A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, outubro 30, 2004

A burrice suicida

Às vezes tenho a impressão que coisas assim só acontecem no Brasil. O cara sempre fez apologia do crime, foi baleado por um criminoso e ainda insiste em continuar apoiando os bandidos. Vá ser burro assim no inferno!

quarta-feira, outubro 27, 2004

Por um mundo menos cientificista

É engraçada essa mania dos cientistas modernos de acharem que só eles podem dar palpites na sua área de atuação. Uma vez publiquei um post em que dizia que o Projeto Genoma tinha sido um fiasco, alegando as razões e tudo mais. Uma furiosa geneticista deixou um comentário agressivo, chegando a indagar se eu acreditava que o homem pisou na lua. Pois que agora me esbarro com este artigo, que me dá toda a razão.

terça-feira, outubro 26, 2004

Um pouco de Chesterton

Do livro São Francisco e Santo Tomás de Aquino:

"Aristóteles descrevera o homem magnânimo, que é grande e sabe que é grande. Porém, Aristóteles nunca teria recuperado sua própria grandeza não fosse o milagre que criou o homem mais magnânimo, aquele que é grande e sabe que é pequeno."

"O homem que não está pronto para discutir é aquele que está pronto para desdenhar."

"Um homem pode ser um cético fundamental, mas não pode ser mais nada, certamente nem mesmo um defensor do ceticismo fundamental." (Essa é uma das minhas preferidas)

"A maioria dos céticos fundamentais aparentemente sobrevive por não ser coerentemente cética e por não ser nem um pouco fundamental." (Mas essa consegue ser melhor)

"O homem pragmático se propõe ser prático, mas o que é prático para ele mostra ser inteiramente teórico. O tomismo começa sendo teórico, mas sua teoria revela-se inteiramente prática."

"Tomás reconhece com muita razão que a matéria é o elemento mais misterioso, indefinido e desprovido de características distintivas , assim como reconhece que o que dá a cada coisa sua identidade é a forma. A matéria é, digamos assim, não tanto a coisa sólida quanto a coisa líquida ou gasosa que existe no cosmos; e nesse aspecto a maioria dos cientistas modernos começa a concordar com ele."

"Tem havido uma disposição bastante desproporcionada, na ciência popular, para transformar o estudo dos seres humanos no estudo de selvagens. E a selvageria não é história : é o começo ou o fim da história."

"´Existe um existente'. Essa é a credulidade de monge que Santo Tomás nos pede para ter no começo. Bem poucos descrentes começam nos pedindo para crer em tão pouco."

"A maioria dos pensadores, ao perceber a aparente mutabilidade do ser, esqueceram o que eles mesmos haviam percebidos antes, o próprio ser, e acreditam somente na mutabilidade. Esses pensadores nem mesmo podem dizer que uma coisa se transforma em outra; para eles, não um instante no processo em que uma coisa seja uma coisa. A coisa é somente uma mudança. Seria mais lógico chamar a coisa de nada se transformando em nada do que dizer que houve ou haverá um momento em que cada coisa foi ou será ela mesma. Santo Tomás sustenta que a coisa comum é a qualquer momento algo existente, mas não é tudo o que pode ser. (...) O defeito que vemos naquilo que existe é simplesmente o fato daquilo não ser tudo o que existe. Deus é mais real do que o homem, e até mais real do que a matéria; porque Deus, com todos os Seus Poderes, é a todo instante imortalidade em ação."

"Há em toda parte uma potencialidade que ainda não alcançou seu fim em ato. Mas se essa potencialidade é definida, e se essa potencialidade só pode ter como fim um ato definido, então existe um grande ser no qual todas as potencialidades já existem como um plano de ação. Ou seja, é até impossível dizer que a mudança é para melhor, a não ser que exista um melhor, tanto antes como depois da mudança. Do contrário, ela será de fato mera mudança, como querem todos os tipos de céticos e os mais sombrios pessimistas. Suponha que 2 caminhos inteiramente novos se abram diante do progresso da evolução criativa. Como o evolucionista saberá que além é melhor, a não ser que aceite, a partir do passado e do presente, algum padrão do melhor ?"

"Essa estranheza das coisas, que é a luz em toda poesia, e na verdade em toda arte, na realidade está vinculada com sua alteridade, ou com aquilo que é chamado sua objetividade. O que é subjetivo tem que ser inerte, e é exatamente o que é objetivo que é, dessa maneira imaginativa, estranho. (...) No subjetivista, a pressão do mundo obriga a imaginação a se voltar para dentro. No tomista, a energia da mente obriga a imaginação a se voltar para fora, mas porque as imagens que busca são coisas reais. Todo o seu aspecto romântico e encantador reside , digamos assim, no fato de elas serem coisas reais; coisas que não vamos encontrar olhando para o interior, para a mente. A flor é uma visão porque não é só uma visão. Ou, se se preferir, é uma visão porque não é um sonho. É isso que constitui para o poeta a estranheza das pedras, das árvores e das coisas sólidas : elas são estranhas porque são sólidas." ("elas são estranhas porque são sólidas" - não é maravilhoso?)

segunda-feira, outubro 25, 2004

Já somos um país anti-católico?

Fui à livraria Paulus e comprei Diário de Um Pároco de Aldeia. Ao chegar em casa, lembrei que deveria ter aproveitado a ocasião para escolher o presente de uma amiga católica que havia aniversariado há poucos dias. Fiquei com preguiça de voltar devido à distância. Então me dirigi ao Iguatemi na esperança de encontrar um bom livro católico para presenteá-la. Havia três livrarias. Na seção de uma delas, onde estava escrito Cristianismo, todos os exemplares eram heresias gritantes. Nas outras, nem sequer havia uma seção destinada às religiões, apenas ao esoterismo, e só havia livros espíritas e outras bobagens. Para resumir, consegui achar, por um milagre, os sermões do padre Antônio Vieira. Quanto tempo durará até que a própria bíblia desapareça das livrarias comuns?

sexta-feira, outubro 22, 2004

Abandonado por Deus

Já disse outras vezes, neste blog, que a culpa da maioria dos males do mundo moderno é de Descartes. O incrível é que, apesar da facilidade que há em refutar suas idéias, sua filosofia continua influenciando cada vez mais as novas gerações. É mais fácil refutar Descartes do que roubar pirulito da boca de criança. É mais fácil que abrir os olhos ao acordar.

Mas não vou me referir aqui à sua obra, porque já o fiz anteriormente. Estive matutando sobre outro aspecto. Pensei qual deve ter sido a reação de Deus ao perceber que o filósofo recorreu a Ele para transpor a barreira entre o eu e o mundo. Como todos devem saber, o eu de Descartes era isolado do mundo, e apesar disso, foi desse eu que ele partiu para não se deixar enganar pelo mundo. Sua suspicácia foi tão grande que, se seguisse esse caminho, teria que reconhecer que todo o mundo exterior, incluindo seu próprio corpo, seria um ledo engano. Então recorreu a Deus, dizendo que Deus era muito bom e não faria uma brincadeira dessa, criando o mundo só para enganá-lo. Foi quando Deus deve ter levantado e dito: "Ei, espere aí, me tire dessa encrenca. Não tenho nada a ver com isso. Resolva seus problemas sozinho. Tô fora." Mas Descartes não ouviu. Ele só tinha ouvidos para o seu próprio eu.

quarta-feira, outubro 20, 2004

A força da esquerda

Lendo O Século do Nada, de Gustavo Corção, comecei a me perguntar como é possível que inteligências como as de Maritain e Alceu Amoroso Lima tenham se entregado à causa esquerdista em fases adiantadas de suas existências. Homens verdadeiramente bem formados, com um conhecimento metafísico invejável, por um deslize qualquer, de repente estavam lá, colaborando com o inimigo, servindo ao diabo.

Quem lê a obra filosófica de Maritain tem dificuldades para crer neste fato. Mas o que se pode concluir dele é que a força da esquerda é tão grande que somente os verdadeiramente humildes estão protegidos da sua influência. E isso serve para muitos daqueles que se crêem liberais e anti-esquerdistas pelo simples fato de serem contra o Estado. A esquerda é muito mais do que eles pensam. A história dirá o quanto eles a serviram sem o saber.

segunda-feira, outubro 18, 2004

Nem prêmio, nem literatura: política.

Religião e Rap Cubano

E lá estava eu. Por mais que tivesse me visto naquele aniversário, não me reconheci quando me encontrei prostrado naquele sofá azul. A noite cheirava a pizza. Tentava, em vão, pensar nas considerações simbólicas de Paulo Mercadante. O cara mais interessante que encontrei para conversar foi um negro que só gosta de música negra. Disse-me que religião é algo que se sente, não pode ser estudada. "Claro, eu mesmo ando tendo visões sempre que a lombalgia me ataca, e estou certo de que ela está me aproximando de Deus". Mas resolvi ser cortês e elaborei alguns argumentos meio despretensiosamente, ao final dos quais ele, com cara de intelectual, afirmou que entendia perfeitamente o que eu tinha dito, mas continuava achando que religião é algo que se sente no coração. "Pronto, minha religião lombálgica foi por água abaixo, agora terei que criar a seita do Infarto do Miocárdio e da Angina Pectoris". Contive-me mais uma vez.

Rap cubano. Som baixinho, havia recém-nascido dormindo no quarto. Espere aí : rap cubano ? Rap não é música de protesto político e social ? Explicação : o rap cubano é exceção, descreve a tradição cubana. Ah, bom. Imaginei.

Voltando à religião. Você entendeu, não é simples ? Agora, é só começar a ler sobre o assunto. Sim, ele entendeu, mas não vai ler porque acha que, na verdade, religião é algo que se sente na pele. E eu rezando para que se sentasse na cadeira onde duas enormes formigas mordiscavam um pedacinho de pizza. "Sente agora ? Que tal a religião das Formigas Comedoras de Pizza ?". Calei-me. E fui conversar com os dois amigáveis insetos. Pelo menos tínhamos uma coisa em comum : a preferência pelo mesmo tipo de pizza.

quarta-feira, outubro 13, 2004

A crise segundo Mário Ferreira dos Santos

"Estamos, afirmam, na época de maior descrença, mas numa época fanática e também irônica. Ou há loucos obstinados ou irônicos que de tudo sorriem.

E essa desesperança trouxe a inversão dos valores mais altos, a inversão nas hierarquias. E desde aí começou a ascensão dos tipos mais baixos, para o que colaborou o capitalismo, e daí, como decorrência, surgirem o primarismo, a improvisação, a auto-suficiência dos medíocres.

Mas decepções esperavam o homem, como ainda o esperam e o esperarão em todas as esquinas da história, e elas, afinal, aprofundaram o abismo, e criaram a esperança de que a crítica fosse capaz de dar os conhecimentos salvadores que as velhas sínteses assim julgavam, não haviam confirmado.

Estamos vivendo a crise analítica, do especialista. Nunca sentimos tanto como hoje a necessidade de concreção.

Mas é preciso ter cuidado para que não nos ofereçam, com rótulo de concreção, velhas visões unilaterais sectárias, geradoras de outras novas modalidades, que apenas vão repetir a velha monodia da brutalidade humana. Cuidado com as pseudo-sínteses, com os inócuos substitutos de Deus, como nos propõem os nossos "religiosos" da matéria e os religiosos da existência, ou outros que julgam que ao substituir os símbolos, substituem os velhos simbolizados.

E o homem, essa grande decepcionado de suas crenças e de suas utopias,sempre malogradas, aceitam as propostas daqueles que se decepcionaram antes dele. Pactua com o imediato, porque o mediato não surgiu; por isso vive os meios que lhe estão próximos, e não mais os fins.

E a crise se torna consciência no homem, quando ele transforma os meios em fins. E por que essa reviravolta? Porque descrê dos fins. E descrê deles porque eram piedosas mentiras que ele colocou onde elas não poderiam estar.

Quereis uma terapêutica para a crise? Deixai surgir os humanos possíveis; mais que possíveis, prováveis; mais que prováveis, atualmente potenciais. Acreditai neles e não temei a crise. Unireis os cumes das montanhas, sem deixar de compreender os vales, que precisam dos cumes para serem compreendidos.

Os homúnculos dos vales ameaçam a perduração dos abismos. E eles se convenceram que a crise se dá porque o homem é heterogêneo, e resolvem: é preciso impedir que se pense.

E como vencereis a crise se, como maus atores, como dizia Epicteto, apenas quereis ter um papel no coro?"

segunda-feira, outubro 11, 2004

Dicas de um professor

Era responsável pelo bumbo da orquestra. Sentia-se orgulhoso do seu trabalho. Tinha que se manter atento aos movimentos dos violinistas, pois não podia errar. Participava pouco, mas quando participava, a música estava sempre no auge. Ah, como gostava daquilo !

Foi quando ficou amigo de um professor universitário.

- Por que só lhe pagam um quinto da remuneração dos violinistas ?
- Ora, porque meu trabalho é mais simples, e exige menos conhecimento.
- Será ? Não foi você mesmo quem me disse que não pode errar ? Que o bumbo é fundamental no auge da música ?
- Sim, mas ...
- Mas nada ! Você tem o direito de receber o mesmo que eles. Afinal, não vivemos num país democrático e igualitário ?

Dois meses depois o professor o encontra num concerto de sua orquestra, mas desta vez na platéia.

- Não acredito que o despediram.
- Pois é, não aceitaram meus argumentos ( com a mão no queixo e o olho vidrado na apresentação )
- Isso não é justo ! Temos que fazer alguma coisa.
- Eu já fiz.
- Isso mesmo, vamos entrar na justiça e alegar preconceito contra a arte de tocar bumbo. Ou talvez promover uma passeata, enviar mensagens pela internet ... Mas me diga, o que você já fez ?
- Estou aprendendo a tocar violino.

sexta-feira, outubro 08, 2004

"Eu não espero que as pessoas gostem ou não gostem do que estou fazendo. Minha platéia só tem um espectador, que é Deus. E eu não espero que Deus goste do que estou fazendo, só peço que Ele me perdoe."

Olavo de Carvalho, em entrevista à Tribuna Independente, na Rede Vida, ontem à noite

quarta-feira, outubro 06, 2004

Um erro crasso de Nivaldo Cordeiro

Respeito as idéias do Nivaldo. Mas dessa vez o erro foi muito feio. Dizer que o pensamento das "pessoas melhor situadas economicamente... é muito mais difícil de manobrar do que aquela situada na camada de renda inferior" é repetir um slogan esquerdista. É justamente o contrário. Se há uma classe que tem se deixado manipular pelos intelectuais, é a classe média. E também a classe alta. A classe baixa é a única que ainda se mantém longe dessa influência, inclusive no que diz respeito aos usos e costumes, principalmente os hábitos religiosos.

segunda-feira, outubro 04, 2004

O voto do ódio

Os soteropolitanos votaram imbuídos de puro ódio. Ódio de ACM, é claro. O atual prefeito, Imbassaí, teve a segunda maior aprovação do país em pesquisas de opinião. O candidato do prefeito, César Borges, quando governador, teve o maior percentual de apoio da população de todo o Brasil. Seria de esperar, portanto, que, sabendo da capacidade administrativa dessas pessoas, o povo elegesse o candidato do PFL ainda no primeiro turno. Ainda mais se considerarmos que todas as vezes que a esquerda assumiu o poder aqui na Bahia, tanto da capital quanto do estado, foi um completo desastre, e isso até os esquerdistas reconhecem.

Os eleitores não votaram com objetivo de escolher um bom prefeito, mas com a intenção de afastar os aliados de ACM do poder, mesmo que eles nunca tenham sido sequer acusados de atos de corrupção ou coisas do tipo. Que fique bem claro que não estou defedendo ACM nem seus aliados. Estou apenas esclarecendo a forma como o soteropolitano escolhe seus governantes.

domingo, outubro 03, 2004

Um erro básico

Deus é o único Singular Universal e o único Universal Singular. Cada vez que o homem tenta superar seus limites - refiro-me ao limite no sentido de barreira à sua universalidade - direciona-se ao infinito. Essa é uma característica do ser humano: tentar se superar, tentar ser mais do que a sua humanidade permite. Essa tendência pode ser e é sempre macaqueada quando o homem procura transpor esses limites no plano horizontal e não no vertical. Ao invés de querer se unir a Deus e tornar-se universal como Ele, planeja se unir aos outros homens numa só consciência amorfa. Este homem pode ser denominado, sem nenhuma margem de erro, de Homem Moderno, porque é o mais típico exemplar dessa raça.

Este tema será desenvolvido e se materializará no meu próximo artigo para o Oito Colunas.