A Barbárie dos Tempos Modernos

sexta-feira, março 19, 2004

A beleza em Os Irmãos Karamazov

A beleza é terrível! Terrível, porque indefinível. Deus só nos deixou enigmas. Os extremos se tocam e todas as contradições se misturam. Eu, irmão, sou pouco instruído, mas já pensei sobre tudo isso. Quantos mistérios! Isto é demais para o homem. Decifra-os como pode e sai sequinho da água. Oh! a beleza! Não posso suportar que um homem de coração superior e poderosa inteligência tenha a Madona por primeiro ideal e Sodoma por último. Ainda mais terrível, porém, é ter já o ideal de Sodoma na alma e não negar o da Madona, sentindo o coração se abrasar, sim, abrasar-se como nos inocentes anos da juventude. Não, o homem é largo em suas concepções, muito largo. Eu gostaria de torná-lo mais estreito. Diabo! O que ao cérebro aparece como abjeção é, para o coração, a quintessência da beleza. Estará a beleza encarnada em Sodoma? É lá que ela reside para a grande maioria dos homens – conhecias este mistério? O que mais me apavora é que a beleza não é só terrível, mas também misteriosa. O demônio luta com Deus e o campo de batalha são os corações humanos. Aliás, é sempre assim: fala-se daquilo que nos faz sofrer.

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