A Barbárie dos Tempos Modernos

quinta-feira, fevereiro 26, 2004

Medindo o vazio

Observem um pai na sala de espera de uma maternidade ou dentro do ambiente cirúrgico tirando fotos do filho que está nascendo. Percebam o tamanho de sua alegria. Mas percebam, principalmente, o tipo de felicidade que emana dele. Agora comparem tudo isso com os sentimentos de um folião se esbaldando na avenida.

Não parece evidente que são emoções completamente diferentes? Ambos demonstram um contentamento sem fim, mas qualquer um é capaz de distinguir entre aquele em que o sorriso brota da epiderme e o que vem do fundo da alma. Qualquer um consegue diferenciar os sentimentos, não precisa ser psicólogo nem filósofo.

A alegria do primeiro se origina daquilo que tem de melhor nele, do que sempre fez o homem ser homem e ter construído sua verdadeira cultura. A do segundo extravasa dos seus despojos, do que ele não agüentava mais manter dentro de si. É uma felicidade que, se perpetuada, o levaria até o inferno e não o permitiria mais sair de lá.

O vazio também pode ser medido. E o carnaval é uma boa fita métrica.