A Barbárie dos Tempos Modernos

quinta-feira, novembro 20, 2003

Os Orgulhos da Revolução Científica

Um dos maiores orgulhos dos indivíduos responsáveis pela Revolução Científica era o de terem tornado o saber uma coisa pública, não mais algo exclusivamente restrito a iniciados, que precisavam adquiri-lo com as pessoas certas e na hora certa, como acontecia na Idade Média. A linguagem usada passou a ser a mesma - a matemática - e os experimentos eram reprodutíveis, de forma que o conhecimento pôde se difundir rapidamente.

Mas, atualmente, nenhum cientista pode mais se gabar disso. A excessiva especialização da ciência formou inúmeros guetos dentro dela, onde tanto a linguagem quanto os experimentos só são totalmente compreensíveis pelos poucos iniciados que se interessaram em entendê-los. O debate e a troca de conhecimento entre cientistas de diferentes áreas tornou-se cada vez mais complicado, pois os termos usados são cada vez mais específicos à sua área de atuação.

Outro grande orgulho desses cientistas revolucionários era o de terem demolido a ingênua visão do mundo de origem aristotélica, em que havia uma nítida divisão entre o mundo sub-lunar e o supra-lunar, pois conseguiram mostrar que ambos eram constituídos da mesma matéria e estavam submetidos às mesmas forças.

Mas, depois desse trabalho todo, concluíram que o Universo funcionava como um mecanismo de relógio, e que bastava que o homem adquirisse o conhecimento de algumas tantas variáveis, para que se deduzissem todas as outras, e não haveria mais quase nenhum segredo a ser descoberto. Alguns podem discordar de mim, mas essa hipótese é infinitamente mais ridícula e tola que a do mestre grego.

Também os orgulhosos cientistas se gabaram de terem tornado possível um rápido progresso da ciência ao eliminarem do seu campo de investigação os fatores sensíveis não quantificáveis ou não mensuráveis. Disseram isso sem o mínimo remorso de terem desistido de um tipo de conhecimento muito importante para o homem, pois é principalmente através dessas sensações que ele se comunica com o mundo. Ao contrário, anunciaram que agora a ciência cuidaria apenas da "realidade objetiva".

Depois tiveram que voltar atrás quando a Física Quântica nos revelou que o experimento envolvia o experimentador. Houve choro e ranger de dentes, e o próprio Einstein, um dos que mais havia contribuído para que se chegasse àquele resultado, teimou em não acreditar nele.

Estou aqui debochando da ciência ? De forma alguma. Apenas estou tentando mostrar o quanto faltou de humildade a esses cientistas revolucionários. Estou aqui desprezando os benefícios trazidos por ela ? Também não, apenas enfatizo que o bem-estar material não é tudo, e é preciso lembrar que até hoje nada do que essa ciência produziu se compara aos benefícios espirituais gerados a partir da sabedoria dos 3 maiores filósofos gregos. A metafísica que produzem, tanto eles próprios quanto os filósofos modernos - que partem de premissas científicas - parece brincadeirinha de criança perto da monstruosidade que foi a época de ouro da Grécia.

E que não se esqueça que todo o conhecimento científico alcançado até hoje deve quase tudo a Aristóteles, que criou e estudou boa parte das ciências ainda em prática hoje.