguala os animais aos homens, mas ainda torna alguns destes inferiores àqueles, pois há distúrbios raros em que o homem nasce sem a possibilidade de sentir dor. Seus direitos seriam os mesmos de um vegetal, e quem quisesse colher sua orelha para se satisfazer na próxima refeição não estaria fazendo nada de errado.

Os erros básicos dessa teoria : 1) Associar sofrimento a dor, quando se sabe que um ser humano incapaz de sentir dor sofre muito mais do que uma pessoa normal; 2) Desconsiderar o lado espiritual do homem, que o torna infinitamente mais importante do que qualquer animal, excetuando-se, é claro, Peter Singer, de cujo cérebro brotam sementes de abóbora, e do qual podem ser colhidas abobrinhas em qualquer época do ano.

domingo, outubro 19, 2003

O que você está fazendo neste blog ? Corra logo para este ! Mas depois volte, nem que seja apenas para me agradecer.

sábado, outubro 18, 2003

A Irrealidade Científica

Segundo Santo Tomás de Aquino, Deus é o primeiro na ontologia mas é o último na psicologia. Portanto, o reconhecimento de Deus pelo homem depende da forma como ele vê a si próprio e o mundo que o cerca. Quanto maior sua capacidade de perceber a intensidade do real, mais próximo fica da percepção de Deus.

Quanto mais afastado do homem, menos real parece o mundo. Quem acha que os fatos que ocorrem à sua volta nada têm a ver com ele, está afastando a realidade de si mesmo e tornando menos intensa a sua percepção, e menos intensa também a percepção se si próprio. Só se pode ter uma atitude assim depois que a realidade já se tornou tão intensa que a pessoa já atingiu um outro estágio, no qual sua relação com ela se dá num outro nível, e nele a presença de Deus é bem mais perceptível.

Os cientistas modernos, por exemplo, partem do princípio de que é preciso isolar a realidade para poder entendê-la. Esta é, como se vê, a melhor maneira de empalidecê-la. Não se pode dizer que com isso não se torne mais compreensível, mas é a compreensão apenas da sombra da realidade. No entanto, é impossível fazer isso por muito tempo. A própria realidade acaba chamando você de volta, e é preciso muita insistência para não perceber isso.

A Física Quântica, por exemplo, demonstra bem esse fato. Após chegarem ao limite, descobriram que o experimentador faz parte da experiência, ou seja, que é impossível isolar o experimento, pois o observador interfere ativamente nele. Nesse ponto, a intensidade da realidade voltou a ser percebida em todo seu grau, e é justamente aí que ela se mistura com a vida do pesquisador. A Física Quântica é a maior prova de que a frase de Olavo de Carvalho que citei aqui está certíssima : "a falta de interrogação sobre o sentido da vida, a depreciação desta busca ou sua redução a uma curiosidade acadêmica, como se algo desligado do eixo da vida, isto é o desprezo pelo Espírito." É por isso que muitos dos cientistas que se aprofundaram na Física Quântica passaram a perceber uma outra realidade, que não conseguiam ver antes. Muitos, sem o substrato para compreender o que era aquilo, e sem a humildade suficiente para mudar o rumo de suas vidas, mergulharam num misticismo paranóico.

A realidade para um cientista moderno é apenas um dado de estudo, sem nenhuma relação com o seu eu. E ele é apenas a sombra de um homem, e essa sombra não tem a mínima condição de perceber a presença de Deus.

sexta-feira, outubro 17, 2003

3 em 1

Devemos comemorar ?

Uma pesquisa realizada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com 250 mil estudantes de 15 anos em 42 países entre 2000 e 2001 revelou que os brasileiros foram os que mais se sentiram "engajados", sendo que apenas 17% deles afirmaram se sentir "deslocados". Ora, sabendo o que ensinam em nossas escolas, a nossa meta deveria ser a de elevar para no mínimo 50 % o número dos "deslocados".

Tudo a ver

Uma amiga observou que minha esposa estava sempre lendo algo de Shakespeare, por isso resolveu presenteá-la com um livro de Schopenhauer : "percebi que você gosta dessas coisas" Bom, pelo menos não foi O Mundo de Sofia.

Se fosse assim ...

Antes de encarnar, a alma deveria ter direito a acessar vários blogs e ser informada de onde mora os autores. Só depois, então, decidiria especificamente em que lugar desejaria nascer.

quarta-feira, outubro 15, 2003

Antes tarde ...

Esqueci de lembrá-los do excelente blog do Gladstone e do novo endereço do Agonizando.

terça-feira, outubro 14, 2003

As contradições do ateísmo

O sujeito acaba de deixar a infância e já se acha dono do mundo. Finalmente livre do controle paterno e materno, entusiasma-se com a possibilidade de não ter que prestar contas a mais ninguém. Entra na Universidade e lá faz novos amigos, que apenas reforçam sua sensação de liberdade. Então vem alguém e lhe fala de Deus. Ora, mas ele acabou de se livrar dos pais e aquele imbecil quer que ele torne a obedecer novamente ! E o pior : obedecer a Deus, que é muito mais exigente ! É o cúmulo ! Só pode ser um bobão.

Denuncia o estúpido aos amiguinhos, que lhe explicam : "não ligue p'ra ele não, é um bocó, só consegue viver com essa muleta, não sabe andar com os próprios pés. Só a ciência dá firmeza aos nossos passos". Ganha ainda mais confiança e começa a lembrar de sua infância, quando ainda era um abestalhado e pensava em Deus seguindo-o onde quer que estivesse. Que alívio ! Agora poderia fazer tudo que desejasse. O mundo inteiro é julgado por seu conhecimento científico, e tudo que fugir desse caminho está condenado à perdição.

A história de um ateu é quase sempre essa. Para aliviar a pressão de sua consciência, tenta se esconder de Deus, fingindo que Ele não existe para ficar livre de suas obrigações, ou pelo menos de boa parte delas ( ora, ora, não me venham os ateus alegarem que cumprem suas obrigações, porque não é destas que estou falando ! ). Iludido que é, acusa os crentes de criarem Deus para se iludirem. Fanático pela ciência, acusa os crentes de fanatismo, incapaz de o diferenciar da fé, justamente porque o único exemplo que tem dela é o seu próprio fanatismo pela ciência. Pouco disposto a raciocínios mais profundos, acusa os crentes de não conhecerem a ciência, quando é ele que nunca estudou uma linha sobre religião e já a considerou um simples ópio, enquanto muitos religiosos conhecem tão bem a sua ciência quanto ele. Incapaz de valorizar a metafísica, não compreende que a antimetafísica também é metafísica, e que o homem não pode fugir dela, pelo menos enquanto estiver disposto a pensar.

E esse é o ateu, uma criatura digna de pena.

segunda-feira, outubro 13, 2003

A Segunda Versão

Poucos sabem dessa história.

A verdade é que quando Hobbes disse que o homem é o lobo do homem, a conversa não parou por aí. Há 2 versões :

A primeira diz que a discussão se manteve no terreno filosófico, tendo prosseguido da seguinte forma :

O homem disse que o homem de Hobbes é lobo, com um ar sarcástico;
O lobo de Hobbes disse que o homem é homem, defendendo-se e constrangendo-o;
Outro homem disse que o lobo do homem é Hobbes, irritando-o.

A segunda versão diz que a convesa tomou um tom quase erótico, tendo prosseguido da seguinte forma :

O homem de Hobbes disse que Lobo é homem, mas ninguém acreditou;
Lobo disse que o homem de Hobbes é homem, mas ninguém acreditou novamente;
O homem de Lobo disse que Hobbes é homem, e todos começaram a rir;
O homem do homem disse que Lobo é Hobbes, revelando o pseudônimo, e deixando todos atônitos;
Por fim, Hobbes disse que o homem do homem é Lobo, confirmando a história toda.

E somente porque essa história sempre foi mantida em segredo, Hobbes não passou para a história com fama de viado, porque é óbvio que todos só se interessariam pela segunda versão.

sábado, outubro 11, 2003

Quando a educação é pior que a "ignorância"

Este post vai parecer inicialmente uma discordância com relação ao trecho do texto de Olavo que postei aí abaixo. Mas, na verdade, apenas o reforça.

Não é verdade que o simples fato de não ler ou de não estudar torne alguém um total ignorante. Há uma sabedoria peculiar àquele que não estuda. Ele a busca e a apreende através de suas próprias reflexões sobre os acontecimentos de sua vida e do mundo, se tiver interesse de pensar sobre isso, é claro. É uma sabedoria diretamente pouco contaminada pelo pensamento dos intelectuais. Indiretamente, ela sofre influência daquilo que eles veiculam na mídia. Mas tenho percebido que quanto menos estudo tem um brasileiro (estou generalizando), menos ele se deixa influenciar por ela e mais segue sua própria sabedoria e aquela que aprendeu através da tradição que adquiriu dos seus pais.

Agora, particularizando : conversava com um amigo sobre a balbúrdia que os estudantes causaram aqui em Salvador. Ele elogiava, dizendo que eles poderiam mandar na cidade se quisessem, e que aquilo era uma vitória para o povo. Ele não é nenhum estudioso da política, não tem nenhum conhecimento nessa área, portanto é lógico que seu pensamento é apenas uma mera repetição da idéia da luta de classes propagandeada há mais de 20 anos na mídia nacional. Conversando com um vidraceiro, perguntei-lhe o que achava, e ele me respondeu : "ora, aquilo é coisa de quem não tem o que fazer. Eles deveriam estar estudando e não atrapalhando a vida dos outros."

A menor contaminação do vidraceiro pela ideologia divulgada na mídia se deve ao simples fato dele não ter sido previamente "preparado" para ser influenciado por ela. Ou seja, por não haver freqüentado uma escola e não ter recebido lá a doutrinação marxista, ele não se deixa influenciar facilmente por aquilo que a mídia tenta colocar na cabeça dele. É essa a razão, inclusive, para a esquerda ter levado tanto tempo para chegar ao poder. O povo não cedeu facilmente à lavagem cerebral que teve início há mais de 2 décadas.

O que seria melhor : manter-se "ignorante" ou receber essa educação que é transmitida hoje nas escolas brasileiras ?

sexta-feira, outubro 10, 2003

Humildade e Egoísmo

Só existe um tipo de humildade, mas há 2 tipos de egoísmo : o absoluto e o relativo.

O humilde é aquele que se afasta de si mesmo e se doa aos outros e a Deus, preenchendo-se Dele e assim se engrandecendo. O humilde faz o bem a si próprio e aos outros.

O egoísta relativo é aquele que não está se importando com a desgraça do próximo, mas também não se incomoda com o sucesso dele. Um exemplo : um bom empresário. Para ser bom, o empresário tem que ser um egoísta relativo, ou seja, tem que fazer o possível para sua empresa crescer e gerar lucro. O fato dessa atividade aumentar a oferta de empregos e melhorar a situação social do país é mera conseqüência do egoísmo relativo do empresário. Mas seu mérito de não interferir na felicidade dos outros permanece como algo positivo.

Já o egoísta absoluto é aquele que não apenas quer tudo para si como tenta evitar o sucesso dos outros. Um exemplo : o político de esquerda. Ele não se satisfaz em estar no poder, mas quer estar no poder o tempo todo. Assim que chega lá, começa a criar meios de não sair mais. Para isso, tem que exercer total controle sobre tudo, inclusive sobre os humildes e os egoístas relativos, que nada podem fazer contra eles. O problema é que é impossível se manter no poder se o povo reconhecer que o sujeito é um egoísta absoluto, então ele precisa passar uma imagem de humilde. Com isso, comete 4 erros : não beneficia a si, nem ao próximo, nem é feliz, nem deixa que os outros sejam.

quinta-feira, outubro 09, 2003

Simplicidade Evangélica

"... vejo uma blasfêmia profunda na apologia vulgar da "vida simples", das "pessoas simples". Esse é um aspecto que nunca foi muito bem estudado. A autêntica simplicidade evangélica consiste justamente em pedir pouco, em não precisar de muito, e não em levar a vida de um bichinho que ignora o mundo que o cerca. Este ignorar é recusar o dom do Espírito, e este é o pecado que não é perdoado nem nesta vida nem na outra, o pior dos pecados. Tudo é perdoado menos o pecado contra o Espírito Santo. Qual é este pecado? A ignorância voluntária - e ainda há quem chame isso de "simplicidade evangélica".

A falta de interrogação sobre o sentido da vida, a depreciação desta busca ou sua redução a uma curiosidade acadêmica, como se algo desligado do eixo da vida, isto é o desprezo pelo Espírito. Se o sujeito faz isso e depois vai ler a Bíblia, vai rezar, ele está perdendo tempo. É uma besteira: ele já informou a Deus que não quer nada com Ele."

Olavo de Carvalho

terça-feira, outubro 07, 2003

Convertendo Gays

Não nego que possa haver uma tendência genética à homossexualidade. Mas há pessoas com tendência genética a hipertensão e a diabetes, por exemplo, e que nunca ficam diabéticas nem hipertensas, justamente porque modificam seus hábitos para evitar essas doenças. Uma pessoa com tendência à homossexualidade só tem 2 caminhos : cede à tal tendência ou tenta evitar que ela se concretize. A segunda opção é, de longe, a mais razoável. Mas, vivendo numa sociedade onde é até chique ser homossexual, dificilmente alguém vai tentar lutar contra a própria tendência. O fato é que não há estudos sérios sobre o assunto. Este, por exemplo, é lamentável !

Viktor Frankl relata em alguns de seus livros vários casos de homossexuais que se tornaram heterossexuais. Este sabia o que dizia, e o que fazia também. Pena não existirem mais psiquiatras como ele.

Não percam, não percam ! Está excelente esse Conto do Macaco.

Da série Diálogos

- À procura de Deus, o máximo que consegui encontrar foi o diabo.
- Mas você o reconheceu ?
- Por que ?
- Porque já seria um grande passo.

segunda-feira, outubro 06, 2003

Novos links para blogs

O Reacionário
Rodrigo Della Santina
Liberal Exaltado
Nariz Gelado
Scriptorium
Canção de Outono
Eduardo Horta

A Inteligência e a Moral

Obs : Este é um texto antigo. Já não concordo plenamente com ele, mas resolvi postá-lo porque pode dar origem a uma boa discussão.

Foi Kant quem separou definitivamente a Inteligência da Moral ao escrever " A Crítica da Razão Pura" e a "Crítica da Razão Prática". No primeiro ele discute a maneira como a razão humana capta a realidade, no segundo explica que o ser humano tem uma necessidade interior de um senso de moralidade. Por ser o filósofo mais influente do mundo moderno, essas suas conclusões se tornaram axiomas. Assim como Descartes mutilou o homem separando a mente do corpo, também o fez Kant ao introduzir essa nova faixa divisória. Essa é a grande tendência dos últimos 300 anos : simplificar, reduzir e dividir para entender melhor. Realmente facilita a compreensão ... de algo que não existe.

Ao criticar, certa vez, o povo da sua época, Jesus disse : "Odiais a quem deveríeis amar e amais a quem deveríeis odiar". Como isso, Cristo já salientava o quanto é importante a união entre a Inteligência e a Moral. A moral do seu povo estava totalmente deturpada porque as pessoas não sabiam distinguir o certo do errado, o que depende, em parte , do conhecimento e da inteligência. O contrário também é totalmente verdadeiro, ou seja, muitas pessoas que julgamos inteligentes são verdadeiras toupeiras, pois lhes faltam qualquer senso de moral. Atualmente , um sujeito espertinho, que consiga subir na vida passando por cima de tudo e de todos, é tido como inteligente, apesar de reconhecermos a sua maldade. Não é nada disso ! Se ele é mau, não pode ser inteligente, pois a captação da realidade depende de uma consciência una, integrada. Para realizar as suas maldades, o homem precisa mentir, deturpar, inverter e transformar completamente as coisas, o que as torna totalmente irreais. Ele começa fazendo isso achando que está prejudicando apenas os outros, mas a sua mente se condiciona a pensar dentro daquele mecanismo viciado e não consegue mais enxergar o mundo como ele é verdadeiramente. É claro que isso não significa que ele não terá recompensas materiais pelos seus atos, mas, com certeza, tornar-se-á um ser humano inteiramente burro, a não ser que o critério de inteligência passe a ser a quantidade de bens e de poder que se adquire. Não será mais capaz de fazer distinções elementares entre o bem e o mal. Inteligência é a capacidade de compreender as coisas como elas são. Quem ganha rios de dinheiro, mas não sabe que um caqui é um caqui e uma maçã é uma maçã não pode ser considerado inteligente. Aliás, é por isso que existe o ditado : " De boas intenções, o inferno está cheio ". Ou seja, lá estão tanto os que fazem o mal em nome do bem por não saber distingui-los desde o início, como também os que perderam a capacidade de fazê-lo por deturparem a realidade por vontade própria. Não sei se ficou claro, mas esse é um ciclo vicioso : quanto mais a pessoa faz o mal, menos entende a realidade, e quanto menos entende a realidade, mais pratica o mal. Não pode haver entrelaçamento maior entre uma coisa e o outra. Somente uma filosofia desprovida do conhecimento das grandes tradições poderia ignorar algo tão simples.

E aí vem o problema maior : separando uma coisa da outra, o homem moderno obrigou-as a se desenvolverem independentemente. Hoje, a moral é um consenso, e a inteligência a capacidade de raciocinar. Então, o ciclo vicioso entra em cena novamente : a moral é um consenso entre pessoas que julgam que ela pode existir sem a inteligência, e que , por isso mesmo, julgam ter uma inteligência que não têm, ou seja, a moral é um consenso entre pessoas burras, e por isso mesmo imorais. Como pode, então, a moral sobressair de um consenso imoral ? Já a inteligência, vinculada apenas à razão, não pode nunca ser inteligência, pois, desvinculada da moral, raciocina em cima do que não existe.

O que é mais engraçado é que ainda há quem estranhe que o mundo esteja de cabeça para baixo. Não haveria mesmo como estar de outra forma.

domingo, outubro 05, 2003

Em busca do envelhecimento

Enquanto todos buscam voltar à juventude, continuo na minha luta diária para envelhecer. Garanto que é muito mais difícil. Não existem injeções nem comprimidos para isso.

sábado, outubro 04, 2003

Debate entre um cristão e um ateu

Apesar de não concordar com todos os argumentos do defensor do Cristianismo, achei essa discussão interessante.

quinta-feira, outubro 02, 2003

Só nessa condição

Sua terapia tem uma mínima chance de funcionar se , em meio às sessões, você perceber que seu psicólogo não lhe acha um cara legal.

Terror na Livraria

Mal coloco o pé na entrada, o reflexo da luz na capa daquele livro preto me deixa tonto. Respiro fundo até me recuperar. Algo me diz para não me aproximar, mas meu lado masoquista ganha a luta e começo a ler : "O Livro Negro dos Estados Unidos". A tontura volta ainda mais forte. Fujo cambaleante e resisto à tentação de folheá-lo. Quando reabro os olhos, estou na seção de filosofia. Aquele monstro - quer dizer, o vendedor - oferece-me uma obra de Leonardo Boff. "Mas aqui não é a seção de filosofia ? Não, não, não responda, por favor !" Perco os sentidos. O desmaio dura uns 3 minutos. É o tempo dele trazer um copo d'água acompanhado de A Política em Espinosa. "Já leu esse ?" Dessa vez o desmaio dura 20 minutos. "O senhor está bem ? Estás com problemas espirituais ? Não quer que eu leia nada do Paulo Coelho ? Fará bem pra sua alma." Uma hora fora do ar. Acordo entre médicos e enfermeiras. "Já fizemos vários exames, não há nada de grave com o senhor. Descanse um pouco. Aproveite para ler alguma coisa leve, um livro do Frei Betto, por exemplo." "O senhor não me emprestaria uma ampolas de potássio para eu levar para casa ?" Foi o que consegui dizer antes de entrar em coma profundo.

A Nova Democracia

Incrível: no Paraná de Requião, agricultor tem que pagar pedágio ao MST

Já pensaram se a moda pega ?

"Ei, meu amigo, você hoje não vai poder entrar em casa não, tá me devendo 2 esmolas da semana passada. Se pagar hoje, deixo você entrar e ainda dispenso a correção."

"Ei, cara, não pode vender esse carro a esse cara não. Tu já vendeu nove, no décimo tu vai ter que me dar um, tá ligado ? Vai passando logo, vai."

"Ei, véio, que negócio é esse de tomar sorvete e depois comer pipoca ? Tô de olho em você, viu ? A cada 2 lanches vc tem que me dar um. Paga aí um Milk Shake, vai. Depressa, tem um cara ali que já tá no terceiro chocolate, tenho que juntar nele."

Crucificada

Do nosso molusco-mor, sobre a viagem de Benedita às custas da União : "Eu aceitei suas desculpas porque não podemos crucificar as pessoas." Depende , não é presidente ? Se for o Collor de Mello, por exemplo, é claro que podemos crucificar. E com toda justiça ! Já a Benedita ... tadinha, só foi rezar ...

quarta-feira, outubro 01, 2003

Menos Demócrito e Mais Platão

Muitos tentaram resolver a questão apresentada pelos eleatas do Um e do múltiplo. Demócrito e Platão foram os que propuseram as melhores respostas. O primeiro sugeriu que os átomos ( que eram diferentes entre si ) eram o um, e que de suas múltiplas combinações se formava o múltiplo. Bastante engenhosa a resposta, mas não deixava de apresentar o um como uma espécie de múltiplo, pois os átomos não eram idênticos.
O segundo apresentou o supra-sensível como causa do sensível, e postulou a existência de um Deus transcendente como causa primeira.

A história do pensamento ocidental é toda pautada na resposta dada pelo melhor aluno de Sócrates. O que os cientistas têm feito ultimamente é simplesmente esquecer Platão e revalorizar Demócrito. Não adianta dizerem que o atomismo atual é diferente do elaborado na Grécia, pois a metafísica é a mesma.

A resposta que quase todo cientista gosta de dar quando questionado sobre Deus é : ele não é necessário, o que é o mesmo que dizer que não há um ser necessário, pois um dos conceitos de Deus é justamente o de Ser Necessário. Assim, o Universo é obra do acaso, o que nos remete à resposta de Demócrito.

O que dizer, por exemplo, de um cientista que acredita piamente que o Universo tenha uma origem, mas que acha que essa origem é material ? Ou seja, é ou não é o mesmo erro de Demócrito ? Demonstrar a pessoas assim o que significaram os avanços alcançados por Aristóteles com relação a seu mestre é pura perda de tempo, afinal só a Física Quântica e a Teoria das Supercordas ( vocês conhecem essa ? é uma doideira só ! ) podem explicar o Universo.

Sempre os mesmos : filósofos e sofistas

A divisão do mundo intelectual em filósofos e sofistas continua tendo a mesma validade que tinha no mundo grego. Os sofistas são aqueles que têm como objetivo e guia o próprio homem. Os filósofos os têm em Deus.

Tendo o homem como guia, o sofista transforma-o em animal, e tendo Deus como guia, o filósofo o considera como verdadeiro homem. É interessante notar que tanto um como outro contribuem para o avanço do conhecimento. A diferença está que a contribuição do primeiro se constitui apenas em avanços técnicos, enquanto a do segundo se constitui na verdadeira sabedoria.

Os sofistas contribuíram, por exemplo, para a evolução da retórica como técnica de argumentação, mas não acrescentaram nada ao saber grego. Do mesmo modo, os cientistas modernos, de qualquer área, contribuem tão somente para o progresso da técnica. Esta serve como método investigativo e como meio para resolver problemas práticos do homem, como as doenças, por exemplo. Mas não acrescentam nada ao saber. Por isso também pouco sabem, se formos rigorosos no uso do termo.

Portanto, tanto os sofistas quanto os cientistas ( os sofistas de hoje ) apenas colaboram involuntariamente para que os filósofos ( entre os quais podem estar alguns cientistas modernos ) aumentem o seu saber e a sabedoria do mundo. O mal sempre serve ao bem e nunca o contrário.