A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, outubro 29, 2003

Ciência Pretensiosa

O avanço tecnológico não justifica os prejuízos causados pela moderna visão científica do mundo. Isso não significa, entretanto, que eu seja contra a tecnologia, até porque meu principal veículo de expressão é a internet. O que eu quis dizer é que a tecnologia não é uma justificativa para que se acredite na forma científica atual de explicar o universo. Ao contrário, ela apenas ratifica a maneira como os cientistas fazem ciência hoje : produzindo fatos, para deles tirar uma conclusão. O erro está em achar que essa conclusão está ligada à realidade, quando, na verdade, foi fabricada.

Explicando melhor : se o conforto propiciado pela tecnologia moderna fosse encarado apenas como um benefício de uma técnica, assim como a técnica de construir uma casa ou uma cadeira, tudo estaria bem. Mas infelizmente não é assim. A ciência necessária para produzir essa nova tecnologia filosofa a respeito dos meios utilizados e, a partir daí, tira conclusões sobre a realidade.

O problema é que a ciência não tem como objeto de estudo os fatos reais da natureza, mas apenas uns poucos dados obtidos a partir deles e acrescidos de uns tantos outros criados por aparelhos produzidos com o objetivo de justificar a teoria imaginada pelos cientistas. Como eu disse antes, é natural que a ciência fabrique tecnologia, pois atualmente ela não é apenas o resultado do estudo científico, mas a condição primária para que a pesquisa científica tenha andamento.

A conseqüência disso tudo é que a técnica passa a ser a principal responsável pela forma como as pessoas encaram o mundo. É ela que justifica a religião, os preceitos morais, a psicologia e tudo mais. E ela própria, é lógico, não é justificada nem analisada por nada nem por ninguém, já que é ela mesma que nos liga ao real. Daí que não seja de se estranhar que a ciência não tenha ética, pois a tecnologia justifica qualquer ética, e os resultados, a posteriori, é que justifiquem a pesquisa realizada a priori, quando aqueles não haviam sido ainda alcançados. E daí também se percebe por que a ciência se isenta de culpa de qualquer malefício trazido pelo mau uso de seus produtos.

A ciência moderna traria muito mais benefício ao homem se soubesse reconhecer o seu lugar e deixasse que a filosofia e a religião assumissem o encargo que ela acha que é dela : ligar o homem à verdadeira realidade. Para concluir, cito Olavo de Carvalho : " A descrição científica do mundo perde assim em alcance ontológico e força explicativa o que ganha em precisão matemática e aplicabilidade técnica. [...] A busca da exatidão vai então cada vez mais substituindo a busca do quid, da essência, até o ponto em que se torna possível produzir uma descrição assombrosamente exata e eficaz de algo que não se tem a menor idéia do que seja. "