A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, março 06, 2004

A única psicoterapia válida - parte 2

Simbolicamente, um dos significados da luz é a Verdade. Até mesmo em desenhos animados, quando algum personagem tem uma idéia brilhante (alguma verdade antes desconhecida), colocam uma lâmpada acesa em cima de sua cabeça.

Em várias religiões, os mortais comuns não podem olhar diretamente para a verdadeira Luz. Ficam cegos se assim o fazem. No Antigo Testamento, nem Moisés conseguia olhar diretamente para Ela. E quando ele desce o monte Sinai, com o rosto resplandecente, por ter falado com Deus, o povo de Israel não consegue olhá-lo de frente. Para os ignorantes, a verdade cega. Eles não podem suportá-la.

Quando mentimos diariamente para nós mesmos, estamos fugindo da Luz. Caminhamos em direção às trevas. Não é por acaso que a psicologia da profundidade tem esse nome. Ela nos leva ao fundo do poço. Ficamos totalmente sem esperança. Por isso, Viktor Frankl contrapõe a ela a psicologia da altura. Somente uma psicologia da altura poderia nos ajudar a caminhar em direção à Luz - porque Ela está sempre no alto -, mesmo que saibamos que levará muito tempo até que possamos encará-La diretamente.

E por que a psicologia da profundidade nos leva mesmo ao fundo? Porque nos dá motivo para justificarmos nossos erros diários. Nela, obtemos desculpas para as nossas faltas, deixando de sermos responsáveis por elas.

Até em simples exemplos, podemos perceber a influência perversa dessa psicologia. Como já disse, ela estimula os homens a terem a si mesmo como foco, concentrando suas ações neles próprios. Um marido pergunta a sua mulher, por exemplo, por que ela está se enfeitando tanto se não sairão nem receberão ninguém naquele dia, e ela responde que está fazendo aquilo para o seu próprio bem-estar. Ora, o seu bem-estar não pode ser o de agradar a si mesma. Provavelmente, ela está fazendo aquilo para agradar ao marido, mas anos e anos de propaganda feminista a levou a imaginar que seria mais sublime se enfeitar para si mesma. E um dia ela acaba se enfeitando para si mesma realmente. Ai já estará neurótica.

A criminalidade, por exemplo, o quanto não se sente justificada e estimulada pela psicologia da profundidade? Quantos novos criminosos por dia ela ajudou a criar?

Na última parte, vou me concentrar na resposta de Viktor Frankl para tudo isso.