A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, dezembro 23, 2003

Cristão e marxista ?

Não sei o que pensam os ateus sobre este assunto, mas a verdade é que nunca li um único pensador ateu que tivesse algo de profundo a dizer sobre a vida. Não que só tenham dito bobagem, mas jamais ultrapassaram o limite da superficialidade decorrente do ponto de vista que observam o mundo.

Não consigo lembrar de um único filósofo ateu. Pseudo-filósofos há muitos. O que não quer dizer que todos que acreditaram em Deus foram verdadeiros filósofos. Mas quase todos que cometeram o erro da auto-referência eram ateus. Exemplos : Hume, Marx, Freud. Os que não eram ateus, eram deístas : Spinoza, Kant e vários iluministas.*

Mas o que mais me impressiona é como muitos que se dizem cristãos levam esses caras a sério. Isso decorre, é óbvio, da crença de que uma coisa é a vida e outra como se vê a vida. Não, sua vida é como você a vê, cara-pálida. Se você é ateu, tem todo direito de levar a sério Marx, Hume e Freud, mas se é cristão não tem. Você pode até considerar certos aspectos da filosofia deles, mas nunca aquilo que há de mais importante.

Portanto, se você é cristão, aproveite o Natal para rever sua vida, para pensar se muitos dos erros que tem cometido não são decorrentes dessa postura fragmentária, dessa visão desintegrada de você mesmo e do mundo. Pare para se analisar um pouco e perceberá que ser cristão é algo que carrega em si uma série de conseqüências das quais você não pode fugir. Ore e peça a Deus que o oriente nessa empreitada.

* O erro de auto-referência se dá quando o filósofo enuncia algo que torna inválido aquilo mesmo que ele enunciou. Exemplo : Hume diz que nada tem explicação, é tudo questão de pura associação por hábito. Ora, então esta explicação que ele dá também não é explicação nenhuma. E, portanto, ninguém deve levá-la a sério. Outro exemplo : Freud diz que tudo que pensamos e fazemos se deve a problemas sexuais da infância. Ora, se é assim, é óbvio que isto também se aplica a ele. E quem é que vai acreditar num sujeito que elaborou uma teoria devido a frustrações sexuais ?

Post-Scriptum :

Resolvi complementar este post com esse trecho genial de Alexandre Soares

O breve piquenique dos ateus
Deus não deu a Graça aos enciclopedistas - mas deu graça. Muita, até; graça e elegância, para ver até onde iam. Não foram longe, sendo ateus; ateus não podem ir longe, sendo por definição aqueles que ficam negando que haja um longe. Foram perto, mas foram perto belamente; dançando jiga intelectualmente, deslumbrando e agradando o mundo todo com aquela espécie de inteligência típica dos franceses de antigamente: superficial, brilhante, agradável como um piquenique. Toda a mentalidade atéia é um piquenique: negando que haja um longe, sentaram na grama e fizeram um piquenique. Vamos nos divertir na grama, eles dizem. O céu é feito de ar, tanto a um metro do chão como a um quilômetro; e não há nada nesse céu, só mosquitos. Vamos nos divertir, somos livres; vamos enfiar partes estranhas dos nossos corpos nos buracos uns dos outros, c’est amusant; quem sabe se eu passar geléia de framboesa na ponta do dedo e enfiar na sua narina esquerda, assim? Hein, não? E depois vamos apodrecer na outra colina.