A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, abril 06, 2004

Como viver de saudade

A vida é uma constante saudade da eternidade. Todos os nossos desejos são movidos e orientados por ela. Aquilo que fazemos para alcançar a felicidade são pálidos projetos que nunca atingem seus objetivos, pois são apenas sombras do que representam no mundo etéreo. Mas a forma como vivemos essa saudade nos torna bem diferentes uns dos outros.

Há os que preferem esquecê-la e tentar agir como se seu desejo pudesse ser completamente saciado no presente. Então criam cópias tanto mais pálidas dessas sensações quanto maior a sua crença nessa concretização. Entregam-se aos prazeres mais vis e experimentam todos os tipos como se a quantidade fosse lhes trazer a completude.

Outros se conformam em não saciá-la no presente e até aumentam cada vez mais o tamanho da saudade à medida que vislumbram a eternidade cada vez mais intensamente. A vida é para eles uma preparação para serem dignos de alcançá-la. E essa preparação é vivida saciando os prazeres que mais se assemelham com ela, mas com a consciência de que não passam disso.

Os socialistas exigem que a eternidade desça à terra.

E os ateus que ela se afaste o suficiente para que eles possam esquecê-la.

Tudo muito inconscientemente, claro, porque é mais conveniente.