A Barbárie dos Tempos Modernos

domingo, abril 24, 2005

Tradicionalismo e Subversão na Igreja

Mesmo para quem não concorda com a ala tradicionalista liderada por dom Marcel Lefebvre, como eu, tem que admitir que a descrição de Olavo de Carvalho neste artigo é perfeita. João Paulo II sempre representou uma posição de centro e não conservadora, sendo esta última defendida pelos tradicionalistas. E as conclusões também são perfeitas: se a ala conservadora é eliminada do debate, a de centro torna-se automaticamente conservadora, o que faz com que a ala subversiva, totalmente anticristã, represente tão somente um contraponto aos "exageros" da antiga ala de centro. Como o progressismo é moda, a ala subversiva passa a contar com a simpatia do povo, que tende a exigir as concretizações de seus anseios. Se fosse mantida dentro do debate, a verdadeira ala conservadora poderia carregar a responsabilidade pelos verdadeiros excessos (que realmente existem), deixando a ala de centro (com a qual concordo) com uma imagem de verdadeiro equilíbrio entre os excessos de um lado e de outro.

As reações da mídia à eleição de Bento XVI têm sua origem na falta desse contraponto. Como Bento XVI parece, e realmente é, mais conservador que o próprio João Paulo II, a mídia o vê como um integrante de uma das alas extremistas, quando na verdade é um homem de centro. Ao eliminar a ala conservadora do debate, a Igreja contribuiu para que sua imagem fosse ainda mais deturpada.

A prova de que ele também está certo ao afirmar que o tratamento aplicado à ala conservadora foi muito mais cruel que o que foi aplicado à ala subversiva é que os textos, livros e sites editados pela ala tradicionalista são muito lidos por aqueles que seguem a linha do Concílio Vaticano II, enquanto os da ala subversiva são totalmente desprezados, até porque são antiristãos.