A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, março 14, 2004

A Racionalização do Terror

O terror não tem causas por romper precisamente com toda explicação racional. Não faltarão intelectuais partidariamente engajados que, sob o manto da apresentação de causas, tentarão passar o injustificável como justificável, isto é, como compreensível. A gratuidade do terror significa, precisamente, que ele nasce de atos de vontade que somente se aproveitam de problemas existentes para imporem suas próprias condições. Líderes terroristas utilizam massas sofridas e despreparadas em proveito próprio, relegando-as à posição de fantoches. A pretensa apresentação política desses atos terroristas como sendo justificáveis, como uma reação normal à globalização ou ao americanismo, é uma partidarização da questão que procura mascarar o fundamental, a saber, a defesa ou não da humanidade. Irrompeu em nós o sentimento de insegurança de uma humanidade suspensa. O que lá aconteceu pode ressurgir em qualquer parte do mundo. A banalização do conhecimento, ao procurar fornecer uma causa para torres que desmoronam e indivíduos que subitamente desaparecem, é nada mais do que uma outra faceta do que Hannah Arendt chamava de banalidade do mal. Civilização ou barbárie, eis os termos da questão.

O filósofo Denis L. Rosenfield escreveu isso em seu livro Retratos do Mal, publicado após o ataque às torres gêmeas.

De lá para cá, além do ataque dos EUA ao Iraque - sem julgar se foi uma atitude correta ou desastrada - , nenhuma atitude efetiva contra o terrorismo foi tomada. E, em grande parte, isso se deve às inúmeras tentativas de racionalizá-lo e torná-lo algo compreensível.

Observação: Se você achou que o post abaixo não faz muito sentido, leia o que o Júlio Lemos escreveu no post do último dia 12 de março. Parece que ele concorda inteiramente comigo.