A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, outubro 14, 2003

As contradições do ateísmo

O sujeito acaba de deixar a infância e já se acha dono do mundo. Finalmente livre do controle paterno e materno, entusiasma-se com a possibilidade de não ter que prestar contas a mais ninguém. Entra na Universidade e lá faz novos amigos, que apenas reforçam sua sensação de liberdade. Então vem alguém e lhe fala de Deus. Ora, mas ele acabou de se livrar dos pais e aquele imbecil quer que ele torne a obedecer novamente ! E o pior : obedecer a Deus, que é muito mais exigente ! É o cúmulo ! Só pode ser um bobão.

Denuncia o estúpido aos amiguinhos, que lhe explicam : "não ligue p'ra ele não, é um bocó, só consegue viver com essa muleta, não sabe andar com os próprios pés. Só a ciência dá firmeza aos nossos passos". Ganha ainda mais confiança e começa a lembrar de sua infância, quando ainda era um abestalhado e pensava em Deus seguindo-o onde quer que estivesse. Que alívio ! Agora poderia fazer tudo que desejasse. O mundo inteiro é julgado por seu conhecimento científico, e tudo que fugir desse caminho está condenado à perdição.

A história de um ateu é quase sempre essa. Para aliviar a pressão de sua consciência, tenta se esconder de Deus, fingindo que Ele não existe para ficar livre de suas obrigações, ou pelo menos de boa parte delas ( ora, ora, não me venham os ateus alegarem que cumprem suas obrigações, porque não é destas que estou falando ! ). Iludido que é, acusa os crentes de criarem Deus para se iludirem. Fanático pela ciência, acusa os crentes de fanatismo, incapaz de o diferenciar da fé, justamente porque o único exemplo que tem dela é o seu próprio fanatismo pela ciência. Pouco disposto a raciocínios mais profundos, acusa os crentes de não conhecerem a ciência, quando é ele que nunca estudou uma linha sobre religião e já a considerou um simples ópio, enquanto muitos religiosos conhecem tão bem a sua ciência quanto ele. Incapaz de valorizar a metafísica, não compreende que a antimetafísica também é metafísica, e que o homem não pode fugir dela, pelo menos enquanto estiver disposto a pensar.

E esse é o ateu, uma criatura digna de pena.