A Barbárie dos Tempos Modernos

segunda-feira, abril 11, 2005

Os juízes da vida e da morte

Sobre este fato, gostaria de dar o meu depoimento. Enquanto residente num dos hospitais públicos deste imenso Brasil, procurei, em determinda ocasião, a chefe da UTI para tentar internar um paciente que estava sob meus cuidados. A simpática senhora me respondeu que infelizmente não havia chance de recuperação e que, portanto, não poderia perder tempo com aquela bobagem.

Uns cinco dias depois, encontrei-a novamente no corredor do hospital. Ao me ver ao lado de um elegante senhor, todo enfatiotado, perguntou-me se era meu parente. Respondi-lhe que, na verdade, o distinto homem era apenas uma grande bobagem que não valia a pena e que estava de alta e se dirigindo para sua casa.

De outra vez, já na UTI, acompanhei um paciente que permaneceu com a pressão arterial abaixo de 40x20 por mais de 12 horas. O chefe me orientou a não mais investir nele porque, depois de todo aquele tempo, já estava em morte cerebral. No dia seguinte, ao voltar para a visita matinal, perguntou-me quem era o sujeito que estava sendo levado para a enfermaria no carrinho que acabava de passar por nós. Mais uma vez tive que responder que era o mesmo que havia morrido na noite anterior.