A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, outubro 18, 2004

Religião e Rap Cubano

E lá estava eu. Por mais que tivesse me visto naquele aniversário, não me reconheci quando me encontrei prostrado naquele sofá azul. A noite cheirava a pizza. Tentava, em vão, pensar nas considerações simbólicas de Paulo Mercadante. O cara mais interessante que encontrei para conversar foi um negro que só gosta de música negra. Disse-me que religião é algo que se sente, não pode ser estudada. "Claro, eu mesmo ando tendo visões sempre que a lombalgia me ataca, e estou certo de que ela está me aproximando de Deus". Mas resolvi ser cortês e elaborei alguns argumentos meio despretensiosamente, ao final dos quais ele, com cara de intelectual, afirmou que entendia perfeitamente o que eu tinha dito, mas continuava achando que religião é algo que se sente no coração. "Pronto, minha religião lombálgica foi por água abaixo, agora terei que criar a seita do Infarto do Miocárdio e da Angina Pectoris". Contive-me mais uma vez.

Rap cubano. Som baixinho, havia recém-nascido dormindo no quarto. Espere aí : rap cubano ? Rap não é música de protesto político e social ? Explicação : o rap cubano é exceção, descreve a tradição cubana. Ah, bom. Imaginei.

Voltando à religião. Você entendeu, não é simples ? Agora, é só começar a ler sobre o assunto. Sim, ele entendeu, mas não vai ler porque acha que, na verdade, religião é algo que se sente na pele. E eu rezando para que se sentasse na cadeira onde duas enormes formigas mordiscavam um pedacinho de pizza. "Sente agora ? Que tal a religião das Formigas Comedoras de Pizza ?". Calei-me. E fui conversar com os dois amigáveis insetos. Pelo menos tínhamos uma coisa em comum : a preferência pelo mesmo tipo de pizza.