A Barbárie dos Tempos Modernos

quarta-feira, maio 18, 2005

O matuto volta à cidade grande

Um post sobre Campos do Jordão foi o suficiente para ser taxado de provinciano. E tudo porque achei os vinhos caros. Um metropolitano provavelmente compraria com gosto um produto de média qualidade por oitenta reais mesmo sabendo que em sua cidade não passa de quarenta e cinco. Mas este provinciano não se limitou à pequena e gélida cidade da serra, foi também a São Paulo, onde os riscos de exibição provinciana involuntária são ainda maiores. Por sorte, encontrou os procurados amigos, que costumam julgar com menos severidade um pacato cidadão sergipano residente em Salvador.

O bom e velho Fabio Ulanin lá estava, com sua gostosa prolixidade e insuperável amabilidade. O sempre tímido Della Santina também não deixou de comparecer, ambos devidamente acompanhados das simpaticíssimas companheiras. A novidade ficou por conta do caridoso Rodrigo Pedroso, o homem do celular, ansioso por expor toda a sua visão do mundo numa mesa de bar. Compreensível. O tempo foi curto. Também gostaria de ter falado um pouco mais.

Saldo positivíssimo. Livros comprados, com ênfase em A Vida Intelectual, de Sertillanges, A Inquisição em Seu Tempo, de João Bernardino Gonzaga, Simbolismo na Mitologia Grega, de Paul Diel, Cidades da Idade Média, de Henri Pirenne e Educação Segundo a Filosofia Perene (Orientação para pais e mestres segundo Tomás de Aquino e Hugo de São Vítor). O último também devo a Rodrigo Pedroso. A dívida é dupla: pela possibilidade de adquiri-lo e pelo valor ainda não pago.

Já em casa, constato, ao ler Memória e Identidade, de nosso João Paulo II, que ele, como eu, também considerava que toda a esculhambação do pensamento ocidental começou com René Descartes, como bem apontei no post A Culpa É de Descartes. É bem verdade que Occam foi quem iniciou o projeto, mas depois do homem do Cogito não houve mais volta. Minha felicidade foi ainda maior quando li a primeira homilia oficial de Bento XVI, em que o novo papa, em vez de eleger o dinheiro como centro de suas críticas, preferiu, como recomendei (recomendei é demais, não?) no artigo A Igreja em Xeque, dirigi-las ao poder: No es el poder lo que redime, sino el amor. Éste es el distintivo de Dios: Él mismo es amor. ¡Cuántas veces desearíamos que Dios se mostrara más fuerte! Que actuara duramente, derrotara el mal y creara un mundo mejor. Todas las ideologías del poder se justifican así, justifican la destrucción de lo que se opondría al progreso y a la liberación de la humanidad. Nosotros sufrimos por la paciencia de Dios. Y, no obstante, todos necesitamos su paciencia. El Dios, que se ha hecho cordero, nos dice que el mundo se salva por el Crucificado y no por los crucificadores. El mundo es redimido por la paciencia de Dios y destruido por la impaciencia de los hombres.

Que maravilha! O melhor de tudo é que nem tive tempo para acompanhar as peripécias do nosso presidente na cúpula dos países árabes.

E o Rodrigo ainda me levou para assistir a uma missa no rito de São Pio V. A conversa por telefone com o Nogy é proibida para menores.

Voltarei em breve, se Deus assim permitir.

1 Comments:

  • NSU - 4efer, 5210 - rulez
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    By Anonymous Anónimo, at 7:20 da tarde  

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