A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, dezembro 28, 2004

A Igreja em xeque

Aqui

segunda-feira, dezembro 27, 2004

Quem são os excluídos?

Gostaria muito de entender o que significa "excluído". Confesso que minha limitada capacidade intelectual não o permite. Na verdade, eu entendia o que o termo significava, mas já faz algum tempo que deixou de ter o sentido que meu exíguo cérebro era capaz de captar.

Parece-me que hoje o vocábulo designa tão somente o sujeito que não pertence nem à classe média nem à classe alta, e que, portanto, está excluído dessas classes. Mas, se for mesmo esse o significado, porque não dizer "pobre", que é muito mais fácil e objetivo?

A minha explicação é a seguinte: com o tempo, dizer "pobre" já não era enfático o suficiente para produzir no ouvinte o efeito pretendido pela teoria da luta de classes de Karl Marx. "Excluído" traz implícita a idéia de que alguém foi responsável pela exclusão e que, portanto, há um culpado na história. O excluído não é apenas um pobre, mas um pobre que não pode sair dessa condição porque os ricos não permitem.

Posso dar alguns exemplos do quanto essa idéia é verdadeira. Uma senhora, secretária da minha casa, disse-me que nenhuma das suas filhas tinha emprego e que era muito difícil para ela sustentá-las. Resolvemos ajudá-la. Uma delas passou a trabalhar na casa da minha sogra e outra em nosso escritório. Após um mês, a senhora, que tinha 50 anos, disse que estava velha e cansada e que, já que suas filhas já estavam empregadas, preferia deixar de trabalhar. Arranjamos outra secretária. A que ficou na casa da minha sogra resolveu pedir demissão porque não gostava de cozinhar e a que ficou no escritório passou a nos roubar escancaradamente, até que tivemos que demiti-la. E assim, por minha culpa, continuam sendo "excluídas", que precisam do apoio do Estado para serem sustentadas, porque ninguém permite que subam na vida.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

Feliz Natal a todos

Jesus nasceu num presépio porque não tinha onde nascer. Não havia lugar para ele na agitação da cidade, onde todos só se preocupam com seus negócios e com a conta bancária. Por isso nasceu numa manjedoura, nas trevas da noite, para iluminar o mundo com o seu Espírito. Se quisermos receber Jesus dentro de nós, temos que fazer que nossa alma tenha a pureza da Virgem Maria, e dizer sim quando o anjo nos perguntar se aceitamos acolher o Cristo em nosso ventre. Só assim poderemos receber o Espírito Santo e deixar que Ele fecunde o filho de Deus em nosso coração. Ele será seu presépio, onde o sangue do homem se acumula e flui, e onde Jesus poderá se abrigar e depois fluir por todo nosso organismo, para que, no final dos tempos, formemos com ele um só corpo e um só espírito, na ressurreição da carne.

domingo, dezembro 19, 2004

Pior seria se tivesse piorado

Cansado de abrir páginas de jornais na internet e ver pesquisas que perguntam ao leitor qual a causa do aumento da popularidade do Governo, resolvi dar uma resposta. A razão é a seguinte: Lula conseguiu manter "tudo isso que está aí" no campo econômico, o que possibilitou que sua gestão, até o momento, não se constituísse num completo desastre. Que um povo tenha eleito um presidente para mudar "tudo isso que está aí" e que, após um breve período de descrença, volte a acreditar nele porque manteve "tudo isso que está aí" é apenas uma faceta do que se pode chamar de esquizofrenia coletiva.

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Só para deixar claro

Sei que muitos dos que me lêem hoje não acompanharam meu debate com Martim Vasques sobre a trilogia de Matrix. A princípio, ele escreveu um artigo em que abominava o filme, com a qual concordei, descontando alguns exageros. Depois de uma conversa com Nivaldo Cordeiro, que vê o bom Cristianismo até em bobagens como Harry Potter, pediu desculpas aos leitores e passou a dizer que concordava com ele, que a trilogia realmente simbolizava a mensagem cristã.

Tenho certeza que, atualmente, após tudo que sabemos sobre os livros que inspiraram a elaboração da película, ninguém seria louco de negar o que afirmei com todas as letras naquela época: o filme é puro gnosticismo.

terça-feira, dezembro 14, 2004

"Não adianta, você não vai me convencer"

Quantas vezes já ouvi esta frase enquanto conversava com um esquerdista ? Inúmeras. É a minha predileta. Inclusive porque é um substituto bem elegante para os palavrões que costumam ocupar o seu lugar. Ela é um bom exemplo para demonstrar como o sujeito raciocina.

Para ele, discutir não é um meio de encontrar uma verdade, mas apenas de impor a sua opinião ao próximo. Então, quando se sente pressionado e vê que já não possui argumentos para rebater os do outro, lança mão da sua última cartada : game over, você não vai me convencer. E sai satisfeito, de cabeça erguida, porque, se não ganhou a partida, pelo menos soube usar de um artifício que impedisse que ela chegasse ao fim.

Nem passa pela cabeça dele que os argumentos do amigo sejam frutos de um estudo aprofundado sobre o assunto. Não, de forma alguma, refletem apenas uma adequação de sua vida pessoal àquele tema, o que acaba resumindo suas idéias a uma tentativa de lucrar com aquele posicionamento que está defendendo. Na verdade, quem pensa assim é ele, e acha impossível que o outro também não o faça.

Na época das eleições, por exemplo, me acusaram de não votar em Lula para não perder meus privilégios. Eu era um insensível, que não queria que as pessoas deixassem de passar fome nem que o operário pudesse trabalhar 2 vezes menos e ganhar 2 vezes mais.

Se soubessem ouvir o próximo, tentar entender a razão de sua opinião ser tão diferente, poderiam não sair da discussão convencidos daquilo, mas, com certeza, teriam um vasto material de investigação pela frente. Mas a condição principal para se tomar uma atitude como esta está ausente neles : acreditar que exista a verdade e que a vida seja mais do que meros interesses de classe ou de ordem particular.

sábado, dezembro 11, 2004

Não percam!

Boff e Betto bailando juntos. E de graça!

sexta-feira, dezembro 10, 2004

Macaco trabalhador

Dia desses, um macaco bateu em minha porta e, apertando botões de um aparelho, produziu sons oferecendo-se para consertar meu carro. Entregou-me um cartão, que dizia: "Eletrônica e Hidráulica - menor custo do mercado." Só depois de ler esta notícia, fiquei sabendo que era um macaco-prego. Não vai demorar muito para formarem um sindicato.

Quando a burrice supera a fé

O que mais me irrita quando converso com um protestante é aquela velha história de que os católicos adoram imagens e pedem favores aos santos e a Nossa Senhora, como se fossem deuses. A minha irritação não decorre da simples discordância, mas da sensação de estar sendo chamado de burro. Quem, em sã consciência, nos tempos de hoje, pode achar que as imagens são o que representam e não apenas um símbolo? É preciso um grau de estupidez tão grande que só posso pensar que ela está em quem formula a questão e não em quem vai respondê-la.

Um amigo, tentando me provar que muitos assim pensavam, relatou-me o quanto sua mãe ficou irritada quando ele quebrou uma de suas imagens de Maria. Perguntei como ele reagiria se eu destruísse o cachimbo que ela guardava de recordação do seu falecido pai. Precisei explicar-lhe a comparação, por demais óbvia, de que, assim como o cachimbo era um objeto que lhe fazia lembrar do pai, também a imagem a fazia lembrar de Maria, e que ninguém gosta de ver destruído um objeto desses.

Quanto a pedir aos santos e a Nossa Senhora, pelo que parece, só ficaria óbvio a um protestante que o católico tem consciência de que os milagres são obras de intercessão deles, e não realizados diretamente, se, ao invés de lhes pedirmos que intercedam junto a Deus, solicitássemos a Deus que os deixem interceder por nós, o que não faria nenhum sentido, a não ser para um protestante, talvez.

Quero deixar bem claro que tenho muitos amigos protestantes e gosto de conversar com eles, mas quando esses assuntos são postos em discussão, limito-me a dizer que sou um pouco mais inteligente do que eles imaginam.

quarta-feira, dezembro 08, 2004

Um depoimento definitivo

"Daria toda a minha obra para ter escrito o prefácio da missa gregoriana". Mozart

E hoje os jovens católicos cantam em ritmo de carnaval: "Ergue-ei as mã-ãos e dai glória a Deus". Mozart daria o pouco tempo que teve de vida para não ficar sabendo que um dia se cantaria isso no mundo. E mais: dentro de uma igreja.

terça-feira, dezembro 07, 2004

Um vendedor que não se vende

Tudo bem, reconheço que, se todos fizessem como ele, o capitalismo seria um desastre, mas, com certeza, o socialismo nem sequer seria cogitado como opção.

O sujeito vende cds raros. Já fui à loja dele umas quatro vezes. Logo na primeira, encontrei um cd que julguei inacreditável estar à venda, menos ainda em Salvador. Mas, como era de se esperar, o preço estava nas alturas. Pensei pensei e acabei decidindo esperar um pouco e comprá-lo depois, afinal ninguém se interessaria por ele mesmo. Quando voltei, já não estava mais lá. Irritado, quis saber quando tinha sido vendido, mas ele mudou de assunto. Questionei-o novamente na terceira visita, mas ele não respondeu. Na última vez em que estive lá, resolveu contar o segredo: ele mesmo resolveu ficar com o cd. Não resistiu. E terminou me contando que aquilo era uma rotina. Perguntei se aquela era sua única fonte de renda. Respondeu-me que sim, mas que preferia ter prejuízo a ver outra pessoa levando algumas de suas preciosidades.

E ainda tem mais: ficou com pena de mim e se dispôs a gravá-lo. Pode?

segunda-feira, dezembro 06, 2004

"Quanto mais nos agitamos, mais nossa agitação parece a única real, e mais o invisível nos escapa".

René Girard, em O Bode Expiatório

sábado, dezembro 04, 2004

"Os homens coletivos sorriem reconfortados, com um sorriso de rua, felizes de terem escapado, por um triz! do pesadelo horrível de terem almas".

"Lições de Abismo", de Gustavo Corção

quarta-feira, dezembro 01, 2004

E Lula? Seria o sobrinho do capitão-caverna?