A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, janeiro 31, 2005

Agora é pra valer: o Oito Colunas está de volta, com novos artigos.

domingo, janeiro 30, 2005

O Novo Oito Colunas.

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Um gay sem escolha

Lendo esta notícia, previ um instante de lucidez quando o cientista disse que "não há um gene gay" e que "a orientação sexual é uma particularidade complexa", mas logo a seguir constatei que ele não se referia à interação entre a genética e o livre arbítrio, mas ao mesmo argumento mecanicista de sempre: "então é nada surpreendente que encontremos várias regiões de DNA envolvidas em sua manifestação", concluindo que "nossa aposta é que genes múltiplos, potencialmente interagindo com influências do meio, explicam as diferenças na orientação sexual". A concessão às influências do meio não muda em nada o caráter mecanicista do argumento, pois o meio a que se refere é o exterior, também determinante sobre o livre arbítrio. Além do mais, a influência do meio na expressão gênica já foi provada e não pode mais ser negada.

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Da Série Diálogos

- Não, padre, não adianta, não tenho salvação.
- Não diga isso, meu filho, todos podem ser salvos, aceite a extrema-unção.
- Mas padre ... eu nunca o perdoei ! É certo que falsificou tudo que escreveu, usou da desonestidade para ludibriar jovens revoltados, criou uma ideologia responsável pela morte de centenas de milhões de pessoas ... mas eu teria que perdoá-lo, porque sou um bom cristão.
- Filho, de quem você está falando ?
- Deixa pra lá, padre, tenho até medo de pronunciar o nome dele, meu rosto fica transtornado. Meu ódio é muito grande.
- Filho, pare de sofrer, você está me fazendo sentir culpado.
- Por que, padre ?
- Porque eu o amei, eu o amei, eu o amei ! Mas quero confessar esse pecado a você. Perdoe-me em nome de Deus, como bom cristão que é !
E o moribundo assentiu com a cabeça, antes de partir para a eternidade.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Interpretando as Escrituras

Um amigo meu, que se separou recentemente, arrumou uma namorada. Confidenciou-me que não consegue se manter fiel, e até me relatou seus outros casos. Ciente de que é batista, perguntei se aquilo não lhe fazia doer a consciência. Respondeu-me que sabe separar bem as coisas. "Nisto Deus não se mete. Sexo é sexo, religião é religião."

É nisso que dá a tal da livre interpretação das escrituras. É por isso que esses jogadores de futebol evangélicos conseguem voar no pescoço do outro, quebrar sua canela no meio, tudo de forma intencional, sem um mínimo de constrangimento. Religião é religião, futebol é futebol.

sábado, janeiro 22, 2005

Bota camisinha, bota, meu amor

O valor que o mundo moderno dá à Igreja é inversamente proporcional ao número de notícias divulgadas com o intuito de enfatizar o quão retrógrada é a instituição. Nesta notícia, está implícita a visão "avançada" de um piedoso padre contra a visão "atrasada" de um papa moribundo.

Antes de abordar diretamente o assunto, darei um exemplo. Um pai aconselha seu filho a não andar de skate nas ruas, mas o mundo diz a seu filho que, se ele usar capacete e joelheiras, não há perigo de se machucar. Não há como negar que, seguindo o conselho paterno, o filho tem zero por cento de chance de se machucar no skate, enquanto que, seguindo o conselho do mundo, o risco continua existindo.

Quanto à AIDS, a Igreja afirma que "a prevenção através da educação sobre a santidade da vida e a correta prática da sexualidade, que é a castidade e a fidelidade, é necessária acima de todas as outras coisas de forma a evitar essa doença de forma responsável." Já o mundo acha que basta usar camisinha e pronto. O fato é que a castidade e a fidelidade, se postas em prática, proporcionam um contágio de zero por cento, enquanto a camisinha, se usada, proporciona um contágio que não chega a zero por cento, porque pode romper. Alguém pode alegar que é muito mais fácil usar camisinha que ser fiel e casto. Ora, ninguém é obrigado a ser católico.

O que não se pode negar é que todas as campanhas do mundo em prol da camisinha não foram suficientes para que todos se lembrassem de usá-la na hora adequada, enquanto que os conselhos da Igreja nunca tiveram a devida repercussão para que pudéssemos julgar o quanto ajudariam a evitar a propagação da doença.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

A lógica moderna

Acredito que muitos já ouviram a velha história da mulher grávida que não tem condições de sustentar seu futuro filho. E também o argumento de que é melhor abortá-lo antes que nasça e acabe se transformando num marginal.

Não tenho dúvidas de que é a lógica desse raciocínio que sustenta o pensamento moderno. Significa que é melhor matar o inocente antes que perca sua inocência e acabe se degenerando.

Um santo, por exemplo, deve ser imediatamente eliminado. Para que deixá-lo vivo tanto tempo? Para cometer erros e perder sua santidade? Não, não, é melhor evitar.

Já o que virou marginal não tem mais o que perder. Seu destino de mau-caráter está selado. O que fazer com ele? Devemos ter compaixão, é claro. Matá-los seria um desperdício de bala. Com tanto santo precisando delas...

Aos santos, a morte, aos assassinos e ladrões, direitos humanos. Não é assim?

terça-feira, janeiro 18, 2005

Um relato pessoal

Faleceu no dia de ontem, aos 103 anos, a avó de minha esposa. Que Deus a receba em seus braços.

Em conversa com o responsável pela funerária, dei-me conta do quanto a Igreja Católica é desreipeitada pelos homens de hoje. Acusou-a de todos os crimes possíveis e impossíveis contra a humanidade. Não poupou nem fiéis, nem bispos, nem párocos, nem ninguém. Depois me perguntou, em surdina, se eu era padre, ao que respondi que era apenas um pecador católico. Então calou-se.

quinta-feira, janeiro 13, 2005

Não adiantar resmungar, a verdade é essa

No fundo, no fundo, lá no fundinho mesmo, a esperança de todo ateu é de que Deus seja muito mais misericordioso do que admitem os crentes. E é isso que os mantém vivos.

terça-feira, janeiro 11, 2005

A ideologia da pobreza ideal

As respostas do presidente do IBGE, Eduardo Nunes, à Carta Capital nessa entrevista são simplesmente absurdas. Nenhuma pesquisa nutricional no mundo poderia concluir que a desigualdade social - seja lá o que este termo signifique - possa ser causadora, ao mesmo tempo, de obesidade e desnutrição, considerando-se que ambas são predominantes na mesma classe social.

Alegar que os pobres são obesos porque comem apenas açúcar ou farinha é uma piada de mau gosto. Não conheço ninguém que se alimente apenas de açúcar, e o motivo para isso é que os que tentaram provavelmente morreram antes que os pudesse conhecer. É verdade que alguns podem ter uma alimentação muito rica em farinha em detrimento de gorduras e proteínas, mas os sinais são visíveis - desenvolvem edemas enormes, o rosto permanece afilado e o abdômen desproporcionalmente protuberante.

Também é verdade que muitos pobres obesos podem não ter uma alimentação adequada, mas muito ricos também não têm. O fato incontestável é que o aumento da prevalência de obesidade na classe baixa indica que ela não precisa tanto de comida quanto o Governo gostaria. O que falta é emprego, e eles só podem ser gerados se o Governo parar de tirar dos mais ricos, que são os que podem gerá-los, para criar programas assistenciais com o intuito de dar comida aos pobres criados na sua imaginação.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Agora é pra valer - o Gustavo está de volta. Pelo menos por um momento.

domingo, janeiro 09, 2005

Continuando uma certa discussão

O que tentarei explicar aqui é algo muito complicado. Refere-se à discussão iniciada no Orkut e continuada, em parte, nos comentários do blog da Miss Veen.

Não coloquei esse comentário no Orkut porque, pelo que parece, os cristãos ortodoxos não estão mais participando, e foi pensando no ponto de vista deles que resolvi escrever esse post.

O Alexander e o Caio discordaram num ponto que considero fundamental. É o seguinte: o primeiro acha que só é possível avaliar as outras religiões do ponto de vista da sua, enquanto o segundo pensa que é possível fazê-lo desde "fora". Concordo inteiramente com o Alexander, pois a posição do Caio justifica a afirmação dos cristãos ortodoxos, no caso representados pelo Felipe, de que o perenialismo pretende ser uma nova religião que englobaria todas as outras, o que na verdade invalidaria todas elas.

O Marcelo, na caixa de comentários da Miss Veen, diz que "Ou as afirmações de escrituras sagradas de diferentes religiões pretendem ser absolutas e universais, e portanto serão contraditórias entre si, ou então nega-se a elas esse direito e aceita-se a validade de todas, desde que circunscritas a determinado povo, país, cultura ou seja lá o que for."

Antes de comentar essa colocação, chamo atenção para a consideração de Santo Tomás de Aquino de que, com indivíduos de outras religiões, não podemos discutir baseando-nos na Bíblia como fonte de verdade universal, mas tão somente utilizando a filosofia. Pelo que foi dito, poderia parecer que o Aquinate concordaria com o Caio. Mas não é bem assim, pois o assunto em questão é o próprio significado das religiões, e ele jamais abdicaria do Cristianismo, o que me leva a propor que ele concordaria plenamente com e Alexander se se dispusesse a considerar o problema. E aqui está o ponto fundamental. Não sei se ele se disporia a considerar o problema sabendo a que ponto chegou o conhecimento a respeito dele.

O que eu sei é que o Marcelo e o Felipe, por exemplo, não admitem pensar sobre ele, ficando claro, por dedução das suas crenças, que eles acham que a única religião válida é o Cristianismo. Mas se é assim, não há sobre o que discutir.

O problema de quem admite avaliar a questão é tentar conciliar estes dois pontos de vista, que, ao contrário do que afirmou o Marcelo, consistem no seguinte: as afirmações das sagradas escrituras das diferentes religiões são absolutas e universais e, ao mesmo tempo, não são contraditórias entre si. É óbvio que quem se propõe este problema não vai tentar resolvê-lo, como bem colocou o Olavo, numa pequena participação, do ponto de vista dogmático.

E é bom que fique claro que o dogma não é a sagrada escritura, mas algo que surgiu muito depois. Um dos fortes argumentos dos perenialistas em favor de suas tentativas de conciliar as diversas Tradições é de que há passagens do Novo Testamento, por exemplo, que são contraditórias entre si e que não foram resolvidas dentro da própria dogmática cristã, ou, como queiram, foi feita uma conciliação considerando a contradição como apenas aparente, exatamente como fazem os perenialistas com relação às diversas religiões. Um exemplo é quando Cristo pergunta por que o chamam bom, já que bom é só o Pai que está no Céu. Ora, há uma evidente contradição aqui: se Jesus Cristo também é Deus por que não pode ser chamado bom?

O que posso dizer é que, para mim, considerar as ponderações dos perenialistas a respeito desse problema não diminui minha fé em Jesus Cristo, ao contrário, sinto-a reforçada. Porque faço sempre como sugeriu o Alexander, ou seja, vejo a conciliação sempre do ponto de vista da minha religião, o cristianismo. Parece-me que o beijo dado pelo Papa no Alcorão foi um gesto simbólico que resume a posição que defendi aqui.

terça-feira, janeiro 04, 2005

Sempre os mesmos: filósofos e sofistas

A divisão do mundo intelectual em filósofos e sofistas continua tendo a mesma validade que tinha no mundo grego. Os sofistas são aqueles que têm como objetivo e guia o próprio homem. Os filósofos são os que os têm em Deus.

Tendo o homem como guia, o sofista transforma-o em animal, e tendo Deus como guia, o filósofo o considera como verdadeiro homem. É interessante notar que tanto um como outro contribuem para o avanço do conhecimento. A diferença está que a contribuição do primeiro se constitui apenas em avanços técnicos, enquanto a do segundo se constitui na verdadeira sabedoria.

Os sofistas contribuíram, por exemplo, para a evolução da retórica como técnica de argumentação, mas não acrescentaram nada ao saber grego. Do mesmo modo, a maioria dos cientistas modernos contribui tão somente para o progresso da técnica. Esta serve como método investigativo e como meio para resolver problemas práticos do homem, como tratar algumas doenças, por exemplo. Mas não acrescentam nada ao saber. Por isso também pouco sabem, se formos rigorosos no uso do termo.

domingo, janeiro 02, 2005

Da série Alguém Já Disse Isso?

A autopiedade é o mais claro sintoma de egoísmo.

É fácil detectar autopiedade nos outros.