A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, abril 11, 2005

A Inquisição de Cristaldo

Para quem vem acompanhando, como eu, o debate entre Marcelo Moura Coelho e Janer Cristaldo no Mídia Sem Máscara, é impossível deixar de se decepcionar com a forma de argumentar deste último, independentemente do fato de ser ateu ou católico.

Enquanto Marcelo é objetivo e racional, Janer apela desasperadamente para a emoção e o subjetivismo, as mesmas características que imputa aos católicos. Obervem que Cristaldo não respondeu à maioria das colocações do último artigo de seu opositor, alegando que seria necessário escrever um tratado para tanto. Se lhe falta tempo, não é o que parece, porque usou-o tão somente para descrever, em seu último texto, as ditas barbaridades praticadas pela Inquisição. Que tipo de argumentação é essa? É como criticar o nazismo e o comunismo citando apenas as torturas praticadas naqueles sistemas, sem referência aos fatos nem às suas origens. É pura apelação!

Cristaldo começa rebatendo os argumentos de Marcelo afirmando que "não é o que dizem os historiadores", citando, como prova, apenas um deles. Logo depois, para que o leitor esqueça rapidamente deste pequeno detalhe, inicia seu teatrinho de horror, entrando nos detalhes mais mórbidos, para finalizar com uma frase tão autêntica quanto criativa: "e tudo em nome de Deus". Confesso que duas lágrimas teimaram em cair dos meus olhos neste momento.

Não sei exatamente qual o problema do senhor Janer com o cristianismo e o catolicismo, mas o fato é que o ateísmo militante só criou monstruosidades por onde passou. E aí está o problema: que utilidade tem o liberalismo de Cristaldo numa hora dessas? Nenhuma, é tão perigoso e tão maléfico quanto qualquer totalitarismo.