A Barbárie dos Tempos Modernos

quinta-feira, maio 26, 2005

A vida em dígitos

Cientistas "disseram que o uso de embriões humanos é vital". Não seria anti-vital? Provável erro de digitação.

segunda-feira, maio 23, 2005

Verdade, Liberdade e Tradição

O final é instigante. No Oito Colunas.

sexta-feira, maio 20, 2005

Esses cientistas e suas descobertas fantásticas

Você, que ainda não sabe por que acredita em Deus; você, que não sabe por que é católico, protestante, muçulmano, budista ou judeu; você, que desconhece a razão de sua credulidade no sobrenatural. Atenção! A partir de agora, A Barbárie revela, em terceira mão, uma pesquisa que explica tudo isso e muito mais.

Você já suspeitava? Sim, meus irmãos. Os genes! Esses genes fantásticos e suas incríveis peripécias. São eles os responsáveis por este impulso tolo e infantil. Todo aquele tempo que você passou estudando, as horas que gastou em sebos e livrarias, tudo que você procurou por sua própria vontade, nada, nada o levaria a Deus se não fosse o diabinho do gene, que o guiou para essas conclusões pueris.

E a quem devemos agradecer por tamanha generosidade? À psicóloga americana Laura Koenig. Sim, meus amigos, foi ela quem desvendou todo o mistério. Após uma pesquisa simples, mas bem realizada, ela concluiu que, afastadas as influências do meio ambiente, é possível concluir que a tendência à religiosidade é determinada geneticamente.

Pensava eu com meus botões, antes de ler essa matéria, que, se o homem é um ser religioso, é porque algo em sua estrutura assim o permite. Afinal, se não permitisse, o que estaria supostamente em potência no espírito nunca passaria ao ato. E nunca tendo passado ao ato, nem teríamos como pensar no assunto, muito menos realizar uma pesquisa em busca de seus fundamentos. O que me fazia pensar que o fato do nosso organismo ser estruturado de uma forma que permita ao homem extrapolar os limites dos conceitos materiais é uma das obviedades mais óbvias do mundo. Mas agora percebo que me enganava. Em verdade, parece que os genes não apenas possibilitam esta realização como a determinam. Por exemplo, se você não tiver estes genes, meu filho, é melhor nem tentar: deixe esta história de Deus pra lá e vá se preocupar com coisas mais importantes, como ler a Galileu.

quarta-feira, maio 18, 2005

O matuto volta à cidade grande

Um post sobre Campos do Jordão foi o suficiente para ser taxado de provinciano. E tudo porque achei os vinhos caros. Um metropolitano provavelmente compraria com gosto um produto de média qualidade por oitenta reais mesmo sabendo que em sua cidade não passa de quarenta e cinco. Mas este provinciano não se limitou à pequena e gélida cidade da serra, foi também a São Paulo, onde os riscos de exibição provinciana involuntária são ainda maiores. Por sorte, encontrou os procurados amigos, que costumam julgar com menos severidade um pacato cidadão sergipano residente em Salvador.

O bom e velho Fabio Ulanin lá estava, com sua gostosa prolixidade e insuperável amabilidade. O sempre tímido Della Santina também não deixou de comparecer, ambos devidamente acompanhados das simpaticíssimas companheiras. A novidade ficou por conta do caridoso Rodrigo Pedroso, o homem do celular, ansioso por expor toda a sua visão do mundo numa mesa de bar. Compreensível. O tempo foi curto. Também gostaria de ter falado um pouco mais.

Saldo positivíssimo. Livros comprados, com ênfase em A Vida Intelectual, de Sertillanges, A Inquisição em Seu Tempo, de João Bernardino Gonzaga, Simbolismo na Mitologia Grega, de Paul Diel, Cidades da Idade Média, de Henri Pirenne e Educação Segundo a Filosofia Perene (Orientação para pais e mestres segundo Tomás de Aquino e Hugo de São Vítor). O último também devo a Rodrigo Pedroso. A dívida é dupla: pela possibilidade de adquiri-lo e pelo valor ainda não pago.

Já em casa, constato, ao ler Memória e Identidade, de nosso João Paulo II, que ele, como eu, também considerava que toda a esculhambação do pensamento ocidental começou com René Descartes, como bem apontei no post A Culpa É de Descartes. É bem verdade que Occam foi quem iniciou o projeto, mas depois do homem do Cogito não houve mais volta. Minha felicidade foi ainda maior quando li a primeira homilia oficial de Bento XVI, em que o novo papa, em vez de eleger o dinheiro como centro de suas críticas, preferiu, como recomendei (recomendei é demais, não?) no artigo A Igreja em Xeque, dirigi-las ao poder: No es el poder lo que redime, sino el amor. Éste es el distintivo de Dios: Él mismo es amor. ¡Cuántas veces desearíamos que Dios se mostrara más fuerte! Que actuara duramente, derrotara el mal y creara un mundo mejor. Todas las ideologías del poder se justifican así, justifican la destrucción de lo que se opondría al progreso y a la liberación de la humanidad. Nosotros sufrimos por la paciencia de Dios. Y, no obstante, todos necesitamos su paciencia. El Dios, que se ha hecho cordero, nos dice que el mundo se salva por el Crucificado y no por los crucificadores. El mundo es redimido por la paciencia de Dios y destruido por la impaciencia de los hombres.

Que maravilha! O melhor de tudo é que nem tive tempo para acompanhar as peripécias do nosso presidente na cúpula dos países árabes.

E o Rodrigo ainda me levou para assistir a uma missa no rito de São Pio V. A conversa por telefone com o Nogy é proibida para menores.

Voltarei em breve, se Deus assim permitir.

terça-feira, maio 17, 2005

Arrogância ingênua

por Dietrich von Hildebrand

Pertence à essência da História que a atitude do Homem perante a vida sofra variações, que alguns valores ressaltem com mais claridade numa época do que em outra, enquanto outros recebem menos atenção do que antes. Além disso, num determinado período ganham mais força certos perigos que em outros momentos eram insignificantes.

Contudo, mesmo que seja importante reconhecer esse ritmo próprio da natureza da História e do Homem, seria totalmente equivocado conferir a algumas épocas um significado arbitrário no que se refere a certos problemas humanos básicos. Em comparação com o que permanece inalterado, o que muda é secundário. Uma forma peculiar de arrogância ingênua é crer que a época em que se vive é completamente diferente de todas as anteriores e que os problemas do passado já não existem.

Muitas pessoas acabam ficando intoxicadas por essa idéia tão pitoresca. É de se admirar que esse seu modo de pensar passe por alto que, se isso for certo, então todas as suas "novidades" e os seus "nunca antes visto" - dos quais se orgulham tanto - tornar-se-ão antiquados dentro de pouco tempo e já não estarão "de acordo com a realidade"... Esquecem-se de que, se tiverem razão e o "real" for somente aquilo que muda, terão que pagar um preço muito alto para poderem aquecer-se ao sol daquilo que "nunca existiu antes" e olhar com desdém para o passado. E o preço será este: terão ver que tudo aquilo que agora os deslumbra e satisfaz tem uma vida muito curta e em breve será lançado fora como sucata.

Juntamente com a exagerada diferenciação entre as épocas - e com a ingênua arrogância que a acompanha - é comum encontrarmos a ilusão de que os tempos atuais, além de serem completamente diferentes de todos os anteriores, são também superiores a eles. Embora não se diga isso abertamente, tende-se a admitir como certo que qualquer mudança representa algum tipo de progresso.

Em todo o caso, pode-se dizer em seu favor que esse conceito simplista do progresso segue normas válidas em si mesmas: ainda crê na verdade absoluta que, com o passar do tempo, será - ao menos espera-se que o seja - cada vez mais reconhecida. Mas é muito mais perigosa e de maior alcance a atitude mental que considera a realidade histórico sociológica de uma idéia como equivalente à sua validez e verdade. Essa atitude é muito mais perigosa porque transforma a verdadeira essência da verdade e dos valores em algo vazio.

É preciso sublinhar enfaticamente a seguinte realidade: o fato de uma idéia, por assim dizer, impregnar a atmosfera durante algum tempo, ou de que numa determinada época prevaleçam certas expectativas e certas tendências, não nos dá a menor informação sobre a verdade ou falsidade dessa idéia, nem muito menos sobre a legitimidade das correntes de pensamento desse período em concreto.

Se a História nos pode ensinar algo de absolutamente certo é o enorme perigo que há em que as pessoas se infectem com as correntes de pensamento equivocadas típicas do seu tempo. Esse perigo é maior quando acreditamos erradamente - segundo uma mentalidade ainda hoje muito difundida - que certas idéias, tendências e expectativas, simplesmente por dominarem a sua época, por saturarem o ar, devem ser consideradas como a expressão do "espírito do mundo" (Weltgeist, no sentido hegeliano) ou do "espírito da época" (Zeitgeist). A realidade histórico sociológica de uma idéia ou tendência não é nem tão irresistível que implique o dever de aceitá-la como um destino fatal, nem confere ao seu conteúdo qualquer tipo de dignidade: não torna um erro menos errado, nem uma atitude má menos má, nem faz com que algo objetivamente sem valor passe a ter algum.

Deixar-se fascinar pelas tendências intelectuais do tempo presente é abdicar da própria liberdade espiritual; é deixar-se levar pelos vaivéns da História; é deixar-se arrastar pelas correntezas de uma época; é uma despersonalização. A atitude oposta é a de quem sempre emerge do tempo para vir ao mundo da verdade e dos valores morais, para compreender a mensagem e captar as verdades e os valores imutáveis que a hora presente possa conter como "tema", mas à luz da eternidade. Mais concretamente, para nós, católicos, essa atitude significa uma constante conversio ad Deum, "conversão a Deus".

domingo, maio 15, 2005

De volta

Voltei. Novo post amanhã. O Oito Colunas foi atualizado.

quarta-feira, maio 04, 2005

No frio da serra

Quatro dias em Campos do Jordão é tempo suficiente para que não tenha muito a dizer. Não que a cidade não seja bonita. O problema é que não sou bom em descrições. Espero que até amanhã tenha acontecido algo interessante e me sobre tempo para voltar a postar. Enquanto isso, aproveitem o Oito Colunas - há uma nova crônica do Adalberto por lá.

Os termômetros registraram quatro graus centrígrados ontem à noite. Meus lábios racharam. No nordeste essa temperatura é exclusiva das geladeiras. Nunca tomei tanto chocolate quente em toda minha vida. Os vinhos são caríssimos, quase o dobro do preço do ponto mais caro de Salvador. E não há chilenos, só europeus, argentinos e brasileiros. A comida é boa: massas, massas e massas, de todos os tipos e servidas das mais diversas formas.

Amanhã conhecerei a basílica de Aparecida do Norte. Sexta-feira chegarei a São Paulo, onde espero conhecer meu companheiro do Oito Colunas Rodrigo Pedroso e rever Fábio Ulanin e Rodrigo Della Santina.