A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, março 30, 2005

Uma pequena diferença

A esquerda sempre fala dos famintos, mas o que ela gosta mesmo é dos fomentos.

terça-feira, março 29, 2005

As exceções à regra já são a regra

A vida humana deve ser preservada.

Exceto quando houver má-formação fetal incompatível coma a vida fora do útero;
Exceto quando houver qualquer má-formação fetal;
Exceto enquanto estiver no útero;
Exceto quando não conseguir respirar por conta própria;
Exceto quando não conseguir pensar;
Exceto quando não conseguir se comunicar.

Próximas exceções

A curto prazo:

Exceto quando nascer com má-formação;
Exceto quando os pais não desejarem seu crescimento;
Exceto quando tiver QI abaixo de tanto.

A médio prazo:

Exceto quando a criança for muito feia ao nascer;
Exceto quando acordar os pais muitas vezes durante a noite;
Exceto quando for muito chata;
Exceto quando não gostar de Lênin, Stálin e Che Guevara;
Exceto quando não for um militante da ecologia;
Exceto quando não apoiar as causas da ONU;
Exceto quando não gostar de produtos naturais.

A longo prazo:

Exceto quando não torcer para o Flamengo ou Palmeiras;
Exceto quando não gostar de futebol;
Exceto quando não preferir Linux a Windows;
Exceto quando gostar de pasta de amendoim;
Exceto quando apreciar vinho doce;
Exceto quando não preferir Mônica à família Marvel;
Exceto quando não gostar de bolinho de estudante;
Exceto quando for gorda;
Exceto quando for magra;
Exceto quando for triste;
Exceto quando for alegre demais.

domingo, março 27, 2005

Cristo venceu a morte: Aleluia

Pela primeira vez, participei de todas as celebrações da Igreja durante a Semana Santa. No final, agradeci a Deus por essa oportunidade, porque percebi que somente agora comecei a vislumbrar o que é ser verdadeiramente cristão. Comecei a me estranhar quando senti vontade de chorar enquanto me encaminhava para receber a comunhão no Sábado de Aleluia. Minha primeira reação, diante de tal arrebatamento, foi analisar se aquele sentimento brotava da epiderme ou do fundo da alma, se estava ligado a alguma lembrança mesquinha ou se era constituído de verdadeira alegria espiritual. Para minha felicidade, verifiquei que a Ressurreição de Cristo me abria naquele instante, de forma clara, a perspectiva da eternidade. Ainda assim, contive o choro.

Como já relatei em outras ocasiões, tive sérias dificuldades em acompanhar a Missa em meus primeiros passos em direção ao catolicismo. Um padre de Anápolis, que conheci numa situação completamente inesperada e inusitada (na verdade, uma ação da Providência Divina), fez-me perceber que a Igreja não estava completamente perdida aqui no Brasil. O problema é que ele não reside nem celebra em Salvador. Mas com a ajuda de minha esposa, encontrei um outro padre, amigo dele, que também se faz digno de ter recebido o sacramento da ordem. Mas não esperava jamais, como aconteceu no Sábado Santo, vê-los juntos celebrando a Missa da Ressurreição do Senhor. Para completar minha alegria, o coral, regido por um professor de música da Universidade Federal da Bahia, que humildemente dá sua colaboração semanal nas Missas de domingo à noite, cantou, acompanhado por grandes músicos, ao final da celebração, numa apresentação belíssima e emocionante, o Aleluia de Handel.

Cheguei em casa transbordante de alegria e com o choro ainda contido.

Em casa constato que não basta que tenha encontrado tamanha felicidade em Jesus Cristo Ressuscitado, mas que, não apenas preciso perseverar neste caminho, como tenho o dever de ajudar outros a buscá-lo. Essa certeza se fez mais firme quando soube que resolveram matar Terri Schiavo, e de fome. Aqueles mesmos que lutam pela vida das plantinhas do jardim, das matas e do verde, do direito dos animais, que se dizem ecológicos e defensores da vida na Terra, que se revoltam contra "as injustiças do sistema", contra "as estruturas corruptas da sociedade", são os que desejam ardentemente a morte dos que os incomodam. E os incomodam porque não podem estar ao seu lado baixando a cabeça para suas loucuras, mas se encontram humildemente prostrados num leito, à espera de um carinho, de um cuidado, de uma palavra de amor, e de um pouco de comida. Por ser tão caprichosa e insensível, por não servir de manobra nas mãos de pessoas tão politicamente corretas, Terri Schiavo foi condenada à morte por inanição. Afinal é um ser desprezível, incapaz de promover e liderar revoluções, incapaz de ir à TV para protestar contra a extinção do mico-leão-dourado.

Se os homens a condenaram à morte pela sua incapacidade de ser útil à modernidade, Cristo Ressuscitado há de compreender e exaltar o seu silêncio.

terça-feira, março 22, 2005

Crítica ao Cristaldo no Oito

Novo post no Oito Colunas, para a tristeza do Jorge Nobre, que é fã do Cristaldo.

A barbárie ecológica e outras analogias

Logo no início do filme O Clube do Imperador há uma cena em que um aluno caminha pela grama do colégio em vez de usar o passeio. O professor vê e o adverte. O garoto reconhece o erro: "Claro, claro, é melhor para a grama". E o mestre retruca: "Não, é melhor para você. Ande pelo mesmo caminho que os grandes homens andaram". Entre a resposta do professor e a do aluno está a diferença entre a autêntica civilização e a barbárie do mundo moderno.

Mais uma vez, explicando

Blogs não existem para dar explicações. Mas sempre tive a mania de explicar demais. Eis um dos meus grandes defeitos. Logo no primeiro post, dei uma explicação para o título. Quem nesse mundo começa um blog explicando o título? Quem?

Durante os 2 anos em que escrevi neste blog - completados na próxima quinta-feira (outra explicação!) - , fiquei me policiando para não dar explicações. Sem sucesso. Mais dia menos dia, lá estava uma longa explicação para um post que, sem ela, ficaria muito melhor.

Agora inicio uma nova fase, prometendo não explicar mais nada. Mas não posso deixar de explicar, mais uma vez!, o título - só hoje, só hoje. A Barbárie dos Tempos Modernos foi o meu primeiro site. Ficava hospedado na HPG e tinha muitos links internos, com notícias, artigos e até, acreditem, relatos de casos.

Tirei o título de uma resposta de Olavo de Carvalho ao único e-mail que lhe enviei. Contava a história de um amigo, que lia seus textos e que muito os apreciava, mas que sempre fazia a ressalva de que, apesar de bons, era lógico que estavam errados. Quando eu perguntava onde estava o erro, ele respondia que não sabia onde, mas que era óbvio que algum erro havia. O filósofo e jornalista explicou-me que esta atitude era fruto de uma forma de pensar de grupo, onde a busca individual da verdade já havia sido superada, classificando-a de neobarbarismo.

E assim começa a nova Barbárie dos Tempos Modernos.

domingo, março 20, 2005

Nova fase

De volta à Barbárie.