A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

A terra da lavagem

Em Salvador, tudo se lava : é lavagem do Bonfim, lavagem do Rio Vermelho, lavagem de Itapoá, etc. Duas senhoras se encontram na calçada e uma propõe à outra : "Vamos lavar o jardim daqui de casa?" "Claro, depois a gente lava o da minha, certo?" Aí chegam os maridos, que voltavam da vendinha em frente, cada um com um engradado de cerveja. A mulher, com a mangueira na mão (no bom sentido, claro): "Dá um golinho, dá um golinho." E a outra, soltando espuma pela orelha: "Que tal a gente chamar Zefinha para benzer os jardins depois que a gente lavar?" "Vai logo, Tonho, chama lá". E lá vem Tonho com Dona Quitéria, porque Zefinha estava de férias, afinal mãe de santo também é filha de Deus. Mas quando soube que tinha cerveja, já ligou para os quatro sobrinhos que moram em Plataforma, que, por sua vez, chamaram os amigos - o bairro quase inteiro. Ligaram então para a prefeitura, pedindo que fechassem a rua. E o prefeito logo tomou as devidas providências, afinal era uma festa religiosa! E no ano seguinte, prometeu que será feriado nesse dia. Feriado da lavagem dos jardins. Ah, bom! Mas seu Tonho achou pouco: "E não vai ter trio elétrico, não?" Claro, claro. Já estão providenciando.