A Barbárie dos Tempos Modernos

sexta-feira, abril 29, 2005

A Fórmula da Verdade Universal

Sim, confesso humildemente que a descobri. Não tem nada a ver com filosofia, religião ou ciência. É uma elaboração sutil, de aplicação prática e imediata. É o seguinte. Todos sabemos que 99% do que defendem os comunistas está errado. Pois bem, sempre que o Sr. Janer Cristaldo concordar com eles, o contrário de suas afirmações pode ser considerada, sem receio, uma verdade universal. Eterna? Sim, eterna.

Por exemplo, tanto o Sr. Cristaldo quanto os comunistas dizem que a religião é o ópio do povo. Então é verdade universal que a religião não é o ópio do povo. Ambos também concordam que Jesus Cristo não foi o Filho de Deus, o que nos dá a certeza de que Ele realmente foi o Verbo Encarnado. Também pensam que o aborto provocado não é crime, o que permite que paremos de discutir o assunto.

Sei que serei ferozmente combatido por filósofos, teólogos e cientistas, afinal não é sempre que uma fórmula tão exata torna obsoletos, de uma só vez, inúmeros livros. Pena que a descoberta dessas verdades fique limitada ao tempo de vida que resta ao ilustre jornalista. Solicito a todos que ficaram admirados com minha dedução que procurem empenhar todo o tempo possível na descoberta dessas verdades. Não podemos perder tempo. O futuro da humanidade depende de nós. Não posso deixar de registrar o meu agradecimento ao Sr. Cristaldo pela sua existência.

segunda-feira, abril 25, 2005

Indignação

De repente me senti indignado. Indignado por saber que nem Voltaire nem Kant criticaram o nazismo e o comunismo, indignado porque Santo Tomás de Aquino não criticou a revolução francesa, indignado por São João da Cruz não ter emitido uma única palavra sobre a Teologia da Libertação, indignado porque Aristóteles não se opôs à Teoria do Bom Selvagem de Rousseau, indignado por Platão não ter se manifestado sobre as três etapas do conhecimento de Comte, indignado pela falta de referências a Shakespeare em Homero, indignado pelo desprezo de Dante por Dostoiévski, enfim indignado pela ausência de críticas ao ateísmo militante de Janer Cristaldo nos livros de Santo Agostinho.

domingo, abril 24, 2005

Tradicionalismo e Subversão na Igreja

Mesmo para quem não concorda com a ala tradicionalista liderada por dom Marcel Lefebvre, como eu, tem que admitir que a descrição de Olavo de Carvalho neste artigo é perfeita. João Paulo II sempre representou uma posição de centro e não conservadora, sendo esta última defendida pelos tradicionalistas. E as conclusões também são perfeitas: se a ala conservadora é eliminada do debate, a de centro torna-se automaticamente conservadora, o que faz com que a ala subversiva, totalmente anticristã, represente tão somente um contraponto aos "exageros" da antiga ala de centro. Como o progressismo é moda, a ala subversiva passa a contar com a simpatia do povo, que tende a exigir as concretizações de seus anseios. Se fosse mantida dentro do debate, a verdadeira ala conservadora poderia carregar a responsabilidade pelos verdadeiros excessos (que realmente existem), deixando a ala de centro (com a qual concordo) com uma imagem de verdadeiro equilíbrio entre os excessos de um lado e de outro.

As reações da mídia à eleição de Bento XVI têm sua origem na falta desse contraponto. Como Bento XVI parece, e realmente é, mais conservador que o próprio João Paulo II, a mídia o vê como um integrante de uma das alas extremistas, quando na verdade é um homem de centro. Ao eliminar a ala conservadora do debate, a Igreja contribuiu para que sua imagem fosse ainda mais deturpada.

A prova de que ele também está certo ao afirmar que o tratamento aplicado à ala conservadora foi muito mais cruel que o que foi aplicado à ala subversiva é que os textos, livros e sites editados pela ala tradicionalista são muito lidos por aqueles que seguem a linha do Concílio Vaticano II, enquanto os da ala subversiva são totalmente desprezados, até porque são antiristãos.

sexta-feira, abril 22, 2005

As entranhas do ódio agora estão à mostra

De acordo com uma pesquisa publicada na Folha de São Paulo, apenas 26% das pessoas acham que a escolha de Bento XVI foi acertada. Considerando-se que a única característica que 99,9999% dos que votaram conhecem do novo Papa é a que a mídia divulgou à exaustão - o seu conservadorismo - , seria legítimo concluir que os cardeiais, que possuíam muitas outras informações a respeito de Ratzinger, são de uma estupidez medonha. Se, diante de inúmeros dados, foram incapazes de escolher um bom papa, enquanto pobres ignorantes, que nada sabem dele, seriam capazes de escolher melhor, que esperança podemos ter na Igreja? Nenhuma. Bem, mas se nenhuma esperança podemos ter nela, que raios de interesse é esse que todos têm sobre o seu destino? Algo que está acabando, ruindo, só deveria ser fonte de desprezo, não de amor e ódio.

Uma outra pesquisa publicada n´O Globo mostra que somente 18% dos entrevistados responderam que o principal motivo da escolha foi o bom preparo do cardeal Ratzinger para exercer a função. Volto ao raciocínio anterior: que tipo de interesse alguém pode ter por uma instituição que escolhe o substituto de Pedro por motivos vários exceto o de ser o que reúne as melhores condições para tanto? A escolha de um Papa por uma instiuição dessa não deveria despertar o menor interesse por parte da mídia e muito menos dos não-católicos.

Na verdade, todas as baboseiras publicadas a respeito da eleição do novo sumo pontífice só provam uma coisa: a Igreja é odiada pelo mundo moderno, o que é muito bom, porque não há nada pior que a indiferença. E o próprio Cristo nos pediu que, quando isso acontecesse, nos lembrássemos de que o mundo o odiou primeiro.

quinta-feira, abril 21, 2005

Noite relativamente feliz

Acabo de chegar de um barzinho, no qual comemoramos o aniversário de uma amiga de minha esposa. Os homens passaram a maior parte do tempo conversando sobre a melhor marca de cerveja, o que muito me agradou. Defendi veementemente a tese de que não é possível distinguir a qualidade da cerveja desde que esteja estupidamente gelada, como nós gostamos e como todos o manuais não recomendam que seja consumida.

Mas, como sempre, depois de alguns goles mais intensos, um advogado começou a expressar sua visão de luta de classes do sistema judiciário, afirmando que o carro de um amigo nosso, que estava para ser rebocado por estar estacionado em local proibido, não o seria por fazer parte da classe alta. Respondi que aquilo só aconteceria se ele, defensor da tese, interferisse para confirmá-la, deixando-o espantado ao dizer que, em seu lugar, não faria o mesmo, permitindo que arcasse com o prejuízo.

Sempre evitando os assuntos polêmicos, fui intimado a me manifestar a respeito da eleição do novo papa, ao que respondi indagando sobre o catolicismo dos presentes. Como ninguém era católico, fiz questão de destacar que minha resposta só interessaria a mim mesmo e que só a expressaria se fosse do desejo de todos, com a condição de que a comentassem como simples curiosos ignorantes, cujo palpite vale tanto quanto uma aposta de zerinho ou um. Concordaram. Ficaram impressionados com minha defesa do papa Bento XVI e nem arriscaram a discordar da opinião da Igreja sobre a camisinha quando me ouviram dizer, enfaticamente, que o Lancet concordava com ela em gênero, número e grau. Limitaram-se aos muxoxos ininteligíveis de sempre.

Chegando em casa, para finalizar a noite em alto estilo, tive o prazer de assistir a uma entrevista do professor Pasquali com Caetano Veloso em que ambos defendiam o português erudito e em que o último dizia não entender a tentativa de tornar a linguagem coloquial uma referência intelectual. Fui dormir em paz. Não é sempre que temos a oportunidade de ver e ouvir Caetano defender as coisas certas.

terça-feira, abril 19, 2005

Benedito XVI sob as lentes da macumba

A mídia não consegue esconder a frustração com o resultado da eleição do novo Papa. Quem não entende a Igreja ou quem quase não sabe nada sobre ela - que é o caso da maioria dos católicos brasileiros -, pensa que o Papa é como um político qualquer: um pode ser a favor disso, o outro pode ser contra, o outro a favor daquilo, etc.

A grande e vã esperança era de que o novo pontífice fosse um sujeito moderninho, compreensivo quanto aos direitos das mulheres, dos homossexuais, do aborto, da contracepção e outras coisinhas que fez o mundo ficar tão delicioso e que a retrógrada Igreja fez sempre questão de ser contra.

Com a eleição de Ratzinger, toda as esperanças foram por água abaixo. A apresentadora (foi Fátima Bernardes?) da Globo mostrou-se nitidamente decepcionada. Que antes tenham convidado o Sr. Leonardo Boff para comentar a morte de João Paulo II, tudo bem. Mas agora, não! Agora foi demais! Seria o mesmo que convidar um ladrão para comentar sobre a eleição de um novo chefe de polícia. Mas lá estava ele novamente. É incompreensível. Quem quer que tenha este país em boa conta, não me convencerá jamais de nada. Aqui só tem macumbeiro mesmo.

Oremos por Bento XVI. Que ele condene ao silêncio pelo menos mais uns trezentos freis e padres brasileiros.

***

Novo texto lá no Oito Colunas.

Acontece na vida, acontece na TNT

No filme tolinho "Mensagem para você", há uma cena em que Tom Hanks pergunta a Meg Ryan por que ela nunca o perdoou pela bobagenzinha de tê-la levado à falência enquanto perdoou o amigo que não compareceu a um encontro.

Lembrei da cena quando li este pronunciamento da embaixadora brasileira em Roma, em que ela afirma que as divergências entre o Governo brasileiro e o Vaticano são apenas duas bobagenzinhas referentes à legalização do aborto e ao homossexualismo, enquanto as opiniões convergentes são muito mais importantes: a política internacional e o apoio à pobreza.

sexta-feira, abril 15, 2005

Uma questão de confiança

As fontes de informações do mundo moderno são inúmeras. É difícil sabermos em quais devemos confiar. Mas é relativamente fácil saber a que se ater. Uso o seguinte método: quando percebo, em minhas investigações, que determinado autor costuma ser coerente em suas argumentações e que apenas raramente escreve sobre algo que não tem conhecimento, classifico-o como confiável. Quando se atreve a falar de tudo, sem o mínimo embasamento para tanto, excluo-o de minhas fontes de estudo.

Apesar de ser meio óbvio, este método não é muito utilizado. A maioria das pessoas gosta dos autores com os quais concorda previamente, ou seja, os que reforçam suas crenças, excluindo de suas fontes os que não comungam com suas idéias.

Um exemplo claro é o de Janer Cristaldo. A reação da maioria dos leitores do Mídia Sem Máscara às baboseiras que ele tem escrito sobre a Igreja e o cristianismo é esta: "ele escreve bem sobre política, mas não entende de religião". E tudo porque concordam com o que ele escreve sobre política e discordam do que escreve sobre religião. Minha reação é outra. Quem é capaz de usar de tal número de sofismas e de acreditar que pode argumentar com tamanha pretensão sobre algo que não tem o menor conhecimento, é também capaz de fazer o mesmo quando trata de qualquer outro assunto. Portanto, daqui para frente, todas as opiniões emitidas pelo Janer, sobre o que quer que seja, serão por mim checadas nos mínimos detalhes, mesmo que concorde previamente com elas, aliás, principalmente se concordar com elas. Cristaldo não é mais um autor confiável. Foi ele quem quis assim.

quinta-feira, abril 14, 2005

Novidade no Oito

Aqui. Para alguns, talvez não chegue a ser uma novidade.

segunda-feira, abril 11, 2005

Os juízes da vida e da morte

Sobre este fato, gostaria de dar o meu depoimento. Enquanto residente num dos hospitais públicos deste imenso Brasil, procurei, em determinda ocasião, a chefe da UTI para tentar internar um paciente que estava sob meus cuidados. A simpática senhora me respondeu que infelizmente não havia chance de recuperação e que, portanto, não poderia perder tempo com aquela bobagem.

Uns cinco dias depois, encontrei-a novamente no corredor do hospital. Ao me ver ao lado de um elegante senhor, todo enfatiotado, perguntou-me se era meu parente. Respondi-lhe que, na verdade, o distinto homem era apenas uma grande bobagem que não valia a pena e que estava de alta e se dirigindo para sua casa.

De outra vez, já na UTI, acompanhei um paciente que permaneceu com a pressão arterial abaixo de 40x20 por mais de 12 horas. O chefe me orientou a não mais investir nele porque, depois de todo aquele tempo, já estava em morte cerebral. No dia seguinte, ao voltar para a visita matinal, perguntou-me quem era o sujeito que estava sendo levado para a enfermaria no carrinho que acabava de passar por nós. Mais uma vez tive que responder que era o mesmo que havia morrido na noite anterior.

A Inquisição de Cristaldo

Para quem vem acompanhando, como eu, o debate entre Marcelo Moura Coelho e Janer Cristaldo no Mídia Sem Máscara, é impossível deixar de se decepcionar com a forma de argumentar deste último, independentemente do fato de ser ateu ou católico.

Enquanto Marcelo é objetivo e racional, Janer apela desasperadamente para a emoção e o subjetivismo, as mesmas características que imputa aos católicos. Obervem que Cristaldo não respondeu à maioria das colocações do último artigo de seu opositor, alegando que seria necessário escrever um tratado para tanto. Se lhe falta tempo, não é o que parece, porque usou-o tão somente para descrever, em seu último texto, as ditas barbaridades praticadas pela Inquisição. Que tipo de argumentação é essa? É como criticar o nazismo e o comunismo citando apenas as torturas praticadas naqueles sistemas, sem referência aos fatos nem às suas origens. É pura apelação!

Cristaldo começa rebatendo os argumentos de Marcelo afirmando que "não é o que dizem os historiadores", citando, como prova, apenas um deles. Logo depois, para que o leitor esqueça rapidamente deste pequeno detalhe, inicia seu teatrinho de horror, entrando nos detalhes mais mórbidos, para finalizar com uma frase tão autêntica quanto criativa: "e tudo em nome de Deus". Confesso que duas lágrimas teimaram em cair dos meus olhos neste momento.

Não sei exatamente qual o problema do senhor Janer com o cristianismo e o catolicismo, mas o fato é que o ateísmo militante só criou monstruosidades por onde passou. E aí está o problema: que utilidade tem o liberalismo de Cristaldo numa hora dessas? Nenhuma, é tão perigoso e tão maléfico quanto qualquer totalitarismo.

domingo, abril 10, 2005

Psicologia portátil

Comprou uma personal conscience. Estava na promoção, em seis vezes sem juros. A qualidade do produto era enfatizada com letras garrafais dentro de um círculo vermelho no quadrante superior direito da embalagem: elaborada pelos mais reconhecidos psicólogos dos EUA e da Europa. Foi o que faltava para que se convencesse do bom investimento.

Antes das instruções de uso, duas advertências: 1) Manter longe do alcance das crianças; 2) Não colocar objetos em cima - maiores detalhes no item Consciência Pesada. À medida que lia, verificava que sua consciência realmente já não funcionava bem. Resolveu ligar o aparelho. Conectou-o, como indicado, às suas têmporas, utilizando os delgados fios que encontrou na caixa. Pensou: "se puder guardá-lo no bolso e conduzir esses fios por dentro da camisa, meus cabelos servirão de disfarce e poderei levá-lo aonde quiser." Então a personal conscience começou a apitar com intensidade crescente. Incomodado, apertou todos os botões até que aquele ruído parasse. A seguir, uma voz de atendente de telemarketing iniciou um discurso em que explicava que a preocupação com a aparência era um claro sinal de fragilidade emocional e de perda da autoconfiança. Não deu muita atenção às observações. Saiu de casa com ela, tendo antes o cuidado de desligar o sinal sonoro e ligar o vibrador.

O celular tocou antes que se dirigisse ao trabalho. Era a amante. Explicou que o marido partira em viagem e que estava esperando por ele. Ficou indeciso. O aparelho começou a vibrar. Dessa vez a personal conscience lhe explicou que o homem tinha mesmo que espalhar seus genes e que isso não deveria ser motivo para se sentir culpado. A monogamia era uma bobagem cristã e uma fuga da realidade biológica humana. Ficou feliz. Com um sorriso maroto nos lábios, apertou com mais intensidade os fios sobre a cabeça e se dirigiu à casa de Marina. Encontrou-a ao lado da sua mulher, com quem havia combinado tudo. Quando soube que Carlos tinha outra amante além dela, revoltou-se e resolveu destruir seu casamento. E foi o que aconteceu.

Em casa, triste e sem esperanças, bebia compulsivamente. A máquina voltou a disparar: "ora, há muitas mulheres no mundo, o amor é apenas uma invenção humana. Satisfaça seus impulsos sexuais com qualquer uma. Vamos, levante desse sofá." Ele a jogou no chão e pisou em cima. Mas ela continuava funcionando: "lembre-se das advertências, siga as instruções, violência só gera violência." Ficou furioso. Descolou os fios. Não adiantou. O manual avisava que a personal conscience permanecia avaliando as informações coletadas pelas próximas 24 horas. Foi ao quintal e trouxe um machado. Antes de arrebentá-la, ainda ouviu: "olha os direitos humanos, o preconceito contra as máquinas".

quinta-feira, abril 07, 2005

Dúvidas de um antiquado

Em ambientes públicos, reservar um sanitário para homossexuais seria considerado um ato de apoio à causa gay ou um ato preconceituoso?

Seria melhor criar um único sanitário para gays de ambos os sexos ou um para cada tipo? Considerariam a separação uma tentativa de desunir o movimento ou teriam pudores e avaliaram a junção como um desrespeito?

Se uma mulher entrasse no sanitário das lésbicas por engano e fosse agredida, a agressora seria elogiada por defender o direito das homossexuais ou a mulher que se sentisse agredida seria considerada preconceituosa?

Se uma transexual que amputou recentemente o pênis urinasse em pé por engano - devido ao hábito - no sanitário dos boiolas, seria considerada traidora da causa, hipócrita ou elogiada pela ousadia?

terça-feira, abril 05, 2005

Novo Texto no Oito

Aqui.

Da Série Diálogos

- Meu problema é a Pressão Alta, doutor
- Você caminha ?
- É claro, o senhor mesmo viu. Eu entrei aqui caminhando.
- Não, não. Estou perguntando se pratica caminhadas regularmente.
- Bem, eu caminho todo dia. Vou e volto do trabalho andando.
- Não, não serve. O senhor tem que tirar uma hora só para isso. Sem destino, apenas andar por andar.
- Para que ? Eu gosto de caminhar quando estou indo para algum lugar. Sem ter aonde ir, perde todo o sentido.
- Mas é para sua saúde !
- Acho muito mais saudável caminhar para chegar a algum lugar do que caminhar em vão. Sair andando por aí é coisa de maluco.
- Assim o senhor não está colaborando. Sem caminhar, sua Pressão não vai baixar.
- Está bem, onde o senhor quer que eu caminhe ?
- Sei lá, o senhor que escolhe o lugar.
- Espere aí. Se qualquer lugar serve, estão vou escolher o trecho da minha casa para o trabalho.
- Já disse que esse não serve !
- Mas o senhor não tinha dito que eu poderia escolher ?
- O senhor já está me irritando ! Se não quer caminhar, não caminhe ! Pelo menos, tome a medicação.
- Sim, sim, vou tomar. Posso caminhar dentro da casa de praia da Regina ?
- Claro que pode !
- Então vou logo avisar à minha mulher. Ela detesta a Regina, mas sabendo que é para minha saúde e que foi o senhor que mandou, talvez ela não se incomode ...

domingo, abril 03, 2005

Como Cristo, Papa não é poupado nem na hora da morte

Não é mais hora de chorar pelo Papa. Ele já contempla a face de Deus. É hora de pedirmos a sua intercessão para que os homens não esqueçam sua vida, seus exemplo e seus ensinamentos.

No Brasil, infelizmente, a incompreensão é a regra. Nem bem o pontífice emitia seus últimos suspiros, sociólogos e antropólogos já comentavam suas posições frente às mais diversas situações, sempre ressaltando as idéias ditas "progressistas" e lamentando as ditas "retrógradas". É interessante notar que quando falece um sociólogo, nenhum teólogo nem religioso é convidado para comentar seus pensamentos e atitudes públicas, mas quando é uma autoridade religiosa, a sociologia é logo encomendada como instância última para julgar os fatos.

E os teólogos são escolhidos a dedo. Quanto menos tradicional e mais flexível em relação aos dogmas da Igreja, melhor. Leonardo Boff foi o preferido da Globo News. Segundo ele, "por fora, o Papa foi muito progressista, mas por dentro ele era um conservador, muito restrito no que diz respeito à doutrina moral sexual, ao reconhecimento dos homossexuais, à questão genética etc", ou seja, o que ele queria é que o Papa aconselhasse aos fiéis: trepem à vontade uns com os outros e inventem sempre novas formas de fazer filho, mesmo que precisem matar alguns deles para alcançar o objetivo final. Certamente, é essa a interpretação que ele dá ao "crescei e multiplicai-vos". E provou que nunca desistirá de defender um novo socialismo: "João Paulo II nunca compreendeu a Teologia da Libertação: 'Ele temia que ela introduzisse o marxismo na América Latina e, como o Papa conhecera o movimento na sua versão stalinista, atéia e perseguitória, isso não o agradava'". Sim, porque existe uma forma caridosa de marxismo, cuja fórmula só o senhor Boff conhece, mas que já pode ser vislumbrada no conchavo do MST com as FARC.

Será que este homem nunca parou para pensar se não foi ele quem nunca entendeu a Igreja? Se lesse estas palavras de Dom Geraldo Magella e as compreendesse, saberia inclusive o porquê: "Cada um quer pensar aquilo que lhe convém, quer ser o dono da verdade ou até mesmo da religião. E até a religião, hoje, é procurada como uma necessidade, uma busca de algo, uma resposta imediata principalmente a assuntos de saúde e a assuntos relativos à situação econômica. As pessoas não se convertem por um conjunto de verdades ou por um credo. As respostas imediatas é que têm sido o grande chamariz."

Oremos para que o próximo Papa tenha pulso forte e não permita que a Igreja seja contaminada pelas coisas do mundo, como tanto deseja o senhor Leonardo Boff.