A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, outubro 26, 2004

Um pouco de Chesterton

Do livro São Francisco e Santo Tomás de Aquino:

"Aristóteles descrevera o homem magnânimo, que é grande e sabe que é grande. Porém, Aristóteles nunca teria recuperado sua própria grandeza não fosse o milagre que criou o homem mais magnânimo, aquele que é grande e sabe que é pequeno."

"O homem que não está pronto para discutir é aquele que está pronto para desdenhar."

"Um homem pode ser um cético fundamental, mas não pode ser mais nada, certamente nem mesmo um defensor do ceticismo fundamental." (Essa é uma das minhas preferidas)

"A maioria dos céticos fundamentais aparentemente sobrevive por não ser coerentemente cética e por não ser nem um pouco fundamental." (Mas essa consegue ser melhor)

"O homem pragmático se propõe ser prático, mas o que é prático para ele mostra ser inteiramente teórico. O tomismo começa sendo teórico, mas sua teoria revela-se inteiramente prática."

"Tomás reconhece com muita razão que a matéria é o elemento mais misterioso, indefinido e desprovido de características distintivas , assim como reconhece que o que dá a cada coisa sua identidade é a forma. A matéria é, digamos assim, não tanto a coisa sólida quanto a coisa líquida ou gasosa que existe no cosmos; e nesse aspecto a maioria dos cientistas modernos começa a concordar com ele."

"Tem havido uma disposição bastante desproporcionada, na ciência popular, para transformar o estudo dos seres humanos no estudo de selvagens. E a selvageria não é história : é o começo ou o fim da história."

"´Existe um existente'. Essa é a credulidade de monge que Santo Tomás nos pede para ter no começo. Bem poucos descrentes começam nos pedindo para crer em tão pouco."

"A maioria dos pensadores, ao perceber a aparente mutabilidade do ser, esqueceram o que eles mesmos haviam percebidos antes, o próprio ser, e acreditam somente na mutabilidade. Esses pensadores nem mesmo podem dizer que uma coisa se transforma em outra; para eles, não um instante no processo em que uma coisa seja uma coisa. A coisa é somente uma mudança. Seria mais lógico chamar a coisa de nada se transformando em nada do que dizer que houve ou haverá um momento em que cada coisa foi ou será ela mesma. Santo Tomás sustenta que a coisa comum é a qualquer momento algo existente, mas não é tudo o que pode ser. (...) O defeito que vemos naquilo que existe é simplesmente o fato daquilo não ser tudo o que existe. Deus é mais real do que o homem, e até mais real do que a matéria; porque Deus, com todos os Seus Poderes, é a todo instante imortalidade em ação."

"Há em toda parte uma potencialidade que ainda não alcançou seu fim em ato. Mas se essa potencialidade é definida, e se essa potencialidade só pode ter como fim um ato definido, então existe um grande ser no qual todas as potencialidades já existem como um plano de ação. Ou seja, é até impossível dizer que a mudança é para melhor, a não ser que exista um melhor, tanto antes como depois da mudança. Do contrário, ela será de fato mera mudança, como querem todos os tipos de céticos e os mais sombrios pessimistas. Suponha que 2 caminhos inteiramente novos se abram diante do progresso da evolução criativa. Como o evolucionista saberá que além é melhor, a não ser que aceite, a partir do passado e do presente, algum padrão do melhor ?"

"Essa estranheza das coisas, que é a luz em toda poesia, e na verdade em toda arte, na realidade está vinculada com sua alteridade, ou com aquilo que é chamado sua objetividade. O que é subjetivo tem que ser inerte, e é exatamente o que é objetivo que é, dessa maneira imaginativa, estranho. (...) No subjetivista, a pressão do mundo obriga a imaginação a se voltar para dentro. No tomista, a energia da mente obriga a imaginação a se voltar para fora, mas porque as imagens que busca são coisas reais. Todo o seu aspecto romântico e encantador reside , digamos assim, no fato de elas serem coisas reais; coisas que não vamos encontrar olhando para o interior, para a mente. A flor é uma visão porque não é só uma visão. Ou, se se preferir, é uma visão porque não é um sonho. É isso que constitui para o poeta a estranheza das pedras, das árvores e das coisas sólidas : elas são estranhas porque são sólidas." ("elas são estranhas porque são sólidas" - não é maravilhoso?)