A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, maio 02, 2004

Um caipira na Cidade Grande

O problema começou no avião. Não. Começou quando o vimos. Era menor que um velocípede. Minha esposa bateu pé firme e disse que ali não subia. Quase tremendo de medo, mantive a postura e chacoalhei-a pelo braço, proferindo frases de efeito prático. A aeromoça nos recebeu muito bem, respondendo risonhamente à pergunta de quanto tempo aquela coisa conseguia permanecer no ar. Orações. Para nossa surpresa, um vôo muito tranqüilo.

Chegamos em Campinas. Palestras. Pensei em dizer o que achei delas, mas vai ficar para outra oportunidade. Pareceu-me que seria um pouco repetitivo frisar que um dos professores, após apresentar trabalhos de inúmeros pesquisadores americanos e revelar que sua própria pesquisa só era possível devido ao apoio de uma empresa americana, esculhambou os EUA.

Numa choperia, os entusiasmados oradores nos fizeram conhecer o autor de um livro sobre a Capela Sistina que descobriu - pasmem! - que nada daquilo tem a ver com religião. É tão somente um tratado de anatomia. O livro está sendo lançado esta semana. Ao meu discreto questionamento, responderam que ele teve apoio dos professores de Arte da USP. Acreditem: nem ameacei dar risada. Meu intestino é que não se conteve e entrou em espasmo. Quase o senti gargalhando.

Também resolvi não falar sobre a parte em que tentaram nos convencer de que a seleção natural, sendo um fator de preservação da espécie, é também a responsável (adivinhem?) pela transformação das espécies. E viva a Darwin!

Estava chegando o momento. Sim, o momento tão esperado, de irmos para São Paulo e fazer o que verdadeiramente nos daria prazer: visitar os sebos e as livrarias, encontrar com o Fabio e a Ana. Quanta alegria! Se fazer amigos virtuais é bom, conhecê-los pessoalmente é muito melhor. E ainda tive a sorte de encontrar também com o Rodrigo. Inesquecível. Obrigado a vocês.