A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, dezembro 14, 2004

"Não adianta, você não vai me convencer"

Quantas vezes já ouvi esta frase enquanto conversava com um esquerdista ? Inúmeras. É a minha predileta. Inclusive porque é um substituto bem elegante para os palavrões que costumam ocupar o seu lugar. Ela é um bom exemplo para demonstrar como o sujeito raciocina.

Para ele, discutir não é um meio de encontrar uma verdade, mas apenas de impor a sua opinião ao próximo. Então, quando se sente pressionado e vê que já não possui argumentos para rebater os do outro, lança mão da sua última cartada : game over, você não vai me convencer. E sai satisfeito, de cabeça erguida, porque, se não ganhou a partida, pelo menos soube usar de um artifício que impedisse que ela chegasse ao fim.

Nem passa pela cabeça dele que os argumentos do amigo sejam frutos de um estudo aprofundado sobre o assunto. Não, de forma alguma, refletem apenas uma adequação de sua vida pessoal àquele tema, o que acaba resumindo suas idéias a uma tentativa de lucrar com aquele posicionamento que está defendendo. Na verdade, quem pensa assim é ele, e acha impossível que o outro também não o faça.

Na época das eleições, por exemplo, me acusaram de não votar em Lula para não perder meus privilégios. Eu era um insensível, que não queria que as pessoas deixassem de passar fome nem que o operário pudesse trabalhar 2 vezes menos e ganhar 2 vezes mais.

Se soubessem ouvir o próximo, tentar entender a razão de sua opinião ser tão diferente, poderiam não sair da discussão convencidos daquilo, mas, com certeza, teriam um vasto material de investigação pela frente. Mas a condição principal para se tomar uma atitude como esta está ausente neles : acreditar que exista a verdade e que a vida seja mais do que meros interesses de classe ou de ordem particular.