A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, setembro 04, 2004

Na volta, serenidade e melancolia

Este blog está no ar há um ano e meio. Antes de criá-lo, escrevia n'A Barbárie dos Tempos Modernos - cujo título, infelizmente, parece-me cada vez mais atual -, que durou uns seis meses. Durante todo esse tempo, fiz bons amigos, alguns dos quais tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, o que me trouxe muita alegria. Mas é muito difícil manter um blog constantemente atualizado, principalmente quando o autor carece de talento literário e criatividade. Na tentativa de remediar o problema, criei o Oito Colunas, contando com a colaboração de inestimáveis amigos.

Precisava parar um pouco, porque percebi que "postar" estava se tornando algo mecânico. Resolvi me dedicar um pouco mais aos estudos. Pela primeira vez, tentei ordená-los. Sempre li muito aleatoriamente: filosofia num dia, história no outro, religião aqui, física acolá. Decidi me concentrar por um tempo na filosofia. Juntei os livros e organizei-os de acordo com minhas pretensões. Comecei por Mário Ferreira dos Santos. Voltei ao básico: introdução à filosofia.

Também passei a me dedicar mais à observância da vida cristã. Não apenas através dos estudos, mas também da prática diária. As críticas que sempre fiz à Igreja começaram a me incomodar, porque me parecia algo muito fácil de fazer. Difícil é dar alguma contribuição verdadeiramente positiva. Foi quando comecei a procurar por padres que tivessem uma boa noção da Tradição Católica. Com alguma dificuldade, acabei encontrando. Agora, minha intenção é participar do Movimento Sacerdotal Mariano, do qual participam alguns dos sacerdotes que conheci.

O que mais me entristeceu foi a reação de alguns amigos. Não tanto os meus, porque tenho muito poucos, mas os da minha esposa. Algumas pessoas chegaram a desconsiderar completamente qualquer argumento que ela apresentasse simplesmente porque se baseiam na doutrina católica. A maioria de suas amigas é espírita - esta coisa sublime, quase científica em sua formulação - e não aceita posicionamentos "irracionais", baseados "unicamente" na fé.

O maior desafio de um cristão hoje é descobrir um meio de falar aos outros o que pensa - contribuindo para a edificação alheia - sem ser considerado louco, alucinado e imediatamente internado com direito a camisa-de-força.

Estudando, descobri algo que não me parecia tão óbvio assim: não foi apenas Mário Ferreira dos Santos que defendeu com unhas e dentes o argumento ontológico de Santo Anselmo. Um outro filósofo brasileiro também o fez: chama-se Olavo de Carvalho. Segundo ele, aquilo que é auto-evidente só pode ter uma contraditória equívoca, nunca unívoca, o que se aplica perfeitamente ao argumento de Santo Anselmo.

***

Depois dos últimos acontecimentos políticos, alguns dos meus amigos passaram a levar um pouco mais a sério aquilo que vinha lhes dizendo há mais de 4 anos. Um deles até considerou a possibilidade de que eu estivesse certo, ao que agradeci prontamente, tal como um cachorrinho que acaba de ser premiado pelo seu dono com um delicioso biscoito. No dia seguinte, numa festa, ouvi uma professora respondendo a um rapaz que lhe perguntou em quem votaria para prefeito: "no PT, quero mudança". Não sei de qual dos dois fiquei com mais pena, se do meu amigo ou da professora.