A Barbárie dos Tempos Modernos

sexta-feira, março 05, 2004

A única psicoterapia válida - parte 1

Para obter alívio de suas dores e se sentir melhor, ninguém precisa de psicoterapeuta. Um bom amigo pode dar conta do recado. E geralmente desempenha a função mais adequadamente. O problema é que já não há mais amigos que disponham de uma hora por dia duas ou três vezes por semana. É aí que a psicoterapia leva vantagem. Mas, a depender do método utilizado, o prejuízo pode ser insuperável. Quase sempre, quanto menos ortodoxo, melhor o terapeuta.

A única exceção à regra é a logoterapia e a análise existencial de Viktor Frankl.

Para que se tenha uma idéia do quanto a proposta do neuropsiquiatra difere das demais, apenas direi que é a única que conheço que pode ser aplicada ao homem como tal e não apenas ao animal humano.

Deixo que o próprio autor se explique melhor:

Freud ensinou a todos nós a ver no homem apenas um ser interessado na busca do prazer. Como ele afirmou diversas vezes, o princípio de realidade não é outra coisa senão uma extensão do princípio de prazer, e sempre a serviço do princípio de prazer, cujo objetivo continua sendo: "prazer e nada mais que prazer".

Mas, segundo ele próprio, o princípio do prazer está a serviço de outro princípio mais abrangente - o princípio de homeostase - , cuja meta é a redução do equilíbrio interno.

Apesar disso, o que realmente se percebe no marco da imagem freudiana do homem é aquela característica fundamental da realidade humana, que eu chamo de sua dimensão auto-transcendente. Com esse termo, quero assinalar o fato intrínseco de que o ser humano sempre está relacionado com e aponta para algo diferente de si ou, para dizê-lo mais exatamente, para algo ou alguém. Ou seja, mais propriamente do que parecer preocupado com alguma circunstância interna, seja o prazer ou a homeostase, o homem se orienta sempre para o mundo externo. Em virtude do que eu chamaria autocompreensão ontológica pré-reflexiva, o homem sabe que está se auto-realizando na medida em que se esquece de si mesmo ao se dar, ao se entregar, seja servindo a uma causa nobre, seja amando outra pessoa. A autotranscendência é a essência da natureza humana.

A segunda das duas escolas clássicas vienenses de psicoterapia - a psicologia adleriana - também não leva a autotranscendência suficientemente em consideração. Adler vê o homem sobretudo como um ser que luta para superar uma condição inferior, qual seja, seu sentimento de inferioridade, do qual ele tenta se desvencilhar encetando a busca competitiva da superioridade, que, em grande medida, coincide com a "vontade de poder" nietzschiana.

Na medida em que uma teoria da motivação gira em torno da "vontade de prazer" ou em torno da busca compensatória adleriana da superioridade, ela demonstra ser um exemplo típico da chamada "psicologia da profundidade". Ter-se-ia de opor a ela uma psicologia da altura, que leve em consideração as aspirações superiores da psique humana: não só a busca de prazer e de poder, mas também a vontade de sentido.


Atualmente, a vontade de sentido encontra-se frustrada em escala mundial. E isso é facilmente explicável. Um dos motivos foi a própria propagação da Teoria de Freud, que tem por base uma neurose, e busca, portanto, tornar o homem um neurótico. A psicanálise é apenas isso, não se enganem: uma boa tentativa de fazer com que o homem tenha por objetivo ser neurótico. Como é possível comprovar, o sucesso do Sr. Sigmund neste sentido foi estrondoso. É verdade que não o conseguiria sem a ajuda de boa parte dos filósofos modernos, mas a sua contribuição foi gigantesca.

Em outros posts, sempre com a ajuda de Viktor Frankl, darei exemplos típicos de homens que são neuróticos justamente porque seguem à risca as teorias de Freud e/ou Adler.

2 Comments:

  • Parece-me uma grande parvoíce aquilo que diz o seu último post, principalmente lido por alguém que estuda Psicologia há 5 anos. Um conselho, leia mais, muito mais e repense a sua idéia...

    By Anonymous Anónimo, at 5:38 da tarde  

  • Gostei muito da crítica(leve!) ao Freud, Jung também faz alusão a esta neurose de Sigmund em falar que a alma humana é um simples querer sexual(ele deve ter lido demais Schopenhauer e de maneira unilateral!)... Adler e Jung exploram a alma mais profundamente ...enquanto Freud masturbou-se muito com os arquétipos da sexualidade!

    By Anonymous Lectoriumm, at 3:36 da tarde  

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