A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, março 07, 2004

Curso de noivos

Antes de postar a terceira parte da série sobre a psicoterapia de Frankl, gostaria de fazer alguns comentários sobre um curso que fui obrigado a freqüentar neste fim de semana.

Sou casado apenas no civil, porque na época não seguia nenhuma religião, apesar de estudar muitas delas. Aos poucos, eu e minha esposa nos convertemos ao catolicismo, até chegar o dia em que concluímos que deveríamos receber o sacramento do matrimônio, inclusive porque é fundamental para seguirmos uma vida completamente católica.

Fomos avisados que não poderíamos nos casar na igreja sem antes freqüentarmos um curso pré-matrimonial oferecido (na verdade, imposto) pela CNBB.

O curso é dado por pessoas que se oferecem livremente, não precisando para tal de nenhuma credencial. São casais que costumam ir à missa, e só.

O que posso lhes dizer a respeito dele é que nunca fui tão torturado em toda a minha vida. Primeiramente, fizeram uma pequena brincadeira para que nos conhecêssemos melhor. Éramos 20 casais ao todo. Dividiram-nos em 5 grupos e pediram que discutíssemos sobre um assunto qualquer que se relacionasse com casamento. E assim fizemos.

Essa foi a parte menos pior. Apesar de alguns se expressarem através de idéias totalmente anti-cristãs, a grande maioria reconheceu a importância da família e dos valores morais derivados da religião. O que percebi foi que todos tinham a noção exata da necessidade de compreendermos que, quando casamos, o outro já tem uma história de vida à qual precisamos nos adaptar de alguma forma. O que me intrigou foi como muitos deles eram socialistas declarados, quando o socialismo nega justamente isso, ou seja, que ao nascermos, o mundo já tem uma história e que é impossível deixá-lo da maneira que gostaríamos.

Mas a parte mais triste e torturante veio depois. Falou-se muito mais de sexo, no sentido completamente mundano e sensual do termo, do que de fé e religião. Apenas 2 vezes, em todas as oito horas, o nome de Jesus Cristo foi citado, excetuando-se as duas ocasiões em que foi rezado o Pai Nosso.

A hora em que mais rezei foi quando uma ginecologista deu uma palestra sobre métodos anticoncepcionais. Falou com detalhes de todos eles, inclusive da pílula do dia seguinte, que não é método anticoncepcional, mas abortivo. Só esqueceu de falar da tabelinha. Confesso que sempre estive preparado para ouvir pregação anti-cristã na mídia, na missa, em todo lugar, mas jamais imaginei que a igreja me obrigasse a ouvir uma pregação anti-cristã orientada por ela própria. Que façam pregação anti-cristã na missa, até aceito, porque não sou obrigado a ir à missa (sou obrigado, de certa forma, pelos dogmas da igreja, mas não sou proibido de me casar, por exemplo, se não freqüentar a missa) e posso escolher a missa que achar melhor. Mas que me exijam como condição para casar que antes seja torturado dentro da própria igreja, foi um pouco demais. Nunca minha fé foi colocada em xeque de uma maneira tão direta. E, graças a Deus, passei no teste.

Depois de todos esses absurdos, um senhor de meia-idade, de feição inocente, nos explicou, como conclusão do curso, que ele era obrigatório porque a igreja anda muito liberal e que é preciso torná-la um pouco mais conservadora. Para tanto, aquele curso servia para orientar os casais a seguirem os preceitos da religião católica antes de casarem. Não, não pensem que voei no pescoço dele e lhe arranquei a cabeça fora. Sou um cristão, afinal. Sequer tive vontade de fazê-lo. Mas confesso que em outros tempos, não apenas teria pensado como o teria feito.

O sujeito conseguiu chegar a uma conclusão que é o inverso perfeito da realidade. Uma proeza inimaginável de perversão! Se ele é consciente ou pelo menos semi-consciente do fato, não me interessa nem um pouco.

Que aquilo que está começando como tortura possa acabar em felicidade.

1 Comments:

  • Sinto imensamente que tenha sido assim como você disse , porém não generalize as coisas.Faço parte de uma pastoral de encontro pré-matrimoniais e buscamos com caridade auxiliar os futuros casais a tomarem uma decisão consciente através da palavra e de nosso testemunho.Além disso somos preparados constantemente através do magistério,tradição ,catecismo da igreja católica e um arsenal de livros que a igreja oferece além das formações.Isso que aconteceu é grave e como menbro dessa igreja te peço perdão.Penso que você deveria procurar o Bispo e relatar o acontecido.E quem sabe futuramente ajudar na evangelização fazendo parte dessa equipe e dando sua contribuição.A paz de Jesus e felicidades em seu matrimônio.

    By Anonymous Marleide, at 10:15 da manhã  

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