A Barbárie dos Tempos Modernos

terça-feira, dezembro 07, 2004

Um vendedor que não se vende

Tudo bem, reconheço que, se todos fizessem como ele, o capitalismo seria um desastre, mas, com certeza, o socialismo nem sequer seria cogitado como opção.

O sujeito vende cds raros. Já fui à loja dele umas quatro vezes. Logo na primeira, encontrei um cd que julguei inacreditável estar à venda, menos ainda em Salvador. Mas, como era de se esperar, o preço estava nas alturas. Pensei pensei e acabei decidindo esperar um pouco e comprá-lo depois, afinal ninguém se interessaria por ele mesmo. Quando voltei, já não estava mais lá. Irritado, quis saber quando tinha sido vendido, mas ele mudou de assunto. Questionei-o novamente na terceira visita, mas ele não respondeu. Na última vez em que estive lá, resolveu contar o segredo: ele mesmo resolveu ficar com o cd. Não resistiu. E terminou me contando que aquilo era uma rotina. Perguntei se aquela era sua única fonte de renda. Respondeu-me que sim, mas que preferia ter prejuízo a ver outra pessoa levando algumas de suas preciosidades.

E ainda tem mais: ficou com pena de mim e se dispôs a gravá-lo. Pode?