A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, abril 04, 2004

Minha deformação

Quando li que o Pedro Sette começou a ler a Suma Teológica aos 12 anos, imediatamente tentei lembrar o que fazia nessa idade. E nada do que lembrei me permitiria escrever algo com o mesmo título, por isso resolvi modificá-lo.

Tive uma educação católica até os nove anos. Aos dez, muito mais cedo que o Janer Cristaldo, já sabia que Deus não existia. Aos doze, passei a integrar uma banda de punk rock intitulada O lisossomo e suas enzimas hidrolizantes. Era a enzima responsável por compor as letras, já que não tocava nenhum instrumento. Ouvíamos Slayer, AC/DC e Iron Maiden. Logo de cara, me pediram para escrever algo provocante, que falasse de morte. Sentei e escapuliu do meu frágil cérebro:

Passar o dia sem notar,
Amanhecer sem perceber,
Adormecer, não sonhar,
Não acordar nem se mexer,
Preso numa caixa
Sem saber por quê.
Pra que viver a vida
E um dia morrer?


Era o refrão. Fez sucesso na escola. Mas só lá, graças a Deus. Apesar de ter escrito aquilo sem nem pensar no que estava fazendo, aos poucos comecei a refletir sobre a letra. A certeza de que Deus não existia, que acompanha o Cristaldo até hoje, tornou-se dúvida e, muito depois, certeza de que ele não poderia deixar de existir. O caminho que percorri não é muito engrandecedor, mas talvez escreva uma breve continuação.

***

Aconselho aos que ainda não tentaram: após acordar de uma bela soneca num domingo à tarde, ouvir o Concerto para Piano 21 em Dó maior de Mozart