A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, maio 25, 2004

Fora da realidade

Estive conversando com meu primo. Ele sempre votou no PT. O único livro com mais de 100 páginas que leu até hoje, com exceção de livros técnicos, foi a biografia de Che Guevara. Antes dessa conversa, havia me dito que estava revoltado com o fato de ter que pagar seis mil reais de imposto de renda. Sugeri que, se isso o incomodava, da próxima vez votasse em alguém cuja proposta possibilitasse uma redução dos impostos.

Durante a conversa, voltou a defender o PT e Lula. Lembrei-lhe que eram eles os responsáveis pela alta quantia de impostos que pagava. Não adiantou, estava indignado com o repórter do NYT e defendia o Governo com unhas e dentes.

Percebam a diferença entre o voto de um pobre e o voto de um indivíduo de classe média. O pobre pode até se vender por uma dentadura, mas consegue ligar a teoria aos fatos. Se o sujeito se elege e não manda cobrir os buracos e os esgotos da rua em que ele mora, não vota mais nele. Já a dita classe média letrada não. Imbuída de um falso amor pela humanidade (concebida assim abstratamente), acha que aquilo que lhe prejudica não está diretamente relacionado à atuação daquele que tomou a medida que lhe causou danos. Sem nenhum conhecimento teórico político-econômico nem de história, adere a hipóteses que lhe desligam completamente do mundo real com a mesma facilidade com que um coelho é guiado por uma cenoura.

É mais inteligente e até mais sincero quem troca o voto por um punhado de feijão do que aquele que é lesado e incapaz de perceber quem o lesou.

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Confira meu novo artigo no Oito Colunas.