A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, março 09, 2004

A única psicoterapia válida - última parte

Não pensem que Frankl era do tipo que acreditava que a solução para todos os nossos males seria encontrada na correção do espírito. Tenho certeza que ele aprovaria e prescreveria os antidepressivos modernos, por exemplo. Com bom senso, é claro, e não da forma abusiva que são usados hoje.

Porque, segundo ele, o homem tem 3 dimensões: a física, a psíquica e a espiritual. As doenças que afetam a dimensão física e psíquica têm reflexo na espiritual, é claro. E o objetivo do homem não deve ser o de dificultar o aprimoramento do espírito, mas sim o de facilitar. Como está provado, a depressão tem origem externa e interna (endógena), e é evidente que, em muitos casos, o componente endógeno sobressai. Seria aqui que os antidepressivos seriam mais indicados.

Mas o mais importante é que, pra Frankl, com ou sem a correção dos males físicos e psíquicos, a melhora da dimensão espiritual sempre acarretará um bem para o homem, e sem isso, de nada adianta corrigir os males físicos e psíquicos. Eles se apresentarão de uma outra forma. Pois aquele que não encontra um sentido para sua vida, nunca vai estar são.

O problema da psicologia profunda é que nos faz crer que devemos nos concentrar em nós mesmos para resolvermos nossos problemas. E é isso que impede o homem de desenvolver seu espírito.

Darei um exemplo. Um homem ficou impotente depois que soube de uma grave doença que atingiu a sua mãe. Ela acabou melhorando, mas sua potência não. Sua esposa procurou Frankl, que não pôde atendê-la no momento mas ouviu o caso com brevidade e recomendou que não tivessem relação sexual enquanto ela não voltasse a falar com ele, dentro de uma semana. Quando voltou a encontrá-lo, a mulher disse que não conseguiu seguir a recomendação dele até o fim, e que no dia anterior o marido havia recuperado a potência e, assim, fizeram amor. Pronto, caso resolvido. O que aconteceu? O homem não conseguia ter ereção, a princípio, porque dirigia a atenção para a doença de sua mãe, o que é natural, mas depois continuou sem tê-la porque dirigia sua atenção para o próprio pênis. Quando foi proibido de ter relações sexuais, esqueceu-se do seu órgão e aumentou o desejo por sua mulher e, com isso, pôde fazer amor com a esposa normalmente.

É sempre essa a solução de Frankl: orientarmo-nos para algo, para alguém e para Deus. Porque essa é a única forma de crescermos espiritualmente. E o crescimento do espírito não apenas ameniza os males do corpo e da mente como impede que eles se manifestem repetidamente.