A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, abril 18, 2004

O Novo Testamento segundo a CNBB

Há poucos dias, minha esposa comprou um livro do Novo Testamento comentado. Há muito tempo, criamos o hábito de ler a bíblia à noite, seguida de alguns textos de Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino e outros autores. A princípio, não me interessei pela origem nem edição do livro, porque continuamos a usar a que já tínhamos, e somente os comentários desta outra edição eram acrescentados à leitura.

Num certo dia, a passagem era sobre o dia em que Jesus lavou os pés de seus discípulos. Há um trecho em que Pedro diz: Tu não vais lavar os meus pés nunca. E o comentário era o seguinte: Pedro resiste, porque ainda acredita que a desigualdade é legítima e necessária. Ora, o que podemos entender dessa interpretação? Que não existe diferença alguma entre Jesus e os apóstolos. E, se for levada mais adiante, que não existe diferença entre Jesus e os outros homens. Depois de explicar à minha esposa que aquilo era um erro grave, apressei-me em procurar o responsável por aquela bobagem. E não poderia ser diferente: era uma edição elaborada e comentada pela CNBB, a mesma que agora passou a achar justa tanto a invasão de terras improdutivas quanto produtivas.

Esse é um dos momentos simbólicos mais significativos do Novo Testamento. Após a fala de Pedro, Jesus responde: Se eu não te lavar, não terás parte comigo. E Pedro replica: Senhor, então podes lavar o meu corpo inteiro. Mas Cristo explica: Quem já tomou banho, só precisa lavar os pés, porque está todo limpo. E nenhum comentário foi feito pela CNBB sobre esta continuação da conversa, justamente onde está o que há de mais importante. A lavagem dos pés simboliza A Graça, que só Jesus pode oferecer aos homens, que serão responsáveis, com a ajuda do Batismo, por lavar o seu corpo, evitando os pecados, mas que nunca poderão ser salvos sem A Graça de Deus.

Há que se reconhecer que pelo menos um trecho do comentário está correto: a autoridade só pode ser entendida como serviço aos outros. Mas fica a pergunta: a quem a CNBB está prestando serviço?