A Barbárie dos Tempos Modernos

quinta-feira, junho 17, 2004

Filas

Só há uma coisa que eu detesto mais do que banco: fila de banco. Não gosto de nenhum tipo de fila, mas sinto um ódio todo especial por fila de banco. Aliás, duvido da sanidade mental de qualquer um que diga se sentir bem num banco. Um local onde só há gerentes e caixas, todos treinados para superar a chatice inerente às suas pessoas, papéis e mais papéis que nada valem se alguém não der um autógrafo (é verdade que um livro autografado também pode valer mais, mas sem ele não perde o valor), e dinheiro, muito dinheiro. Espere aí, vai dizer que você também detesta dinheiro? Sim, detesto. Gosto das coisas que compro com o dinheiro, mas gostaria muito de não precisar dele. Diria que o dinheiro é um mal necessário. Sim, é isso.

Mas voltando à fila de banco. Não consigo entender como há quem consiga conversar ali. Minha mente não pára de pensar em todas as outras coisas que poderia estar fazendo se não estivesse ali. E passo todo o tempo me torturando com isso. Ora, mas é natural que seja assim. Quem não se tortura com isso é que não é normal. Uma vez tentei ficar prestando atenção em tudo para escrever uma crônica. Não consegui nem por 2 minutos. Logo me peguei imaginando qual seria o próximo livro que compraria para compensar aquele tempo perdido.

E só porque eu detesto fila de banco, cada vez mais me enviam documentos impossíveis de serem pagos pela internet ou no caixa eletrônico. Sinto que estão conspirando contra mim. Daqui a pouco vão criar a fila de banco na internet.

Certa vez, fui a uma congresso em que todas as palestras tinham fila. Comecei a notar que as pessoas começaram a escolher as palestras pelo tamanho da fila. Fiz o mesmo, apenas escolhi as menores.

Na próxima eleição, votarei no candidato que prometer acabar com todas as filas, especialmente as de banco.