A Barbárie dos Tempos Modernos

sábado, fevereiro 19, 2005

Religião e fé

Uma das minhas maiores curiosidades é saber o que aprende um padre hoje no seminário. Gostaria de poder distinguir se aquilo que dizem na missa é coisa da cabeça deles ou é ensinado pelos superiores.

Há uns seis meses, por exemplo, um sacerdote dizia, em seu pregação, que a Ressurreição de Cristo não foi vista por ninguém e que, portanto, é objeto de fé e não um fato histórico. Fez questão de repetir três vezes: não é um fato histórico. Bem, é verdade que ninguém estava presente no momento da Ressurreição, mas o Evangelho nos conta que muitos viram Jesus Cristo ressuscitado. Será que é difícil deduzir que, se alguém foi visto ressuscitado, é porque um dia ressuscitou, ou seja, o momento da Ressurreição é um fato histórico obrigatoriamente associado ao visão de alguém ressuscitado? Se vejo alguém morto num caixão, negarei que sua morte é um fato histórico consumado porque não estava presente no devido instante em que aconteceu? Das duas uma: ou aquele padre não acredita no Evangelho, que é explícito em afirmar que Jesus foi visto ressuscitado por diversas pessoas e em diversos mmentos ou ele tem um parafuso a menos. Prefiro crer que a segunda hipótese é a verdadeira.

Pode parecer que detalhes como esses não têm importância, mas suas implicações são gravíssimas. Reduzir a religião à fé é a forma mais eficaz de a destruir. Foi o que fez Kant. E do que menos precisamos hoje é de padres kantianos.