A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, março 27, 2005

Cristo venceu a morte: Aleluia

Pela primeira vez, participei de todas as celebrações da Igreja durante a Semana Santa. No final, agradeci a Deus por essa oportunidade, porque percebi que somente agora comecei a vislumbrar o que é ser verdadeiramente cristão. Comecei a me estranhar quando senti vontade de chorar enquanto me encaminhava para receber a comunhão no Sábado de Aleluia. Minha primeira reação, diante de tal arrebatamento, foi analisar se aquele sentimento brotava da epiderme ou do fundo da alma, se estava ligado a alguma lembrança mesquinha ou se era constituído de verdadeira alegria espiritual. Para minha felicidade, verifiquei que a Ressurreição de Cristo me abria naquele instante, de forma clara, a perspectiva da eternidade. Ainda assim, contive o choro.

Como já relatei em outras ocasiões, tive sérias dificuldades em acompanhar a Missa em meus primeiros passos em direção ao catolicismo. Um padre de Anápolis, que conheci numa situação completamente inesperada e inusitada (na verdade, uma ação da Providência Divina), fez-me perceber que a Igreja não estava completamente perdida aqui no Brasil. O problema é que ele não reside nem celebra em Salvador. Mas com a ajuda de minha esposa, encontrei um outro padre, amigo dele, que também se faz digno de ter recebido o sacramento da ordem. Mas não esperava jamais, como aconteceu no Sábado Santo, vê-los juntos celebrando a Missa da Ressurreição do Senhor. Para completar minha alegria, o coral, regido por um professor de música da Universidade Federal da Bahia, que humildemente dá sua colaboração semanal nas Missas de domingo à noite, cantou, acompanhado por grandes músicos, ao final da celebração, numa apresentação belíssima e emocionante, o Aleluia de Handel.

Cheguei em casa transbordante de alegria e com o choro ainda contido.

Em casa constato que não basta que tenha encontrado tamanha felicidade em Jesus Cristo Ressuscitado, mas que, não apenas preciso perseverar neste caminho, como tenho o dever de ajudar outros a buscá-lo. Essa certeza se fez mais firme quando soube que resolveram matar Terri Schiavo, e de fome. Aqueles mesmos que lutam pela vida das plantinhas do jardim, das matas e do verde, do direito dos animais, que se dizem ecológicos e defensores da vida na Terra, que se revoltam contra "as injustiças do sistema", contra "as estruturas corruptas da sociedade", são os que desejam ardentemente a morte dos que os incomodam. E os incomodam porque não podem estar ao seu lado baixando a cabeça para suas loucuras, mas se encontram humildemente prostrados num leito, à espera de um carinho, de um cuidado, de uma palavra de amor, e de um pouco de comida. Por ser tão caprichosa e insensível, por não servir de manobra nas mãos de pessoas tão politicamente corretas, Terri Schiavo foi condenada à morte por inanição. Afinal é um ser desprezível, incapaz de promover e liderar revoluções, incapaz de ir à TV para protestar contra a extinção do mico-leão-dourado.

Se os homens a condenaram à morte pela sua incapacidade de ser útil à modernidade, Cristo Ressuscitado há de compreender e exaltar o seu silêncio.