A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

O nervosismo e a honestidade

Num certo ponto do debate entre Alaor Caffé Alves e Olavo de Carvalho, este último afirma que o nervosismo nada impede que a pessoa continue sendo honesta. E que, no fundo, é isso que conta. Parei para refletir.

É interessante como gostam de acusar os outros de estarem nervosos. Como se o nervosismo fosse algo que entupisse o cérebro do sujeito e o impedisse de dizer algo verdadeiro; acusam-no como se diagnosticassem uma doença contagiosa, que os impedisse de continuar ali perto.

Quanto a mim, o que posso dizer é que quanto mais nervoso estou mais sou sincero. E percebo isso na maioria das pessoas. O nervosismo nos impede de elaborar justificativas para os nossos erros, de encontrar meio-termo para tudo. É quando estamos nervosos que a sinceridade aflora. E é exatamente por nos tornar tão sinceros que devemos evitar o nervosismo em certas situações. Se ficamos com raiva do nosso chefe por ter nos aprontado alguma, temos que permanecer calmos para não lhe dizermos o que pensamos dele, a fim de não perdermos nossos empregos.

Se alguém se torna maldoso e até desonesto quando está nervoso é porque é muito mais maldoso e desonesto quando está calmo. O problema é que, estando nervoso, a maldade e a desonestidade tornam-se aparentes, enquanto durante a calmaria tudo estava dissimulado.

Por tudo isso, um pouco de nervosismo é sempre saudável durante um debate.